Ao escolher o tema da minha primeira coluna aqui na CHK, optei por tratar de um assunto, infelizmente, cada vez mais frequente no meu dia a dia: o CÂNCER DE PELE.

Estamos no verão, época de muito calor em que as pessoas se expõem ao sol em demasia, esquecendo-se que se proteger do sol deixou de ser uma questão estética há muito tempo. Hoje, fazer o uso adequado do filtro solar e dos filtros físicos, como camisetas e bonés, é uma questão de saúde.

Todos os dias, sem exceção, eu atendo, ao menos, um caso de câncer de pele no consultório. E não é para menos, o câncer de pele é o tumor de maior incidência na população. Estima-se que 25% de todos os cânceres do corpo humano sejam de pele. E a tendência, infelizmente, é aumentar.

Mas afinal o que é o câncer de pele?

Dito de uma maneira simples, o câncer de pele decorre de um crescimento anormal das células que compõem a pele. E essas células, geralmente, aparecem em nosso corpo como nevus (pintas) ou manchas. Por conta disto, é fundamental conhecermos o nosso próprio corpo, ficar atento às nossas pintas e a toda e qualquer alteração que elas possam apresentar. Ainda assim, é importante esclarecer que nem todo câncer de pele é igual, há os mais graves que podem levar a óbito e há os menos graves, sendo estes os mais frequentes na população.

Então, podemos dividir os cânceres de pele em dois grandes grupos: melanomas e câncer de pele não melanoma. Estes últimos dividem-se em carcinoma basocelular (CBC) e carcinoma espinocelular (CEC). Vamos a eles:

O carcinoma basocelular é o mais frequente e o menos agressivo. Em geral, sendo precoce o diagnóstico, basta um procedimento cirúrgico de pequeno porte para que o indivíduo esteja curado. Este tipo de câncer tem relação direta com a exposição solar, por conta disto é frequentemente encontrado em regiões como rosto e pescoço. É comum em adultos, cuja exposição solar ao longo da vida foi grande. Nestes casos, em termos de localização das lesões, o nariz é o campeão, mas as orelhas não ficam muito atrás, já que poucos se lembram de protegê-la do sol no decorrer da vida.

Já o carcinoma espinocelular é mais agressivo e de crescimento rápido, tem menor incidência e também requer a remoção da lesão por meio de procedimento cirúrgico. As chances de cura são promissoras quando identificado precocemente, porém existe risco efetivo de atingir outros órgãos se o diagnóstico for tardio. Também possui relação direta com a exposição solar e é frequentemente localizado no couro cabeludo e orelhas. Mais predominante em idosos e de sexo masculino.

Os melanomas, por sua vez, são os mais agressivos e os mais perigosos tumores de pele, pois tem a capacidade de se espalhar por qualquer órgão do corpo humano. Não raro, um paciente que é diagnosticado com um melanoma acaba apresentando metástase para outros órgãos. Neste caso, o tratamento requer o acompanhamento de um médico oncologista, pois nem sempre um procedimento cirúrgico de pequeno porte é suficiente. Os melanomas podem aparecer em qualquer local da pele e não tem relação necessária com a exposição solar, pois há fatores genéticos que também influenciam no seu aparecimento. Frequentemente, é localizado em áreas pouco expostas, como genitais, membranas mucosas, trato gastrointestinal e orelhas.

Apesar de ter menor incidência, os casos de melanoma tem aumentado no mundo todo. No meu dia a dia, tenho recebido muito mais diagnósticos de melanoma e o que mais me preocupa é a idade dos pacientes. No passado, pessoas de pouca idade raramente eram diagnosticadas com um câncer de pele de tamanha gravidade, porém, infelizmente, tenho visto aumentar os casos em crianças e jovens.

Como podemos nos proteger do câncer de pele? Quais os fatores de risco?

Evitando ao máximo a exposição solar, uma vez que o sol agride a pele, causando diversas alterações celulares, inclusive as que podem levar ao câncer. Neste contexto, importante mencionar que o pior sol que um indivíduo toma na vida é aquele do nascimento aos 20 anos. Toda essa exposição inadequada fica registrada em nosso organismo, ou seja, quanto mais queimaduras solares (aqui incluídos os bronzeados) a pessoa sofrer ao longo da vida, maiores as chances dela ser acometida por um câncer de pele.

Outro fator de risco importante é a idade, pois em geral o diagnóstico é feito na idade adulta, embora isto esteja mudando, infelizmente. Pessoas de pele clara e olhos claros tem maior chance de ser acometido pela doença. No entanto, aquela pessoa que se expõe ao sol e fica vermelha “feito um pimentão” também corre maior risco. A genética também é um fator de risco, uma vez que pessoas com histórico familiar da doença precisam ter cuidado redobrado. Pessoas com muitos nevus (pintas) pelo corpo precisam ficar atentas às transformações de cada uma delas.

 

Existe, contudo, uma dica de ouro que todos devem conhecer. Já sabemos que o câncer de pele varia muito de aparência, quando comparado com demais nevus (pintas) e manchas presentes na pele. Por conta disto, qualquer sinal de alerta já é motivo para uma consulta no médico dermatologista. Assim, devemos nos policiar para, com frequência, fazermos um auto exame da nossa pele observando a chamada Regra do ABCDE. Devemos observar:

Assimetria: A pinta é assimétrica? Um lado é maior que o outro? Se a resposta for sim, fique alerta. É conveniente consultar o médico dermatologista.

Bordas irregulares: A pinta possui bordas irregulares, entrecortadas, não uniformes? Se a resposta for sim, fique alerta. É conveniente consultar o médico dermatologista.

Cor: A pinta possui variação de coloração? Ou alguma mancha? Se a resposta for sim, fique alerta. É conveniente consultar o médico dermatologista.

Diâmetro: Qual o tamanho da sua pinta? Geralmente, um melanoma, por exemplo, tem diâmetro maior que 5mm.

Evolução: Você notou mudanças na pinta? Houve crescimento rápido? Mudança na coloração? Parece uma ferida que nunca sara ou cicatriza? Se a resposta for sim, fique alerta. É conveniente procurar o médico dermatologista.

A consulta anual ao médico dermatologista exclusivamente para exame das pintas é uma medida consciente para auxiliar nessa prevenção e controle. Não obstante, é essencial termos em mente que, apesar de muito comum, o câncer de pele, quando diagnosticado precocemente, tem cura, mas, acima de tudo, é uma doença cuja prevenção está em nossas mãos!

Rogerio Angelucci

Rogerio Angelucci

Médico graduado pela Universidade Metropolitana de Santos, com especialização em
Dermatologia pelo Hospital Ipiranga de São Paulo.
Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia Clínico Cirúrgica (SBDCC).
Membro da Sociedade Brasileira de Medicina Estética (SBME). Membro do Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM). Sócio Efetivo Da Sociedade Portuguesa De Medicina Estética (SPME). Proprietário da Clínica DermAngelucci Ipiranga, onde atua há 10 anos como médico dermatologista. Oferece aos seus pacientes, crianças e adultos, excelência no tratamento clínico e cirúrgico de
doenças relacionadas à pele, aos cabelos e às unhas, além de uma ampla variedade da tratamentos estéticos.

Contato: (11) 2368-1282 / (11) 2368-8551 / (11) 96627-3930
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