Mobilização dos moradores pode ser a saída para acabar com os apagões na Chácara Klabin

Em janeiro do ano passado, a sétima edição da CHK trouxe como matéria principal o problema das constantes interrupções no fornecimento de energia elétrica na Chácara Klabin, uma incômoda situação que fazia parte do cotidiano de moradores e comerciantes do bairro desde muito tempo antes da publicação. De lá para cá, pouca coisa mudou. Se na época as explicações da AES Eletropaulo baseavam-se principalmente no período de intensas chuvas e muitas quedas de árvores, nos meses que se seguiram a região continuou a conviver com os “apagões” em dias de sol ou chuva, de dia, de tarde ou de noite, sem qualquer motivo aparente ou explicação satisfatória aos consumidores.

Mauro Martone, morador, síndico de um condomínio no bairro e entrevistado na matéria “Chácara Klabin às escuras”, atesta que, desde seu primeiro relato, o problema no fornecimento continua. “Na virada de 2013 para 2014, nós chegamos a ficar 72 horas seguidas sem energia elétrica. Na época, passávamos por um período de chuvas e quedas de árvores, justificativa apresentada pela AES Eletropaulo. Passado mais de um ano desde o episódio, a única coisa que mudou foi que o tempo sem energia diminuiu, mas a falta de luz é constante. Em 10 anos morando na Chácara Klabin, percebo que nos últimos 6 esse quadro piorou bastante, o que evidencia que a rede elétrica não suportou o crescimento acelerado do bairro”, afirma. A corretora de imóveis, Maria Manuela Soares Ranieri, há 22 anos no bairro, compartilha da opinião de Mauro. “Quando nos mudamos para cá passamos a conviver com as interrupções no fornecimento de energia. Com o aumento de condomínios na região, o problema se agravou. Chegou ao ponto de o condomínio precisar instalar um gerador para minimizar o problema”, conta. Mesma solução encontrada pelo empresário José Maria Monteiro, proprietário da Iracema, tradicional padaria do bairro. “Nós já tivemos uma série de prejuízos por causa dos apagões, como vitrines inteiras de bolos que precisamos jogar fora por causa da refrigeração ou fornadas que estragaram porque acabou a luz na hora em que a massa estava assando. A saída foi investir em um gerador que nos custou R$130.000 e que necessita de manutenção constante”, reclama.

Pelo fim dos apagões

Cansados dessa situação e da pouca perspectiva de solução por parte da empresa fornecedora, moradores da Chácara Klabin vêm se organizando desde o começo de 2015 na tentativa de resolver definitivamente o problema da falta de luz na região. A mobilização começou com o grupo virtual “Apagões Chácara Klabin”, criado para troca de informações e como plataforma para organização de ações coletivas na luta por fornecimento regular de energia elétrica para todas as residências e comércios do bairro. “Este ano, durante um dos períodos mais críticos, com tardes inteiras sem luz durante a semana, conseguimos tirar algumas ideias do papel e montamos duas frentes de atuação para representar os direitos dos moradores”, afirma Daniel Moral, idealizador da CHK. Entre os membros do grupo está o advogado Roberto Fabrício, que já sofreu bastante com as quedas de energia no bairro. Em março deste ano, Roberto e Daniel organizaram uma petição que será protocolada junto à Promotoria do Consumidor do Ministério Público Estadual, solicitando ao MP a abertura de Inquérito Civil para apuração das irregularidades cometidas pela AES Eletropaulo no fornecimento de energia para a Chácara Klabin. “As frequentes interrupções no fornecimento do serviço, que revelam a vulnerabilidade de nossa rede de energia elétrica – não idealizada para tamanha demanda –, têm causado prejuízos de ordem material e moral aos comércios locais e moradores, e até agora não foram apresentadas pela empresa explicações ou medidas para resolver o problema”, reivindica o abaixo- assinado.

Em pouco mais de um mês, a petição atingiu mais de 270 assinaturas, número ainda baixo para a quantidade de moradores que o bairro reúne, mas sufi ciente para o prosseguimento da ação, segundo o advogado. “Reforçaremos a necessidade de que seja feita a adequação da rede elétrica da região acima compreendida, já visando uma margem de crescimento que ocorrerá dentro de mais alguns anos com a entrega dos demais edifícios em construção, e buscaremos o compromisso formal da Eletropaulo com esta regularização, através da celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta com a fornecedora”, completa o texto.

