O fim do mês de junho traz a nova programação de exposições do Museu da Casa Brasileira, que permanecerão em cartaz até agosto. O público poderá conferir conteúdos desde a literatura e história brasileira até o design de interiores e aviões.

Confira abaixo:

Primeiras Impressões – O nascimento da cultura impressa e sua influência na criação da imagem do Brasil

Na abertura de um folheto de 1505 reproduzindo Mundus novus, carta que acreditava-se ter sido escrita pelo navegador florentino Américo Vespúcio, está impressa a primeira representação visual conhecida do Brasil. Na imagem em xilogravura, com exceção dos bebês de colo, todos os outros vestem uma saia de penas, indumentária inexistente em qualquer descrição dos habitantes originais da costa brasileira, mas que, curiosamente, fixou-se na iconografia do nativo. Era apenas o começo de uma longa série de distorções que terminaram por criar a imagem do Brasil em seus primeiros séculos. É sobre esse aspecto que se debruça a exposição Primeiras Impressões – O nascimento da cultura impressa e sua influência na criação da imagem do Brasil. A exposição, que introduz o tema da questão da criação da imagem do Brasil por meio de reproduções de gravuras históricas e ampliações em grande formato, é realizada pelo Museu da Casa Brasileira, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, em parceria com Gustavo Piqueira. Baseada no livro do designer, Oito Viagens ao Brasil, a mostra tem abertura gratuita no dia 24 de junho, às 14h. Na ocasião, também será realizado o lançamento do livro.

O conteúdo da exposição e do livro apresenta e discute o complexo amálgama de indústria, arte e códigos culturais vigentes que deu origem à criação da imagem do Brasil. Uma mescla de romances de cavalaria, bestiários medievais, tensões religiosas, interesses econômicos e, principalmente, parâmetros produtivos da então incipiente indústria do livro, cuja consolidação se deu quase simultaneamente à chegada dos europeus à América e recheava sua prática editorial com atitudes hoje impensáveis — como rearranjar pessoas numa ilustração ou repetir a mesma imagem em textos completamente diferentes. Conhecido por produzir livros de difícil classificação, nos quais mistura livremente texto, imagem e design, o designer criou a caixa Oito viagens ao Brasil, com oito livros, cada um trazendo sua própria combinação entre antigo e contemporâneo, ficção e história, linguagem visual e escrita. Trata-se de uma verdadeira demonstração prática das possibilidades de ocupação do suporte impresso: dentro da caixa encontramos um livro-objeto completamente rasgado; um volume trazendo uma narrativa visual com colagens sobre fotografias oficiais de presidentes e imperadores do Brasil; personagens fictícios que discutem entre si através dos diversos volumes; textos originais de Hans Staden ilustrados por fotografias contemporâneas (e nada charmosas) de Ubatuba; xilogravuras da primeira edição de Staden emoldurando um texto ficcional contemporâneo; uma história em quadrinhos pra lá de amadora, entre outras coisas.

Abertura: 24 de junho, sábado às 14h – entrada gratuita
Visitação: até 6 de agosto

 

O Design na Aviação Brasileira

O Museu da Casa Brasileira, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, apresenta, em parceria com o Instituto Embraer, o universo de criação do design nacional para artefatos concebidos para voar. Como instituição dedicada às questões do design – com o qual busca contribuir anualmente por meio da realização do Prêmio Design MCB – traz, por meio da mostra Design na Aviação Brasileira, o caso de sucesso da Embraer S.A., que apostou, desde sua fundação em 1969, no potencial inovador da engenharia e da criatividade nacional. A exposição teve início no dia 1º de junho e permanecerá em cartaz até 20 de agosto. “Como único museu no Brasil dedicado às questões do design, a oportunidade de mostrar esta tradição brasileira e trazer a trajetória de sucesso da Embraer ao grande público é um importante momento de reforço da missão da instituição”, comenta a diretora geral do MCB, Miriam Lerner.

O criador da exposição, arquiteto e artista Guto Lacaz, já concebeu para o MCB a mostra “Santos=Dumont designer” (apresentada em duas edições, 2006 e 2009). Ele é estudioso do pioneirismo de Santos Dumont e entusiasta da história da aviação e do sonho do homem em voar. “Buscamos reforçar a tradição aeronáutica do Brasil”, diz Guto Lacaz, “desde o ‘Padre Voador’ Bartolomeu Gusmão, inventor brasileiro do balão de ar quente em 1709, passando por Santos Dumont e os experimentos que antecederam a Embraer. Trata-se de uma exposição de alto valor estético e tecnológico”.

 Abertura: 1 de junho, às 19h30 – entrada gratuita
Visitação: até 20 de agosto

Durante o período da exposição design na aviação brasileira, o Museu da Casa Brasileira, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, vai fomentar o aprendizado sobre as questões de design que envolvem a engenharia e a criatividade no setor de aviação. Com inscrições gratuitas, as oficinas convidam crianças, pais e professores a inventar, refletir e experimentar soluções tecnológicas para o futuro.

As oficinas “Experimentando Design” são uma realização do Educativo MCB em parceria com a Boeing, uma das apoiadoras da exposição, e ocorrerão dentro do Museu. Baseadas na metodologia multidisciplinar STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics, em inglês), as crianças aprenderão a criar brinquedos que divertem e ensinam, como modelos de aviões de papel que possam voar por vários metros, um helicóptero que possa voar transportando um poema e um foguete para realizar testes de lançamento. “A ideia das oficinas é, através da experimentação, promover a compreensão dos processos envolvidos nas possibilidades de soluções para as questões da aviação trazidas pelo design”, explica Miriam Lerner, diretora geral do MCB.

