Vou usar a frase “a única certeza da vida é a mudança” como tema para o conceito de risco aplicado à vida e finanças. Toda mudança traz consigo riscos: pode ser para melhor, pior ou inerte (será que essa existe?). Uma definição clássica para o risco, é que ele é uma incerteza, algo que ainda não aconteceu e você não sabe ao certo qual será o resultado. Podemos chamar isso de futuro? Ou de ganhos futuros?

Na cola desse conceito já trago outro: tolerância à riscos. Todos nós corremos riscos na vida em todas as situações. Portanto, tolerância é a medida que cada um tem para se avaliar, uns lidam melhor ao correr mais riscos que outros. Daí surgem os famosos jargões arrojado, moderado ou conservador. Sem julgamentos, apesar de sua superficialidade e de qual é melhor, somos seres circunstanciais, o que quer dizer que a circunstância é uma variável que tem grande influência nas nossas tomadas de decisão e no risco que as envolve.

Pelo menos deveria ser assim. Em geral gostamos das polarizações, sempre ser arrojado ou sempre ser conservador. Rótulos que trazemos como paradigmas de nossa criação. Você nunca ouviu aquele papo de família falando que aquele tal primo “está muito bem, sempre foi arrojado”. Ou o contrário “o Almeidinha é que tá certo, tem o que tem porque foi conservador, não ficou se arriscando”. O fato é que não devemos nos rotular a responder à circunstâncias da vida sempre no mesmo estilo. Tem ocasiões que podemos nos arriscar mais e outras sermos conservadores. Para certos objetivos é mais recomendável ter uma aproximação mais conservadora: aposentadoria, escola dos filhos, reserva de emergência. Já para outros podemos correr mais riscos que não afetem o bem-estar da sua vida mas que podem valer a incerteza de ganhar mais. Isso se chama balanceamento. Confundir essas aproximações é que pode dar graves problemas.

Para ajudar nesse equilíbrio, podemos medir riscos sob 3 aspectos:

  • Probabilidade: Avalia qual a chance do risco acontecer. Busque informações, abra os olhos e ouvidos, fique atento ao que aprendeu, mas escute coisas novas e valide, nada de achismos ou “informação de café” (aquela que você pesca no café e sai assumindo que é verdade). Na vida por exemplo, qual a probabilidade de perder o emprego? Será que é tão imprevisível assim? Exercite o que foi mencionado antes: qual a situação da sua empresa no mercado? Qual suas últimas avaliações pessoais? O que você faz poderia ser substituído facilmente? O ponto aqui é ter noção da situação, certas coisas têm probabilidade tão alta que merecem plano de ação e outras tão pequenas ou fora do seu range financeiro, que devem ser ignoradas (risco de um meteoro destruir a empresa).
  • Proximidade: Mas quão próximo está de acontecer? Ainda no exemplo: estar dentro de um projeto muito importante que vai até o fim do ano, pode indicar que o risco está mais longe que durante o projeto. Tenho contrato assinado por 2 anos, etc.
  • Impacto: Qual será o tamanho das consequências se esse risco acontecer? Minhas reservas financeiras são suficientes para me manter até arrumar outro? Elas têm a liquidez que preciso? Ou foram usadas para completar a compra da casa? Precisarei investir em me reciclar para ter mais chances?

O que se faz em um planejamento financeiro é avaliar estas variáveis de acordo com a sua vida. Por exemplo, na faixa etária jovem você pode aceitar mais riscos, mas com o tempo vai adequando para refletir melhor suas necessidades. Se a proximidade é iminente, tem que se preparar para o impacto e assim por diante.

O mais relevante desses conceitos é saber usá-los na dose certa para não virar veneno. Quando se foca em investimentos, todo mundo concorda que quanto mais render melhor. Mas a que preço? Se o preço for perder tranquilidade e desviar da sua vida, vira ganância e há uma inversão: você não ganha para viver, vive para ganhar cada vez mais, assim perdendo a noção de riscos. Em uma matéria da revista Forbes (Take more risk in life and less in investing), indicada por Thiago Sampaio (colega planejador), fala-se de mais alguns indicadores de finanças comportamentais que ressaltam o cuidado necessário na avaliação de riscos em investimentos, como por exemplo, que a dor da perda é duas vezes maior que a alegria do ganho.

Se a única certeza é a mudança e ela traz riscos, o melhor investimento é começar a saber trabalhar com isso. E o maior risco é não saber planejar. Na minha opinião, não existe resultado de mudança ou risco que seja inerte, você sempre tem algo a aprender. A função de um planejador financeiro é estar do seu lado nessas questões.

Eduardo Lima

Eduardo Lima

Graduado em Administração, Pós-Graduado em Gerenciamento de Projetos, Certificações internacionais em Projetos e Riscos, Planejador Financeiro e de Vida.
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Eduardo Lima