“Vamos logo que tempo é dinheiro!” Para tentar elucidar essa questão vamos falar do conceito de ativo e passivo sob os olhos das finanças pessoais. Ativo é tudo que nos traz dinheiro, passivo é o que nos leva dinheiro. Todo mundo já ouviu que o tempo é um passivo que todos nós temos? Seu tempo sempre está sendo levado de você, querendo ou não, não podemos deter isso e nunca sabemos quanto tempo temos no total. Em uma brincadeira, podemos falar que é igual a dinheiro: sempre está sendo levado de nós e, em geral, nunca sabemos realmente o quanto temos ou podemos gastar, mas parece nunca ser suficiente.

O mais engraçado dessa história, é que isso não é segredo para ninguém nem tão pouco difícil de entender. Mas então, por que acabamos esbarrando com a questão de não saber lidar com o tempo e nem com o dinheiro? Deixa eu tentar exemplificar: quando precisamos nos especializar em algo em nossa profissão, investimos para tal ou podemos ficar esperando a promoção para depois obter a qualificação necessária? Quando estamos doentes, esperamos ficar melhor ou curados para depois procurar um médico?

A resposta é não, obviamente. O sentido das coisas está errado. Não consigo promoção sem a especialização necessária. Se estou doente preciso de médico e remédio para voltar a minha saúde normal. Então por que cometemos o mesmo erro com nosso tempo e dinheiro?

Se tempo é um passivo, finito e incontrolável, devíamos investir em saber lidar com o que temos, não desperdiçar e saber desfrutar. Certa vez escutei de um colega que não existe a tal coisa chamada gerenciamento do tempo. O que existe na vida são gerenciamento de prioridades. Existe uma questão muito falada de saber viver o presente. Quando não sabemos lidar com isso, acabamos tirando do passado apenas lembranças ou culpa. Do futuro só ansiedade. O presente é que deve ser vivido bem para gerar um futuro melhor e um passado sem remorsos.

E o dinheiro? O quanto você investe em saber lidar com ele? Uma das diferenças é que ele é um ativo. Dinheiro tem que ser trabalhado para gerar dinheiro. Nesse sentido ele será o produto que te proporcionará mais qualidade de vida. Mas não nos damos conta disso, achamos em geral que ele se iguala ao tempo, não consigo reter e fazer ele render mais! O quanto custa uma decisão financeira mal tomada? Numa vida inteira, quanto vai te custar ficar sem investir em educação financeira? Em recente visita ao país, o ganhador do prêmio Nobel de Economia, Daniel Kahneman, menciona como as pessoas precisam de mais proteção do que pensam ao lidar com dinheiro.

 

Acho que a melhor colocação para o ditado popular seria “Dinheiro é tempo!”, porque não saber o tamanho da importância do tempo na sua tomada de decisão e no rendimento do seu dinheiro é letal. “Vou esperar acertar as contas e aí sim vou cuidar melhor do dinheiro”, está no sentido errado. Não saber fazer o dinheiro ter o papel de apenas coadjuvante e vetor para seu plano de vida é desperdiçar seu precioso tempo. Aí passa a vida e continuamos sempre com o mesmo discurso, as mesmas crenças e os mesmos resultados.

 

Eduardo Lima

Eduardo Lima

Graduado em Administração, Pós-Graduado em Gerenciamento de Projetos, Certificações internacionais em Projetos e Riscos, Planejador Financeiro e de Vida.
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