Doença meningocócica (DM) é uma infecção GRAVÍSSIMA causada pela  bactéria Neisseria meningitidis (mais popularmente conhecida como meningococo) e pode causar meningite e meningococcemia

A meningite meningocócica (infecção das membranas que recobrem o cérebro) certamente está entre as doenças imunopreveníveis mais temidas. Ela é causada pela bactéria Neisseria meningitidis e é mais grave quando atinge a corrente sanguínea, provocando meningococcemia — infecção generalizada. De 1.500 a mais de 3 mil brasileiros são acometidos todos os anos. Pessoas não vacinadas de qualquer idade são vulneráveis, mas no Brasil a DM é mais frequente entre crianças com até 5 anos.

Cinco tipos (sorogrupos) de meningococo causam a maioria dos casos de DM. São eles: A, B, C, W e Y. A importância de cada um varia conforme o país ou região, e também ao longo do tempo. No Brasil, em 2014, considerando todas as faixas etárias, o meningococo C foi responsável por 70% dos casos da doença; o sorogrupo B, por cerca de 20%; e os 10% restantes foram causados pelos sorogrupos W e Y. Quando observamos a incidência em menores de 2 anos, fica evidente a redução dos casos causados pelo sorogrupo C — graças à vacinação em massa dessa faixa etária na rede pública desde 2010 e a predominância do sorogrupo B!

A predominância dos tipos pode variar por faixa etária. No Brasil, graças à vacinação de rotina de todas as crianças com até 2 anos com a vacina meningocócica C, esse tipo quase desapareceu nesta faixa etária e o tipo B, antes em segundo lugar, passou a ser o principal!

Transmissão

O meningococo é transmitido por meio de secreções respiratórias e da saliva, durante contato próximo ou demorado com o portador, especialmente entre pessoas que vivem na mesma casa.

Como a doença evolui?

A evolução da DM é muito rápida, com o surgimento abrupto de sintomas como febre alta e repentina, intensa dor de cabeça, rigidez do pescoço ou “ abaulamento da moleira nos bebês” , sonolência, irritabilidade, vômitos e, em alguns casos, sensibilidade à luz (fotofobia) e confusão mental. A disseminação do meningococo pelos vasos sanguíneos pode produzir manchas vermelhas na pele e até necroses que podem levar à amputação do membro acometido. O risco de morte pela doença é alto: 10% a 20%, podendo chegar a 70%, se a infecção for generalizada (meningococcemia). Entre os sobreviventes, cerca de 10% a 20% ficam com sequelas como surdez, cegueira, problemas neurológicos, membros amputados. O tratamento é feito com antibióticos e outras medidas de preservação do equilíbrio do organismo, em Unidade de Terapia Intensiva isolada.

doenca-meningococica

Risco de morte:              

10% a 20%

Possíveis sequelas:       

Surdez, cegueira, problemas neurológicos, membros amputados = 10%-20% dos sobreviventes

Como prevenir??

VACINAÇÃO

 

Vacinas disponíveis:

Meningocócica C conjugada ( Oferecida na Rede Pública e Particular aos 3/5/12 meses)

Meningocócica conjugada quadrivalente ACWY ( Oferecida na rede Particular a partir dos 2 meses de idade)

Meningocócica B ( Oferecida na rede particular a partir dos 2 meses de idade)

 

Vacinação conforme a recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP ) e Sociedade Brasileira de  Imunização ( SBIM)

  • Meningocócicas conjugadas ( disponíveis C e ACWY) , sempre que possível, preferir a vacina MenACWY, inclusive para os reforços de crianças previamente vacinadas com MenC. Crianças com vacinação completa com a vacina MenC podem se beneficiar com uma dose adicional de MenACWY, a qualquer momento. A vacina menACWY poderá ser administrada a partir dos 2 meses de idade, o número de doses irá depender da idade da criança ao receber a primeira dose.

 

  • Meningocócica B : Iniciar o esquema vacinal o mais precocemente possível. A vacina é liberada para bebês a partir dos 2 meses de idade. O número de doses irá depender da idade da criança ao receber a primeira dose.

 

PREVENIR É SEMPRE A MELHOR OPÇÃO!

Renata Scatena

Renata Scatena

Pediatra geral / Puericultura/ Aleitamento Materno - CRM 124.384

Formada pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos
Residência Médica em Pediatria pela Universidade de São Paulo - HCFMUSP
Especialização em Terapia Intensiva Pediátrica pela Universidade de São Paulo – HCFMUSP
Título de especialista em Pediatria pela SBP
Título de especialista em Terapia Intensiva Pediátrica pela AMIB
Médica Plantonista da Unidade de Terapia Intensiva do Instituto de Oncologia Pediátrica/GRAACC
Médica Pediatrae Diretora técnica da Clínica de Pediatria e Imunização Klabin
Renata Scatena