Um oásis preservado em meio à cidade. É as­sim que o economista Ronaldo Gatto enxerga a Chácara Klabin, seu reduto desde o feriado de 9 de julho de 1983. Foi num sábado, há mais de 30 anos, que Ronaldo mudou-se para o bairro, junto com sua esposa e, à época, seus dois filhos – o ter­ceiro deles nasceria três anos depois, um dos pri­meiros moradores “nativos” do bairro.

Em seu apartamento na Rua Agnaldo Manuel dos Santos, onde mora desde 2006 após sua casa, que ficava do outro lado da rua, dar lugar a um prédio, Ronaldo nos recebeu para uma tarde de lembranças sobre os primeiros anos do bairro. A história começou em 1980, quando o economista comprou seu terreno no loteamento recém-desocupado da família Klabin. his2

Da sacada ele aponta casa por casa e remonta a vizinhança, por nome, os que se mudaram e aqueles que continuam no bairro. “Fui o segundo morador desta rua, em uma época em que todo mundo se co­nhecia e se ajudava, desde a fase das construções dos imóveis. Nos primeiros anos os vizinhos se reu­niam fosse para tomar um café ou para as festas que fazíamos de uma ponta à outra da rua”, lembra.

Mas, segundo Ronaldo, a vida em comunidade ia além das confraternizações. “Havia meio que uma organização em relação à segurança das casas. Um ligava para o outro se ouvisse qualquer barulho es­tranho. Havia até algumas palavras-chave que com­binávamos para casos de emergências”, conta.

A educadora Vera Gatto, esposa de Ronaldo, gos­ta de lembrar que a “vigilância” também valia para as crianças. “As famílias do bairro se conheciam também por causa dos filhos, que andavam juntos, viajavam em grupo, o que ajudou muito a construir essas amizades. A maioria dura até hoje e se esten­de aos filhos dos filhos, o que mostra a importância que a Chácara Klabin teve na vida dessas pessoas”.

his1Após três décadas no bairro, Ronaldo e Vera en­xergam muitas mudanças, algumas negativas, como o aumento da violência e o distanciamento entre os vizinhos causado pela chegada dos prédios. “Mesmo assim, nós não trocaríamos a Chácara Klabin por ne­nhum outro lugar. E assim acontece com a maioria das famílias que participaram da construção deste bairro”, orgulha-se Ronaldo, que passeia todos os dias no quarteirão com seu animal de estimação e ainda consegue enxergar resquícios da “vida inte­riorana” na região.

Moradores desde o tempo em que era possível enxergar o horizonte para qualquer lado do Klabin que se olhasse, Ronaldo e Vera acreditam que uma comunidade unida, que transmite valores positivos, tem poder para mudar o bairro. Ao fim da conversa, Ronaldo mostra satisfeito a árvore que plantou na rua muitos anos atrás. Em meio aos prédios e car­ros estacionados, reflexo das transformações pelas quais o bairro passou, as raízes da planta continu­am firmes no solo da Chácara Klabin. As da família Gatto também.

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Redação CHK

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Somos apaixonados por comunicação e pela Chácara Klabin. Acreditamos que moradores unidos têm o poder de transformar o bairro e a cidade onde vivem.
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