Vamos com calma! Gatos não voam, isso todo mundo sabe… Mas principalmente para você, que reside em apartamentos e possui, ou pretende adquirir, um gatinho de estimação ou mesmo um cão, é fundamental saber o significado dessa síndrome para poder se prevenir, pois as consequências podem ser trágicas e muito tristes.

A síndrome do gato voador (High Rise sindrome) é um termo criado pelos veterinários do “The Animal Medical Center”, de Nova Iorque, para classificar uma série de lesões e traumas comumente observada naquele hospital, decorrente das frequentes quedas de felinos domésticos de edifícios/arranha-céus.

Por todo o mistério característico que envolve os felinos, várias teorias e mitos já foram criadas a respeito das causas das quedas, muitas vezes relacionadas à crença que poderiam ter relação com espíritos, visões, alucinações, ou até mesmo suicídio dos animaizinhos. Mas a verdade é que são várias as situações que podem levar a esse tipo de acidente. Geralmente ocorre quando os animais estão descansando próximos a beirais de janelas, ou sacadas, e acabam se assustando com o barulho repentino de um aspirador de pó, batidas de portas, liquidificador, ou também perdem o equilíbrio ao saltar para os vãos das janelas, ou tentando caçar insetos voadores, ou pássaros, próximos da área externa do apartamento. Embora possa ocorrer em qualquer idade, é mais frequente em gatos jovens devido ao fato de serem mais ativos, e distraírem-se mais facilmente, além de possuírem menos experiência nessas situações de perigo, de forma similar aos riscos maiores desse tipo de acidente em crianças na espécie humana.

Se você vive num apartamento localizado entre o segundo e sétimo andares, o risco de lesões graves e fatais é maior, aumentando proporcionalmente com a altura da queda. Curiosamente se você vive em andares acima do sétimo andar, o risco de lesões graves diminui e a chance do seu animal sobreviver aumenta! Existem muitos relatos de gatos que caíram de mais de 100 andares de altura sem lesões muito graves. Mas isso não tem nada a ver com as sete vidas dele…. E nem significa que você deve ficar despreocupado por morar no vigésimo quinto andar e deixar a janela aberta.

A possível explicação para o fenômeno seria a seguinte: em alturas menores, a queda livre ocorre em aceleração constante devido à velocidade da gravidade, e essa aceleração faz com que o corpo, os músculos do animal fiquem rígidos durante a queda, e ao entrar em contato com o solo o trauma é mais intenso e mais localizado, com graves consequências. A partir de uma altura determinada (em média acima do sétimo andar) a aceleração da queda cessa antes do impacto com o solo, e a velocidade então passa a ser constante, quando nesse momento de uma forma reflexa, o corpo do gato sofre um relaxamento, abrindo as quatro patas num efeito semelhante ao de um “paraquedas”, o que acaba diminuindo um pouco a velocidade da descida, e distribuindo o impacto pelo corpo todo, com menores riscos de lesões. Obviamente vários outros fatores podem influenciar, como o local da queda, estado geral do gatinho, peso, e sempre o risco de morte vai existir.

Vale a pena assistir a um vídeo bem curto da National Geographic que explica um pouco sobre essa síndrome:

Incrivelmente muitos desses gatos sobrevivem, com alguns estudos estatísticos mostrando uma taxa de sobrevivência próximo de 90% dos gatos. Diferentemente dos felinos, no caso dos cães a chance de óbito é de praticamente 100% em quedas de alturas extremas. Porém, independentemente da taxa de sobrevivência, o tratamento das lesões decorrentes desse quadro, em geral, é muito demorado e dispendioso, muitas vezes sendo necessária a internação por muitos dias e oxigenioterapia.

A prevenção é o mais importante para evitar que isso aconteça e em geral, bem simples:

– Instalar grades ou telas de proteção em todas as janelas e aberturas, sem dúvida, é a melhor forma de prevenção;

– Feche todas as janelas ao sair, ou quando for ligar algum aparelho sonoro, como o aspirador de pó;

– Mantenha os animais sob supervisão constante quando estiverem na sacada ou áreas com risco de queda;

– Afaste os móveis/mobílias de janelas para dificultar que os animais permaneçam próximos dos locais de risco;

– No caso dos cães, evitar brincadeira de bolinha com a janela aberta;

As consequências desse tipo de acidente, além das possíveis fraturas de membros ou ossos da face, são as lesões internas, principalmente lesões no tórax e pulmão, que são as alterações mais graves e frequentemente observadas nesse tipo de trauma, além de rupturas de órgãos internos e lesão cerebral. Caso se depare a uma situação dessas, o mais recomendado é manipular o mínimo possível o animalzinho, procurar colocá-lo em algum meio de transporte, como uma caixa, ou um cobertor, e procurar assistência veterinária o mais rápido possível, mesmo que o animal possa aparentar estar bem depois da queda, pois os felinos muitas vezes não demonstram num primeiro momento a gravidade do quadro. Nessas situações o tempo de atendimento é essencial para o sucesso do tratamento e sobrevivência do animal.

 

Rodrigo Diaz

Rodrigo Diaz

Médico Veterinário / Clínica / Cirurgia Geral de pequenos animais

Formado pela Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo
Residência em Cirurgia de pequenos animais pela USP
Pós graduação em administração de empresas FGV
Médico Veterinário e Diretor do Centro Veterinário Jardim da Saúde

Atua há 17 anos como médico veterinário no Centro Veterinário Jardim da Saúde, realizando cirurgias, anestesias, procedimentos odontológicos, imunizações e atendimento clínico em geral, já tendo realizado traduções de diversos livros técnicos em veterinária.

Contato: 5058-7022 / 5073-5115 / 99455-8094
www.vetsaude.com.br
[email protected]
facebook.com/centrovetsaude
Rodrigo Diaz

Últimos posts por Rodrigo Diaz (exibir todos)