Apoio na Câmara dos Vereadores

A segunda frente de atuação foi desenvolvida com grande ajuda do vereador José Police Neto, apoiador da comunidade da Chácara Klabin em outras ações como a construção do ParCão e a realização da 3ª Cãominhada no bairro. A convite do vereador, no dia 9 de março, Daniel Moral, da CHK, o advogado Roberto Fabricio, autor da petição, e a empresária Renata Labanca, proprietária do salão Dame De Lis, representando os comerciantes do bairro que estão sofrendo prejuízos de ordem material e moral com o problema dos apagões, compareceram à Câmara dos Vereadores de São Paulo para apresentar aos presentes, durante sessão da Comissão de Trânsito Transporte, Atividade Econômica, Turismo, Lazer e Gastronomia, a situação que o bairro enfrenta em relação às constantes quedas no fornecimento de energia elétrica. “Eu tenho um salão de beleza na região, um tipo de comércio que é altamente dependente de energia elétrica para funcionar.

Cada vez que o bairro sofre com os constantes e demorados apagões, nós precisamos desmarcar todas as clientes do período. Isso é muito prejudicial porque nosso consumidor vai perdendo a confiança de que o estabelecimento vai ser capaz de prestar aquele serviço. Recentemente eu estava com uma noiva visitando o salão para fechar um pacote de serviços que nós oferecemos para o dia do casamento, quando justo nessa hora a energia elétrica acabou.

Moradores da Chácara Klabin na Câmara Municipal de São Paulo.

Moradores da
Chácara Klabin na
Câmara Municipal
de São Paulo.

Essa cliente em potencial acabou por não fechar com a gente, dizendo que havia gostado do espaço, mas que não tinha confiança de que o problema não voltaria a acontecer no dia do casamento. Só nesse episódio nós deixamos de ganhar R$2.500. No bairro nós temos pelo menos outros cinco salões e diversos outros tipos de comércios que são igualmente afetados por esse problema no fornecimento de energia elétrica. Nós estamos aqui para tentar reverter esse quadro”, reivindicou Renata durante a sessão. Co-fundador da Comissão de Defesa do Consumidor, o advogado Roberto Fabrício também reclamou aos presentes sobre a postura da AES Eletropaulo e a falta de perspectivas sobre a resolução do problema no bairro. “O artigo 39, inciso II do Código de Defesa do Consumidor, determina que é vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, recusar atendimento às demandas dos consumidores, na exata medida de suas disponibilidades, configura parte abusiva e, inclusive, caso haja omissão de informação relevante sobre a forma como esse serviço é prestado, há indício de prática de crime contra relações de consumo.

Por isso é muito importante que sejam tomadas providências para que a AES Eletropaulo preste esclarecimentos perante esta Câmara e a comunidade”, declarou o advogado. Ao término da sessão, os representantes do grupo Apagões Chácara Klabin saíram da Câmara dos Vereadores com o compromisso de que será convocada uma audiência pública com a comunidade local, a AES Eletropaulo e a Agência Reguladora Estadual. “É uma situação realmente inaceitável, que precisa ser resolvida já. Aqui na Câmara, nós vamos fazer a nossa parte e exigir de todos os responsáveis que cumpram com aquilo que não é nada além de um dever.

O cidadão da Chácara Klabin não merece tanto descaso”, afirmou Police. Junte-se a nós nessa batalha!

Em um bairro arborizado como a Chácara Klabin, a queda de galhos ou o contato desses com a fi ação pode ocasionar interrupções no fornecimento de energia elétrica. Para reduzir as chances de que esse tipo de problema aconteça, a Subprefeitura da Vila Mariana vem realizando, a pedido da CHK e com o apoio do vereador José Police Neto, ações de podas e remoções em nossa região.

Em um bairro arborizado
como a Chácara Klabin, a queda
de galhos ou o contato desses com a
fi ação pode ocasionar interrupções no
fornecimento de energia elétrica. Para
reduzir as chances de que esse tipo de
problema aconteça, a Subprefeitura da
Vila Mariana vem realizando, a pedido
da CHK e com o apoio do vereador
José Police Neto, ações de podas e
remoções em nossa região.

Redação CHK

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Somos apaixonados por comunicação e pela Chácara Klabin. Acreditamos que moradores unidos têm o poder de transformar o bairro e a cidade onde vivem.
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