A crescente incidência de obesidade e de doenças crônicas aliada ao alcance do atual padrão estético levou a um grande interesse sobre assuntos de nutrição e saúde. Sem dúvida, uma atitude positiva não fosse ela acompanhada pelo que se convencionou chamar “modismos alimentares”. Esses modismos podem ser conceituados como padrões não usuais de comportamento alimentar entusiasticamente adotado por seus adeptos, em determinada época e se expressam pela aceitação de virtudes especiais de determinados alimentos, no sentido que possam evitar/curar doenças e pela eliminação de certos alimentos pela crença de que contenham elementos nocivos à saúde. Sem contar com as dietas da moda baseadas em restrição de nutrientes que a médio e longo prazos colocam em risco a saúde de seus seguidores; fundamentadas em observações empíricas ou estudos inconclusivos ou ainda em depoimento pessoal, geralmente de alguém famoso, levando as pessoas a desacreditarem de estudos científicos e adotarem evidência testemunhada. Todo esse cenário pode ser a causa de pessoas não especializadas emitirem opiniões sobre saúde e estética como se especialistas fossem.

Não há evidência científica suficiente para que indivíduos saudáveis retirem a lactose da dieta.

leite

O leite de vaca possui 87% de água, de 4% a 5% de carboidratos, 3% de proteínas, de 3% a 4% de lipídios. Duzentos mL de leite (um copo) fornecem 122kcal e 7,2g de proteínas.  Do processo de digestão dessas proteínas resulta peptídeos bioativos, com potenciais benefícios adicionais à saúde, como atividades antiviral, antibacteriana e possivelmente anti-hipertensiva. Em um copo de leite (200mL) há de 8 a 10g de carboidrato, sendo o principal, a lactose que atua aumentando a absorção intestinal de cálcio, magnésio e fósforo presentes no leite e a utilização de vitamina D pelo organismo. O leite e o suco de laranja são dois dos alimentos com maior densidade de nutrientes, isto é, contem relativamente mais nutrientes em relação ao valor calórico.

Nos últimos anos a importância da ingestão de cálcio na aquisição e manutenção da massa óssea tem mostrado positiva para a redução do risco e tratamento da osteoporose. O cálcio representa o principal nutriente envolvido na etiologia dessa doença, uma vez que a sua deficiência leva à diminuição da massa óssea e maior susceptibilidade à fratura por fragilidade óssea. Atualmente, a osteoporose é considerada um problema de saúde pública mundial. Ainda que a osteoporose não possa ser associada apenas à deficiência de cálcio, qualquer forma dessa doença pode ser agravada pelo balanço negativo desse mineral. O leite é o alimento-fonte de cálcio que apresenta a melhor biodisponibilidade, sendo que aproximadamente 70% do cálcio dietético provêm do leite e produtos lácteos. É possível obter fontes de cálcio na dieta sem o consumo de leite, mas a recomendação de ingestão diária deste mineral é elevada e difícil de ser alcançada sem o consumo de lácteos.

Para se ter uma ideia é preciso ingerir uma porção de 350 gramas de couve ou espinafre pata atingir a quantidade de cálcio de um copo de leite, sendo que 350 gramas desses vegetais são equivalentes a 2 xícaras de chá cheias do vegetal já cozido, com uma absorção intestinal menor do que a do leite. A recomendação média de cálcio para um adulto de 19 a 50 anos é de 1000 mg ao dia. Um copo de leite ou iogurte possui 244 mg de cálcio, é portanto necessário 4 porções de lácteos ao dia para atingir a recomendação diária deste mineral. Ou então o consumo de 3 alimentos lácteos mais uma porção de vegetal verde escuro como brócolis, couve ou espinafre.

As recomendações de cálcio variam de acordo com a idade, sexo e estado nutricional. Consulte sempre um especialista para verificar qual é a sua recomendação específica.

Fonte: Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN)

Ana Maria Rossetti

Ana Maria Rossetti

Ana Maria Rossetti é nutricionista especialista em Fisiologia do Exercício pela UNIFESP e moradora da Chácara Klabin.
Ana Maria Rossetti