Mutirões na Chácara Klabin reforçam o sentimento de comunidade e envolvem as crianças no cuidado com os espaços públicos

Cada vez mais a sensação de pertencimento está cativando as relações dos moradores e comerciantes com a Chácara Klabin. Zelar pelo que é de todos tem feito com que as pessoas se unam, criem laços e trabalhem por um objetivo comum. Em especial, as crianças estão dando um grande exemplo de cidadania ao mostrarem o carinho que têm pelos lugares de lazer que utilizam todos os dias. Esse engajamento vem sendo possível através de mutirões organizados pela CHK em conjunto com o vereador Police Neto e a Prefeitura Regional, como os que revitalizaram duas praças entre março e abril.

No dia 25 de março, um sábado, vários moradores e comerciantes arregaçaram as mangas para cuidar da Praça Giordano Bruno, na Avenida Prefeito Fábio Prado. Segundo a Prefeitura Regional, o grupo retirou 9,2 toneladas de resíduos do local, fez 920 metros de capina, adubou a terra, replantou mudas e pintou 1.127 metros de guias. Mas o trabalho resultou em muito mais do que isso. Por meio desse tipo de ação, Carlos Heitor, 9 anos, está aprendendo na prática o que é cidadania. Ele ajudou a plantar uma das 120 orquídeas doadas por moradores e por um shopping da região para deixar a praça mais colorida. “Eu vejo que meu filho está mais interessado porque estou passando isso para ele. O Carlos começou a chamar a atenção de quem joga lixo no chão ou não coleta a sujeira do cachorro”, conta a administradora Nidia Forestieri, 43 anos, e moradora do bairro há mais de dez.

Carlos Heitor ajudou a enfeitar as árvores com orquídeas

Carlos Heitor mora em um condomínio com playground, mas na pracinha tem a chance de subir em árvores, correr e andar livremente de skate Uma interação com a natureza que estimula o desenvolvimento e aumenta a qualidade de vida, como aponta a psicanalista infantil Mariana Lellis: “O que a gente trabalha no consultório é justamente a criança brincar o mais livre possível porque assim ela pode elaborar vários sentimentos e questões que os adultos geralmente falam. Justamente por isso, são tão importantes os brinquedos não estruturados, como areia, terra, pedrinha e galhos, que podem se transformar em milhares de coisas e estimular a imaginação infantil”.

Julia Manzano, 35 anos, frequentadora da Praça Kant, na Rua Galofre, percebe os benefícios da relação com a natureza para o filho. Eduardo, 4 anos, visita o local todos os dias depois da escola. Não pode ir para casa sem antes dar uma passadinha lá com os amigos. “No começo, o Eduardo vinha para a pracinha, mas não gostava de sujar as mãos. Com o tempo, ele passou a não ligar mais. Qualidade de vida é isso, poder voltar com o filho sujo de terra para casa!”, ressalta a fisioterapeuta que também revela que o menino está perdendo o medo de cachorros ao conviver com animais no local. Ele confirma sua paixão pelo espaço e como está se desenvolvendo: “Gosto de fazer lanchinho lá e outro dia até passei a mão, um pouquinho, em um cachorro”, diz orgulhoso. Eles participaram do mutirão na Kant, no dia 1º de abril. “No começo do ano, a praça estava meio abandonada, a grama super alta, as mesas e bancos quebrados. A gente começou a sentir que tinha que fazer alguma coisa”, relembra Julia. Ela levou orquídeas e ajudou a amarrá-las nas árvores para decorar o ambiente. Já Eduardo quis colaborar pintando as guias com tinta branca. A mãe fez questão de que o filho, mesmo pequeno, participasse. “Ele usa a praça e tem que entender que é preciso cuidar do local. Não sei o quanto ele absorve da ideia toda, mas o pouco que assimilar sobre conservação e ajuda ao próximo já é importante”.

Eduardo em ação para colaborar com o bairro

Além de promover o sentimento de pertencimento – a ideia das praças como extensão de suas próprias casas – os mutirões também são um convite a momentos de socialização entre os moradores e comerciantes. Os dois eventos contaram com comida, bebida e música. Entre uma aparada na grama ali e uma pintura acolá, as pessoas tiveram a chance de se aproximar. “Nunca tinha falado com o síndico do meu condomínio e tivemos a oportunidade de conversar lá”, comenta Julia que mora no bairro há quase um ano.

