Moradores atentos, profissionais treinados e um sistema eficiente, como o Segurança Participativa, tornam a Chácara Klabin cada vez mais um bairro tranquilo e acolhedor

tiva desde 2014, a plataforma Segurança Participativa ajudou a reduzir os índices de criminalidade e violência da região. Isso só foi possível por causa do olhar cuidadoso de vigilantes e porteiros e também pela conscientização dos moradores de que cabe a todos a função de zelar pelo bem-estar da comunidade. O artigo 144 da Constituição Federal reforça esta ideia: “Segurança pública é um dever do Estado e direito e responsabilidade de todos”.

Daniel Moral, da CHK, e o oficial da polícia militar Marcos Verardino, ambos moradores do bairro há mais de 30 anos, acreditam nesta premissa. Após notarem a insatisfação da vizinhança com a incidência da criminalidade, começaram a estudar uma solução colaborativa para o problema. Decidiram analisar mais a fundo a questão e descobriram que, em 2013, em apenas nove meses, a Rua Pedro Pomponazzi havia registrado onze roubos de carros, um crime geralmente à mão armada. “Era a rua com o maior índice na cobertura do 6º DP, que atende a região do Klabin e uma área enorme, que vai até o Glicério”, conta Moral. No total, no mesmo período, somando todas as 27 vias que constituem a Chácara Klabin, tinham sido notificadas 55 ocorrências. Era uma revelação alarmante. “Levamos em consideração o índice de roubo de carros porque há garantia de que as vítimas registraram um boletim de ocorrência para acionar a seguradora”, explica Verardino. Os números que já eram grandes, sem levar em consideração furtos de estepe ou roubo a pedestres, constatavam que algo precisava ser feito.

Depois de se debruçarem sobre o tema, a dupla chegou a algumas razões para o bairro ser tão suscetível. Além do alto poder aquisitivo e a localização privilegiada, foi possível perceber que vias, como a Ricardo Jafet, Lins de Vasconcelos e Vergueiro, serviam de rotas de fuga para os bandidos, ligando o bairro a outras regiões da cidade. “Em tempo recorde, após um roubo, os ladrões conseguem fugir”, diz o proprietário da CHK. Verardino fez um teste. Calculou que em menos de seis minutos com o carro na Ricardo Jafet era possível chegar na Bandeirantes e escapar facilmente da cena do crime.

Os dois também diagnosticaram que a baixa circulação nas ruas, a falta de organização conjunta e o pouco conhecimento das autoridades, com as subnotifi cações de B.Os, facilitavam a vida dos assaltantes. Com o objetivo de estreitar a relação dos moradores com a polícia militar e tornar o cidadão ativo no processo de proteção do local onde habita, elaboraram uma série de ações e criaram a plataforma Segurança Participativa. “Não adianta só reclamar do governo. Cada morador tem um papel importante e pode contribuir para tornar o bairro mais seguro”, relata Moral.

Prova disso foram os resultados obtidos em pouco tempo de existência da Seg Part. Na comparação do segundo semestre de 2013, quando o projeto ainda não existia, com os primeiros seis meses de 2014, período de sua implantação, os casos de roubo de veículos caíram de 21 para seis, segundo estatísticas oficiais da Secretaria de Segurança Pública. Uma redução de cerca de 70%. O bairro chegou a vivenciar oito meses sem nenhuma ocorrência em 2015. Atualmente, esta rede, que está em constante expansão, conta com a participação de 30 condomínios. Entenda a seguir como ela funciona.

Reconhecimento do bairro

A primeira ação nos condomínios participantes é oferecer uma palestra gratuita de duas horas para seus residentes, com dados sobre a região e procedimentos básicos que devem ser adotados para diminuir a vulnerabilidade do local. “Além de informações sobre a Chácara Klabin, damos alguns conselhos práticos, como por exemplo, sempre observar se tem gente estranha na rua ao entrar e sair do prédio, não sacar grandes quantias no banco, preferindo as transferências, não utilizar o celular na rua e esperar chegar em casa para conferir as mensagens”, conta Verardino, que em suas palestras oferece essas e outras dicas.