Indicação etária: a partir de 6 anos. Obrigatória presença dos pais ou responsáveis.

sábados às 14h30
3, 10, 17 e 24 de junho;
1, 8, 15, 22 e 29 de julho;
5, 12, 19 e 26 de agosto

inscrições gratuitas pelo e-mail [email protected] ou telefone 11 3026-3913

 

Coleção MCB – Novas Doações

Por séculos as peças da esfera doméstica têm sido responsáveis por materializar com clareza o estilo, as correntes artísticas, a história e o contexto socioeconômico das nações. Em um país forjado num caldeirão de culturas como o Brasil, torna-se mais que relevante observar a evolução de seu mobiliário para entender e preservar sua história. Esta é a vocação do Museu da Casa Brasileira, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, que celebra mais de quatro décadas de pioneirismo na valorização do design nacional com mostra inédita de seu acervo e cerimônia do 30º Prêmio Design MCB, mais prestigiada premiação do setor. Desde 2008, a gestão do MCB é realizada pela Organização Social A Casa Museu de Artes e Artefatos Brasileiros. Neste mês, a gestão celebra um período de atividades férteis, com notáveis impactos no cenário do design nacional e em confluência com tendências vividas por grandes metrópoles mundiais, como Londres, Barcelona, Berlim e Lisboa, que também dedicam museus e centros culturais robustos à história de seu design. A mostra Coleção MCB – Novas Doações apresenta a remodelação do acervo do museu, composto por móveis e objetos representativos da casa brasileira desde o século XVII até os dias de hoje, e exibe ainda 87 peças inéditas recém-incorporadas ao acervo, notadamente do período moderno brasileiro.

Entre elas estão objetos de destaque no design brasileiro, como a Poltrona Jangada de Jean Gillon, a Luminária Concha de Fábio Alvim, a cadeira Oswaldo Bratke, e também projetos vencedores importantes na história do Prêmio Design MCB, como a poltrona Mandacaru, de Baba Vacaro, e a poltrona Cadê da Ovo Design. Integra ainda a exposição uma seção de imagens constituída a partir do projeto Casas do Brasil, iniciativa do MCB criada há dez anos e que resgata a memória sobre a diversidade do morar brasileiro. Desde o início do projeto, em 2006, foram registrados tipos diversos de moradias brasileiras, como casas populares de diferentes estados brasileiros, as barracas ciganas, a tipologia da oca Xinguana, as habitações ribeirinhas da Amazônia e as soluções feitas pelos detentos do Carandiru para facilitar a vida no cárcere.

Após recomposição das peças, a Coleção MCB – novas doações foi reaberta ao público no dia 9 de maio.

 

A Casa e a Cidade – Coleção Crespi – Prado

A exposição “A Casa e a Cidade – Coleção Crespi-Prado” mostra o uso residencial do imóvel que hoje abriga o museu, construído entre 1942 e 1945, e sua inserção em um território da cidade que testemunhou grandes transformações urbanas na primeira metade do século 20. Os moradores originais da casa, o casal Renata Crespi e Fábio Prado, foram protagonistas nas transformações históricas, culturais e urbanísticas na cidade de São Paulo. Ex-prefeito de São Paulo (1934-1938), Fábio Prado permitiu a expansão da malha urbana rumo ao rio Pinheiros, atraindo a elite que começava a deixar o centro da cidade.

Os textos do ambientalista Ricardo Cardim e a pesquisa iconográfica em diferentes acervos, como da Fundação Energia e Saneamento, do Esporte Clube Pinheiros e da Casa da Imagem de São Paulo, permitem identificar as transformações ocorridas neste território de inserção do Solar, desde as primeiras ocupações à canalização do rio Pinheiros. Já as ações urbanísticas e culturais do prefeito, sua vida pública e a cidade do período são detalhadas em textos produzidos pelos arquitetos e urbanistas Carlos Lemos e Maria Ruth Amaral.  As origens e o cotidiano do casal mostram sua atuação expressiva na história da cidade. O Solar foi desde o início caracterizado como um local de encontros, reuniões e eventos de caráter político e cultural. A ocupação do interior é retratada por fotografias, móveis e objetos que revelam hábitos do casal, como o de oferecer célebres jantares e colecionar objetos de arte como porcelanas e pratarias de diferentes regiões do mundo, ao lado de obras de Di Cavalcanti, Portinari e Brecheret.

“A coleção da família dos moradores originais do imóvel que abriga o Museu da Casa Brasileira tem sido preservada pela Fundação Crespi-Prado, criada por Renata Crespi em 1975. Em 1996 houve a primeira apresentação de parte desses objetos no MCB. A nova exposição, inaugurada em 2012, contextualiza a coleção com uma curadoria que tem o viés das abordagens características das áreas de vocação do Museu”, afirma Miriam Lerner, diretora geral do MCB. As transformações sociais, que se revelam nas transformações de hábitos, são exploradas na exposição das peças do acervo da Fundação Crespi-Prado (em comodato no MCB). Os artistas modernistas colecionados pelo casal e a apresentação dessas obras de arte em ambientes distintos da residência mostram a atitude vanguardista de Renata Crespi e Fábio Prado.

“Esta mostra visa contribuir para o conhecimento de uma face importante da história de São Paulo, e facilitar a compreensão das relações entre o imóvel, seu uso, os hábitos de seus moradores e a paisagem, revistas a partir da casa e do período de sua vida como tal, a casa do MCB”, conclui Giancarlo Latorraca, diretor técnico do Museu.

 

Museu da Casa Brasileira 

Av. Brg. Faria Lima, 2705 – Jardim Paulistano, São Paulo – SP, 01451-000

(11) 3032-3727

www.mcb.org.br

 

 

Redação CHK

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Somos apaixonados por comunicação e pela Chácara Klabin. Acreditamos que moradores unidos têm o poder de transformar o bairro e a cidade onde vivem.
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