Apesar de as filhas de Roberto Rodrigues Jr. , 50 anos, frequentarem a Praça Giordano Bruno, ele marcou presença no mutirão da Kant. Morador do bairro e dono da marcenaria Planemar, ele se surpreendeu com a dimensão do evento. “Superou minhas expectativas. Foi muito especial ver as pessoas trabalhando por um mesmo propósito, tanta gente se desprendendo por um bem comum”. Roberto cuidou da recuperação do mobiliário de madeira da praça. “Os bancos estavam quebrados e em cima da mesa central tinham feito uma fogueira. Trocamos peças, limpamos e envernizamos. Espero que quem fez isso se sinta intimidado pela beleza da praça agora”, explica o comerciante ao afirmar que o local é público, mas todos são donos de um pedacinho ali e por isso precisam olhar por ele.

Os brinquedos de madeira ganharam vida nova nas mãos de Roberto

Essa responsabilidade em relação ao espaço comum foi o que motivou Erika Vasconcelos, 37 anos, a querer ajudar no mutirão, apesar de não poder comparecer no evento. Como iria viajar na data marcada para a ação, ela decidiu ir um dia antes ao local com o filho João Pedro, 4 anos. Mesmo sozinhos, os dois começaram a pintar a guia da praça. A dupla não passou despercebida, já que Erika, grávida, está com um barrigão e o filho, todo animado, chamava quem passava para cooperar. “Mesmo pequenininho, ele tem essa visão de proteger o bairro e o patrimônio público. É meio guardião do Parcão. Teve um dia que uma senhora entrou com um cachorro na área destinada às crianças. Sem titubear, ele foi até ela e explicou que animais não podiam ficar ali, que havia outro espaço para eles”, diz a mãe de JP, como é conhecido. João Pedro tem uma relação muito intensa com a praça. Foi a primeira criança de sua escola a realizar um piquenique de aniversário no local, no ano retrasado. Depois, as comemorações ao ar livre viraram rotina. “É mais uma oportunidade para a gente se reunir, conversar um pouquinho e celebrar. Pode até ter uma festa em buff et, mas a da pracinha tem que acontecer, senão as crianças ficam chateadas”, explica a advogada que mora no bairro há um ano.

A família Göltl é a que está aqui há mais tempo. Quinze anos. Por isso, o carinho pela Chácara Klabin é todo especial. André, 57, já tinha o costume de retirar entulhos, fazer limpezas e pequenos reparos para melhorar a região onde vive. Sempre acompanhado da esposa Solange e dos dois filhos, Victor, 23, e Caroline, 20, que adoram pôr a mão na massa. A oportunidade de participar de mutirões com outros moradores deixou a família ainda mais motivada. Os quatro estiveram presentes nos dois últimos eventos. No primeiro sábado, retiraram ervas daninhas dos canteiros e realizaram uma limpeza manual na Giordano Bruno. No fim de semana seguinte, estavam presentes na Kant, colaborando com o reparo dos bancos, plantando mudas e podando árvores. “Reclamar é fácil. Se todos os moradores fizerem sua parte ou cuidarem um pouco das áreas comuns, com certeza teremos um local bem mais agradável”, resume o empresário André.

Nídia, Julia, Érika, Roberto, a família Göltl e os pequenos Carlos Heitor, Eduardo e João Pedro são exemplos de como a comunidade está se unindo para transformar os espaços públicos do bairro. Além de aproveitarem para relaxar em meio ao verde das praças, em uma cidade como São Paulo, tomada por cimento, os moradores e comerciantes desenvolvem experiências de cooperação, maior conexão e até mesmo criatividade. E, juntos, encontram soluções simples mas eficazes e que tornam o bairro , cada dia, um lugar melhor para se viver.

 

Redação CHK

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Somos apaixonados por comunicação e pela Chácara Klabin. Acreditamos que moradores unidos têm o poder de transformar o bairro e a cidade onde vivem.
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