Um olha atento em cada condomínio

O princípio da plataforma é de que é impossível colocar uma viatura em cada rua do bairro, mas um olho atento em cada condomínio pode fazer a diferença. Para isso, porteiros, zeladores e outros funcionários passam por um treinamento, no qual aprendem a identificar atitudes suspeitas ou criminosas. “Isso é efi caz porque ensina os colaboradores do prédio a reconhecerem essas situações. Quando vivenciam o problema, já estão mais preparados, não vão entrar em pânico e poderão agir”, contam os idealizadores. Todos os porteiros da rede recebem um rádio que cria um canal de comunicação colaborativo e rápido entre as portarias e a Base Comunitária da Polícia Militar da Chácara Klabin.

“Em um episódio de suspeita ou se de fato ocorrer um crime, os porteiros podem trocar informações entre si e acionar a polícia. Em casos em que não há treinamento, o porteiro se preocupa em ligar primeiro para o apartamento da vítima, o que atrasa a atuação policial”, complementa Moral. Graças a esse sistema, já aconteceram vários fl agrantes. O último, no início de maio, quando dois homens tentavam invadir um prédio na Rua Montesquieu. Ao notar o que acontecia, o porteiro acionou a base e eles foram detidos na Rua Galofre. Como não chegou a acontecer a invasão, os suspeitos foram encaminhados à delegacia para depoimento.

Para valorizar o trabalho dos vigilantes, a Seg Part criou inclusive uma premiação, “O Porteiro do Mês”. Funcionários da plataforma avaliam a performance desses trabalhadores e o melhor recebe uma cesta de café da manhã, como forma de agradecimento e prestígio pela sua atuação. Moral acredita que a iniciativa é importante para estimular o engajamento. “A gente tem que entender que a chave de nossas casas está nas mãos dos porteiros. Devemos apoiar o trabalho que eles fazem. São pessoas humildes e que não moram aqui, mas estão ajudando a resolver nossos problemas”.

Acompanhamento periódico

Dois funcionários da Seg Part são responsáveis por checar várias vezes ao dia se o sistema está funcionando. Eles passam um rádio para cada portaria para saber se há novidades, como anda o estado dos aparelhos e oferecer qualquer apoio necessário. Na última ocorrência, no começo de maio, os funcionários deixaram em cada condomínio um cartaz com a foto dos dois suspeitos para garantir que seria possível identifi cá-los em caso de reincidência.

Através do que é colhido nessas checagens diárias, toda segunda-feira é enviado um relatório para os síndicos, que mostra como estão as operações. No documento consta o nome do prédio, os horários de contato e possíveis notificações, como falhas de áudio nos rádios, participação dos zeladores e informes de tentativas de roubo. A partir disso, os administradores do edifício são cobrados a melhorar o desempenho de sua unidade para que a rede possa funcionar sem contratempos.

Avaliações técnicas

Outra forma de garantir a segurança dos edifícios são laudos realizados em cada condomínio para conferir se há vulnerabilidade. Itens como câmera, blindagem da portaria, cerca elétrica, presença de clausura, proteção das piscinas, dispositivos de prevenção a incêndios são avaliados por um especialista. Após a vistoria um laudo é formulado com as sugestões que podem ser efetuadas. “Priorizamos em três níveis as ações que o prédio deve tomar para melhorar o seu sistema de segurança e eles podem aplicar o que for mais conveniente no momento, seguindo esse grau de urgência”, relata Verardino, que participa de todo o processo e tem especializações em Operações Especiais, Ações Táticas, Controle de Distúrbios Civis e Gerenciamento de Crises.

Próximos passos

O objetivo da Segurança Participativa é ser cada vez mais presente no bairro para poder melhorar sua eficiência. Pensando nisso, os fundadores já estão elaborando a ampliação da plataforma para casas e comércios. Outra novidade será a criação de um aplicativo de celular no qual os moradores poderão relatar e indicar a localização de ocorrências, além de contar com um botão de pânico, através do qual podem pedir ajuda.

Quanto mais edifícios participam da rede maior é o seu poder. Sua capacidade de atuação já foi comprovada pela redução dos índices de violência no bairro e replicação do exemplo em outras áreas da cidade. O modelo, que foi inspirado em um projeto existente nos Estados Unidos chamado Neighborhood Watch, mostra como a união e a colaboração entre todos pode fazer a diferença e garantir uma Chácara Klabin mais tranquila. Portanto, se o leitor perceber que seu prédio ainda não faz parte do projeto, peça ao síndico para que entre em contato e obtenha mais informações.

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Redação CHK

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Somos apaixonados por comunicação e pela Chácara Klabin. Acreditamos que moradores unidos têm o poder de transformar o bairro e a cidade onde vivem.
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