Jornalista, apresentador, ator, produtor, repórter, locutor, músico, garoto-propaganda… Definir Zé Luiz não é tarefa fácil. Tampouco entrar em um consenso sobre se ele é o Zé Luiz da 89FM, o Zé Luiz da TV ou o da campanha publicitária de uma grande loja nacional. Cada um o reconhece por um trabalho, consequências de ser “multifuncional” e de uma carreira no rádio e na televisão que já completa quase 30 anos.

ze1Morador da Chácara Klabin entre 1989 e 2007, onde ainda tem um apartamento e muitos amigos, Zé Luiz nos visitou na sede da CHK para um descontraído bate-papo sobre suas lembranças do bairro e ainda assuntos como cultura, internet, o futuro da comunicação e o papel do jovem nisso tudo. Confira:

CHK: Como aconteceu ser radialista?
Zé Luiz: Começou durante o curso de jornalismo na PUC de Campinas. Eu estava estudando e no resto do tempo me dividia entre o trabalho como barman e o grupo de teatro. Meu primeiro contato com o rádio foi na faculdade, onde havia uma sala com uma série de equipamentos de áudio. Como eu sempre gostei muito de música, especialmente o rock, decidi montar uma programação dedicada ao estilo. Isso foi na metade dos anos de 1980 e ali vi que podia dar certo. Trabalhei então em algumas rádios na cidade e comecei a fazer testes em emissoras. Assim cheguei em 1988 à 89FM, uma rádio nova na época e dedicada aos fãs de rock como eu.

CHK: Você é reconhecido pelos ouvintes como uma das principais vozes da 89FM. Conte sobre sua trajetória na Rádio Rock.
Zé Luiz: Cheguei na 89FM quando a rádio tinha apenas 3 anos. Tivemos o privilégio de surgir na mesma época em que o Brasil tinha bandas como Barão Vermelho, Ultraje a Rigor, Ira!, Os Paralamas do Sucesso e Legião Urbana crescendo. Nós também fizemos parte desse movimento, já que muita gente conheceu essas e outras bandas graças à 89FM. E o retorno do público sempre foi muito bom, a ponto de sermos a 3ª rádio mais ouvida do Brasil por um tempo, uma grande conquista para uma rádio segmentada fora do mainstream. Eu fazia um programa chamado Do Balacobaco, que trazia música e informação de uma forma bem descontraída e que dialogava bastante com os ouvintes. Foram anos de sucesso até 2006, quando a rádio passou por uma mudança de perfil e eu acabei buscando outros projetos no rádio e na televisão. Há cerca de 2 anos e meio, quando a 89FM voltou a ser a Rádio Rock, eu voltei para fazer o Do Balacobaco 2.Zé, programa que apresento atualmente. Durante esse tempo no ar conquistamos um público bastante fiel. Hoje acontece, por exemplo, de conversar com ouvintes que nos escutavam lá no começo e hoje acompanham o programa com os filhos. Isso me deixa muito feliz.

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CHK: E a transição para a televisão?
Zé Luiz: Na televisão posso dizer que fiz trabalhos bem variados. Tem gente que me conhece por causa do ShopTour, outros porque fui repórter no programa da Adriane Galisteu e ainda fui garoto-propaganda de uma grande rede nacional de lojas. Mesmo na TV, acho que sempre trouxe um pouco a veia do rádio. Meu mais recente trabalho na televisão, apresentando o Morning Show, por exemplo, foi um formato que eu criei na rádio Jovem Pan, a Rede TV se interessou e adaptamos para a tela. Depois o programa mudou de nome, de horário e acabou mudando também um pouco a proposta. Mesmo assim, foi uma experiência bem bacana.

