Nesta coluna vamos falar de planejamento de vida através de planejamento financeiro. Como assim, não vai ter dicas de investimento? Acredito que sem planejar a sua vida não adianta sair atrás de “dicas”, seja de quem for, porque não vai estar realmente alinhado a sua necessidade e aos seus sonhos. E quem melhor para conhecer estes pontos senão nós mesmos. E como seres únicos não dá para acreditar que algum sábio vá falar uma verdade única que irá beneficiar a todos igualmente.

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Acredito que temos muito a melhorar em nossa educação. Temas como educação financeira, consciência sobre saúde e tantos outros são apenas pincelados quando estamos na escola. Não aprendemos a planejar, e mais pontualmente falando, não aprendemos a lidar com dinheiro. Somos focados em sobreviver e não em aprender a viver. O preço que pagamos por isso é a dificuldade que temos em nos conhecer e por consequência de planejarmos nossa vida de forma sincera, independente de tendências e influências de massa. Para ter consciência de planejamento temos que assumir as rédeas de nossa vida, viver de forma intencional e não acreditar em gurus, palpites, dicas no cafezinho, “meu cunhado está se dando bem, vou na dele”.

Mas admito que não é fácil. Apesar de já trabalhar com planejamento notei que em casa era mais difícil. Eu sei que muitas vezes o dia-a-dia é tão intenso que não há tempo, disposição e energia para olhar para a vida de maneira mais intencional…vamos vivendo para ver onde é que a vida vai nos levar. Quem de nós não passou por “DR’s” com marido/esposa por discordância de planos? Sentiu que está bem, mas não sai do comum? O quanto melhor poderia estar? O gerente do banco conhece seu perfil além de avançado ou conservador? Ele está interessado em você ou na meta dele? Comprou algo ou lhe foi vendido? Alugar ou comprar? Aposentadoria, já pensou como vai ser? Plano para criação dos filhos, tem ou vai no que der? Todos nós, em um momento ou outro, já pensamos ou passamos por pelo menos algumas dessas situações. Mas porque deixamos tudo isso de lado? Porque não vamos atrás de ajuda?

Reflitam sobre a conclusão de uma pesquisa feita pelo psicólogo norte americano Hal Hershfield: “Pensar em si próprio no futuro evoca a ativação de padrões neurais semelhantes aos DAQUELES QUE PENSAM NUM ESTRANHO. Para pessoas distantes de seu futuro ser, economizar é algo como uma escolha entre gastar dinheiro hoje e dar a um estranho, em alguns anos.” Esse é um ponto que ajuda a entender como funciona nosso condicionado cérebro. Se não quebrarmos esse paradigma, vamos ver que precisávamos ter feito algo tarde demais!

Nos EUA, planejamento financeiro pessoal já é um conceito muito mais difundido. Investir no seu autoconhecimento, em tempo para planejar ao invés de só reagir às circunstâncias, em buscar ajuda, são atitudes que formam a consciência de planejamento e vão salvar famílias! “Nossa mas é caro buscar ajuda profissional, pego esse dinheiro e faço eu mesmo!”. Eu me arrisco a dizer que sai mais barato ter um planejamento do que não ter, ou seja, quanto você está deixando de ganhar por não planejar, quanto te custa não agir intencionalmente? Aqui no Brasil já trabalhamos muito bem esse tema. E é isso que pretendo passar a vocês nessa coluna, desmistificar conceitos e motivar todos a agirem, sem conformismo, informações duvidosas e promessas que muitas vezes fazemos e só servem de autoengano.

 

 

Eduardo Lima

Eduardo Lima

Graduado em Administração, Pós-Graduado em Gerenciamento de Projetos, Certificações internacionais em Projetos e Riscos, Planejador Financeiro e de Vida.
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Eduardo Lima