Paulo Luis Jardini Ortega, adepto das corridas de rua há oito anos, prova que força de vontade é essencial para conquistar um estilo de vida mais saudável

Trocar um vício por outro pode não parecer uma boa opção. Não no caso de Paulo Luis Jardini Ortega, de 46 anos, morador da Chácara Klabin. Ele largou o cigarro e começou a correr. Nunca mais parou. Hoje faz em média 15 km quase todos os dias pela manhã, passou a viajar para participar de provas e até conheceu a esposa por causa do esporte. O primeiro passo não exigiu treino e adaptação, mas força de vontade ao decidir parar de fumar.

O hábito vinha desde a época da faculdade. Nos piores momentos, Paulo, que é servidor público, chegava a consumir até dois maços por dia. E se dizia um fumante incomodado. “Eu sempre ficava chateado com isso, mas era difícil largar”, afirma. Para piorar era sedentário e se alimentava mal. Só pensou em abandonar o vício de vez em 2008, quando descobriu que o pai, também fumante, estava usando um remédio para isso. Começou a tomar a medicação com a esperança de que juntos, pai e filho seriam mais fortes em resistir ao tabaco. Ele conseguiu, mas o pai não seguiu à risca o tratamento e voltou a fumar. Assim que se livrou do velho hábito, quis adotar um estilo de vida mais saudável. Começou a frequentar uma academia e a se interessar por ciclismo. Mas a modalidade não o agradou. “Dava muito trabalho ter que sair de São Paulo para praticar”, conta Paulo que costumava fazer de 200 a 400 km em treinos na estrada. Até que, em 2009, um professor da academia que frequentava sugeriu que ele e um colega fizessem uma prova de rua. Os dois se inscreveram para uma corrida de 6 km, se empolgaram com a ideia e decidiram tentar uma prova mais desafiadora: 12 km. A dupla se revezou entre treinos na esteira e na rua até o grande dia. “Nós sofremos demais para fazer aqueles 12 km. Depois, ficamos uma semana doloridos!”.

Paulo na Comrades Marathon: a preparação começa sete meses antes

Após o choque da primeira experiência, Paulo começou a mesclar corridas na academia e na rua. Até que chegou um momento em que abandonou a esteira. Oito anos depois, sua quilometragem já é vinte vezes maior. A prova mais longa que completou foi a Saara Race, realizada na Jordânia, em 2014. Foram 250 km percorridos em uma semana. “A cada dia a gente cumpria um trecho, de mais ou menos 40 km, no meio do deserto, carregando todo o nosso material. A organização só fornecia a estrutura do acampamento e água”, conta. Hoje, quando está em fase de preparação, ele chega a correr 100 km por semana. Para ele, a prova que exige mais esforço é a Comrades Marathon, com 89 km e realizada todo mês de junho na África do Sul. Paulo já participou seis vezes, a última neste ano. Para estar em forma, começa os treinos sete meses antes. Chegou até a ganhar uma prova de montanha como o melhor colocado dentro de sua faixa etária. Isso aconteceu em fevereiro, no Ultra Desafio de 120 km, em Passa Quatro (MG). E tem muitas ainda pela frente. Só nos próximos meses são mais duas. Uma maratona em Florianópolis agora em agosto e outra em Buenos Aires, em outubro.

A Saarah Race foi a prova mais longa que já completou: 250 km em sete dias

São Silvestre ele já fez quatro. Mas considera apenas um momento de descontração. “Tem muita gente, não é uma prova para você buscar resultado. Vale mais pela diversão”. Mesmo assim, esta prova rendeu boas memórias. Foi por causa dela que Paulo começou um relacionamento com a esposa Deborah, em 2014, quando ela pensava em participar da corrida. Os dois eram colegas de trabalho e ele se ofereceu para ajudá-la nos treinos. Eles passaram a correr no Parque Ibirapuera, na zona sul. Entre um passo largo e outro, tiveram a chance de se aproximar. E os benefícios não foram apenas na vida amorosa. Paulo afirma que parar de fumar e correr foram fatores decisivos para a melhora do seu sono, da pele e também de sua alimentação.

Paulo e a esposa no Ultra Desafio de Passa Quatro (MG), de 120 km, o servidor público foi o primeiro colocado na sua categoria. Foto: arquivo pessoal

Segundo ele, não há nada de restritivo nas suas refeições, apesar de sua dieta ser bem similar a de um vegetariano, evitando carne. Ele também toma alguns multivitamínicos e suplementos proteicos após os treinos mais pesados. Atualmente, Paulo gasta muito mais com tênis, passagens aéreas e despesas nas provas que participa fora do país do que costumava despender em maços de cigarros. Mas a troca dos vícios compensou. Para ele, a corrida é um processo de autoconhecimento. “Você vai descobrir coisas dentro de si que nem imaginava”. Ele acredita que todos podem se beneficiar adotando bons hábitos, mas para quem quer começar a correr e busca um incentivo, recomenda não comparar desempenho. “A evolução é um processo natural. O importante é sair e correr. Eu não me imaginava fazendo isso. Hoje não me imagino sem fazer”.

 

Quer começar a correr? Confira alguns benefícios dessa atividade que a CHK separou para os leitores:  

1) Boa noite!
Ajuda a melhorar a qualidade do sono, permitindo a total recuperação do corpo e da mente.

2) Mais felicidade
Produz neurotransmissores, regulando o estresse e a ansiedade, e libera endorfina, hormônio que promove a sensação de bem-estar.

3) Ossos fortes
Aumenta a produção de massa óssea e sua resistência pelo impacto do corpo no solo.

4) Concentração
Pela necessidade de manter o foco, a atividade estimula a memória e o raciocínio.

5) Coração enxuto
Melhora o desempenho cardíaco e reduz a pressão arterial.

6) Grátis
Quase não tem custo. É só calçar o tênis e começar.

7) Músculos definidos
Ajuda a reduzir a gordura corporal, a flacidez e tonifica os músculos.

8) Emagrece
O gasto energético de 30 minutos de corrida, a 80% de fr equência cardíaca máxima, é de 600 k cal.

9) Respire melhor
Permite o desenvolvimento da capacidade respiratória e melhor absorção de oxigênio pelos brônquios.

10) Pele de pêssego
Aumenta a circulação sanguínea e por tabela a produção de colágeno, proteína responsável por retardar o envelhecimento, fortalecer unhas e cabelo

Redação CHK

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Somos apaixonados por comunicação e pela Chácara Klabin. Acreditamos que moradores unidos têm o poder de transformar o bairro e a cidade onde vivem.
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