Ao buscar soluções para ajudar o filho autista, Cristiane Carvalho tornou-se empreendedora e atingiu um público muito maior do que imaginava

A Teraplay, junção das palavras terapia e play (brincadeira em inglês), surgiu de uma necessidade pessoal da paulistana Cristiane Carvalho, de 39 anos. Ela procurava uma solução para ajudar o filho, hoje com 11 anos, a reconhecer emoções, as próprias e de outras pessoas. O menino tem o diagnóstico de TEA (Transtorno de Espectro Autista), no qual uma das características é a dificuldade na comunicação verbal e não verbal. Acostumada a buscar alternativas para complementar o tratamento em jogos e livros de fora do país, dessa vez não achou a informação.

Determinada a encontrar uma forma de facilitar o modo como ele expressava o que sentia, criou o primeiro produto de sua loja online: o bracelete das emoções (R$ 22). A pulseira apresenta seis expressões diferentes representadas por emojis. “Ao invés de criar algo novo que as crianças teriam que aprender o significado, eu achei que valia partir dos emojis, que elas já utilizam, para desenvolver um conceito mais profundo”, conta a empreendedora. Com o bracelete, as crianças podem apontar a carinha com a qual mais se identificam (triste, feliz, zangada, entre outras) e, a partir desse primeiro impulso, começarem a falar sobre seus sentimentos. A ideia deu tão certo que pessoas sem o diagnóstico de autismo se interessaram pelo produto, como a própria filha mais nova de Cristiane. “Ela quis usar na escola, os amigos começaram a pedir, os pais e professores perguntavam como funcionava”, afirma. Essa foi a primeira mostra do quanto a Teraplay atendia as necessidades de um público amplo, muito além do espectro autista. Cristiane percebeu que a educação emocional era um problema mais profundo. “É comum ver pessoas perderem o emprego, casamentos e outras oportunidades porque não conseguem entender todas as suas emoções. Se a gente começar a trabalhar isso desde pequeno, as crianças vão estar mais preparadas para enfrentar a adolescência e o mundo adulto”, explica.

Teraplay Revista CHK

A empreendedora acredita que o bracelete funciona como um lembrete tanto para as crianças como para os pais. “Muitas vezes, a gente pergunta como foi na escola ou como passou o dia e não consegue nenhuma informação substancial. Mas quando você transforma isso em uma brincadeira é um estímulo para a criança começar a conversar”. Ela já recebeu relatos de psicólogos infantis que tinham dificuldades de fazer o paciente se abrir. Com o uso da pulseira, a criança já chega ao consultório animada para apontar a carinha que mais corresponde ao seu estado emocional. Depois do bracelete, Cristiane ainda lançou um livro. Em “Faísca Explica a emoções” (R$ 29,90), um cachorrinho observador ajuda seu tutor, o Gui, a desvendar melhor o mundo abstrato das emoções por meio de situações cotidianas. A publicação ainda vem com um manual online de dicas práticas para os pais, escrito por ela em parceria com o psicólogo Renato Gallo. Outros produtos autorais ainda surgiram na sequência, como dados das emoções e a pulseira relax, com o desenho de velinhas, números e flores em alto relevo. O acessório serve para acalmar a criança em um momento de crise. A orientação é contar até dez e respirar lentamente, cheirando a flor (inspiração) e assoprando as velas (expiração).

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Cristiane também importa produtos. Dentre os itens, estão os mordedores (R$ 65), utilizados por muitos autistas que precisam de estimulação sensorial. “A maioria das pessoas nunca ouviu falar de mordedores para adultos. No Brasil, só existem esses feitos para bebês, de borracha e com formas infantis. Se você der isso para uma criança autista vai expô-la ao ridículo, além de ela estragar o objeto porque não é feito para a sua mordida”. O produto oferecido em seu site vem da Escócia, é feito de silicone e pode ser usado como colar. Também há um modelo importado dos Estados Unidos, que se adapta à ponta de canetas e lápis (R$ 30).

Teraplay Revista CHKMais uma vez, a empresária percebeu que sua loja alcançava um mercado muito maior. “Há pessoas que compraram porque roem unhas, mastigam bijuterias ou a gola da roupa. E com os mordedores conseguiram parar”. Isso não significa que vão se tornar dependentes, apenas trocando um hábito pelo outro. O próprio filho de Cristiane, que chegou a quebrar vários apontadores de plástico pelo costume de colocar as coisas na boca, hoje já não utiliza mais os artifícios dos mordedores. E no caso de uma criança que não consegue parar, ela ressalta que é melhor direcionar essa necessidade para algo seguro, que não poderá machucá-la.

Agora, a empresária se prepara para lançar mais duas publicações. “Quase tudo sobre mim” é um livro de atividades de autoconhecimento para as crianças. Já a continuação do primeiro livro, chamada “Quando é bom pedir um tempo”, abordará como identificar situações que geram estresse e, assim, evitar uma crise. Os planos para o futuro incluem quebrar os estereótipos em relação ao autismo, um transtorno que atinge uma em cada 160 pessoas no mundo todo, segundo a Organização Mundial da Saúde. “Autismo não é só a criança que fica balançando para frente e para trás, que tampa o ouvido por causa do barulho, que fica pulando. Quanto mais pessoas falarem sobre o assunto, melhor para podermos quebrar barreiras e até agilizar o diagnóstico.”

Uma de suas outras metas é conseguir baratear o frete de seus produtos para que eles atinjam mais pessoas, em especial, quem não tem possibilidade de conhecer ou buscar esses itens fora do país. Cristiane investiu R$ 30 mil reais na loja virtual, mas ainda não obteve retorno financeiro. No entanto, já colhe os frutos de seu trabalho a partir da confiança, dos elogios e da divulgação por profissionais de saúde e outros pais que apoiam a iniciativa. E tem a certeza de que o negócio leva um carimbo de qualidade confiável: “O olhar supercrítico e de altíssimo nível de exigência do meu filho é um selo de garantia em nossos produtos e tudo o que fazemos”.

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