CHK: São quase 30 anos trabalhando com comunicação. O que você viu mudar e o que pensa sobre o futuro das mídias tradicionais?
Zé Luiz: Eu vejo que o futuro já chegou e a tecnologia é uma realidade que não pode ser ignorada. Muita coisa já está mudando na televisão e no rádio, como ferramentas de transmissão, filmagem e edição. Na música, como exemplo, gravar e divulgar um trabalho hoje é algo muito mais democrático, possível de ser feito em casa e sem a dependência de uma grande gravadora. Isso muda muita coisa. A internet oferece infinitas possibilidades e sai na frente quem conseguir entender e se adaptar a ela. Acredito que em um futuro breve você terá muitos criadores de conteúdo bem sucedidos na internet, em termos de repercussão e valorização, que atingirão o status de um artista da novela, sem necessariamente haver a necessidade de fazer essa transição para a mídia tradicional. Mesmo assim, não acredito que a evolução tecnológica represente o fim da televisão, do jornal, do rádio. Pelo contrário, você pode incorporar novas ideias e evoluir o que já existe. Um ótimo exemplo é o papel das redes sociais na comunicação e o diálogo rápido com o público. Nós fazemos muito isso no Balacobaco. O ouvinte indica o rumo do programa e nós corremos atrás.

CHK: Qual sua relação pessoal com novas tecnologias?
Zé Luiz: Eu estou sempre de olho no que há de novo, desde bandas novas que as minhas filhas, Catarina e Manu (Gavassi) me apresentam, até aplicativos de celular, novas mídias sociais e por aí vai. Pessoalmente, uso bastante o Twitter, posto às vezes no Facebook e experimento tecnologias que tenham a ver com o meu trabalho, como o Periscope, que usei esses dias para fazer uma transmissão em vídeo ao vivo durante o Balacobaco. Costuma ser positivo, com exceções, claro. Acho que, embora a internet seja uma ferramenta maravilhosa para obter conhecimento e se informar, vejo muitas vezes as redes sociais se tornarem um abrigo para posts ofensivos, pessoas intolerantes e radicais, discussões sem sentido e um grande patrulhamento conservador. Não faz sentido que um jovem com acesso à informação defenda a volta da ditadura, por exemplo, mas acontece. Não acho que o brasileiro esteja mais careta do que antigamente, mas agora um racista ou um homofóbico, por exemplo, pode ter voz escondido sob o anonimato e ainda encontrar pessoas que pensem igual.

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CHK: Acredita que a cultura seja um caminho para resolver esse problema?
Zé Luiz: Acho que nós temos boas opções gratuitas de cultura. Pode melhorar? Claro. Talvez falte um pouco de divulgação sobre iniciativas, espetáculos, festivais, exposições, mas vejo muita gente se movimentando pra fazer a coisa acontecer. Acho que o ponto é a educação. Esse é o mecanismo para compreender a cultura e captar as mensagens. Vivemos em uma era onde há uma enxurrada de informações por segundo, mas é preciso mais reflexão.

CHK: Qual a sua relação com a Chácara Klabin?
Zé Luiz: Morei por quase 18 anos na Chácara Klabin, nas ruas Ibaragui Nissui e Pedro Pomponazzi. Cheguei aqui em 1989, quando o bairro era muito diferente, composto em maioria por casas. Assisti à chegada dos prédios e algumas outras mudanças. Sempre gostei daqui pela tranquilidade, por poder andar e correr na rua. Em uma época, entretanto, aumentaram os problemas de segurança. Cheguei a ser vítima de um assalto na rua de casa. Com a chegada da Base Comunitária, na época, senti que, aos poucos, a situação melhorou. Há cerca de 7 anos anos moro na Vila Mariana, mas continuo frequentando a Chácara Klabin, a Padaria Iracema e visito minha filha, que ainda mora no bairro. Ainda tenho um apartamento por aqui também, que está alugado.

CHK: Quais são os próximos passos da sua carreira?
Zé Luiz: Além do Balacobaco, de segunda a sexta, das 10h às 12h, com edição especial aos sábados na rádio 89FM, atualmente sou também locutor no canal Fox Life. Pretendo continuar fazendo isso e ainda tenho vontade de apresentar um talk show na televisão. Acho que existe espaço. Estou aberto também para novas ideias que surgirem, algo na internet, por exemplo. Tudo é possível, pois estou sempre buscando novos caminhos.

Redação CHK

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Somos apaixonados por comunicação e pela Chácara Klabin. Acreditamos que moradores unidos têm o poder de transformar o bairro e a cidade onde vivem.
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