Hoje é dia de ir no parque! Seu pet já está preparado para frequentar esse tipo de lugar? O ParCão da Chácara Klabin, assim como tantos outros parques espalhados por nossa cidade nos quais os cães podem ser deixados livres, ganham cada vez mais adeptos e fazem bastante sucesso entre os tutores de cães. Para que essa experiência seja agradável e saudável para todos, há alguns cuidados e adaptações imprescindíveis para que seu pet possa ter início a essa experiência agradável e muito benéfica para ele.

Os parques promovem uma excelente forma de interação, socialização e diversão entre os cães, e também entre seus tutores. Porém essa experiência pode variar muito entre os animais, e entre as pessoas, podendo proporcionar alguns riscos caso algumas prevenções não sejam realizadas. Cada pet leva um tempo diferente para se adaptar a esse ambiente e, infelizmente, nem todos os animais conseguem a adaptação, existindo outras alternativas para também se exercitarem e se socializarem. Nesta coluna você vai encontrar algumas respostas para questões comuns relacionadas aos parques de cães, e como adaptar seu pet para ele.

Com qual idade posso levar meu pet ao parque?

Em decorrência da proteção imunitária proporcionada pelas vacinas, seu pet não deve frequentar o parque para cães antes dos 4 meses de idade!

A imunidade do animal pode variar muito de animal para animal em decorrência da raça, proteção imunitária gerada através do leite materno, e resposta individual para cada vacina. As vacinas principais recomendadas são a antirrábica, a chamada VH-8 ou VH-10 (que inclui doenças como cinomose, parvovirose, leptospirose, etc.) e a bordetella (“tosse dos canis” ou “gripe”). O plano de vacinas pode variar um pouco de acordo com cada animal e isso pode ser discutido e orientado por seu médico veterinário. Após a realização da última vacina é recomendado um intervalo de no mínimo uma semana para que o pet produza anticorpos e fique de fato imunizado contra as doenças.

Como preparar o animal para este ambiente?

1 – Estabeleça o treinamento e comandos básicos. Algum condicionamento comportamental já deve ser realizado previamente para que o animal atenda alguns comandos simples, mesmo quando esteja distante ou até um pouco distraído, como por exemplo, os famosos “senta”, “junto”, “fica”, “não pode”, e também responda prontamente quando chamado pelo seu nome;

2 – Certifique-se que seu animal esteja bem socializado. Embora o período essencial para socialização do pet seja até 12 / 13 semanas de vida, esse processo deve ser contínuo após esse período, e por toda a vida do animal. A socialização não se restringe a outros cães, mas ele também deve se acostumar com pessoas diferentes, outras espécies de animais, sons de carros, bicicletas, skates, e tudo o que envolve o ambiente relacionado ao parque e ao caminho até chegar nele;

3 – Inspecione o parque antes. Procure antes de levar o animal, fazer uma inspeção e conhecer o local sem o animal. Perceba como os animais e as pessoas interagem, descartem possíveis riscos potenciais que poderiam existir. Em seguida passeie com seu pet pelo local por alguns dias, deixe ele ver o que ocorre dentro da área determinada para os cães algumas vezes, e perceba a reação dele, até que ele se acostume com o lugar;

4 – Introduza inicialmente o seu pet para poucos cães. O ideal é inicialmente apresentar o animal primeiro para um, ou dois animais no máximo. Uma forma interessante é esperar um momento em que haja somente um ou dois cães no parque, e conversar com seus tutores, explicar que é uma experiência nova de adaptação para seu pet, de forma que eles autorizem que seu pet fique junto deles, sendo um aprendizado inicial para ele. Interagindo com um ou dois cães, depois ficará mais fácil ele aceitar a presença de vários animais no mesmo ambiente.

 

Quais doenças que seu animal pode adquirir no parque?

As doenças mais graves que seu animal pode adquirir são as viroses, que em geral podem ser prevenidas com as vacinações. Porém outras doenças como “tosse dos canis”, endoparasitoses (verminoses), ectoparasitoses (pulgas e carrapatos) e algumas doenças de pele devem ser prevenidas também.

* Viroses (Cinomose, parvovirose, raiva, etc) – são doenças em geral graves e muitas vezes fatais, e que são prevenidas principalmente pela vacinação. Faça as vacinações corretamente com seu veterinário e fique tranquilo.

* Leptospirose – bactéria transmitida através do contato com água contaminada com urina de ratos. A vacinação é bastante efetiva para a proteção contra essa doença.

* Tosse dos canis (Bordetella) – bactéria de fácil transmissão por via aérea entre os animais. Também a prevenção é feita pela vacinação correta.

* Giardíase – protozoário que causa em geral diarréias, e é adquirido principalmente quando o animal ingere água contaminada como poças, ou potes de água compartilhados, etc. Existe uma vacina no mercado, porém a eficácia é discutida.

* Verminoses – são parasitas intestinais que podem ser adquiridos através da ingestão de alimentos ou plantas contaminadas, em geral transmitido pelas fezes de outros cães. Um plano de vermifugação efetivo e treinar seu animal para que não fique ingerindo coisas indevidas é a melhor forma de prevenção.

* Pulgas e carrapatos – São mais frequentes no verão, mas o risco existe o ano todo. Hoje em dia existem no mercado diversos produtos para combater e prevenir a infestação por esses agentes. Atualmente costumo recomendar os preventivos utilizados por via oral, que são altamente eficazes e palatáveis. Porém existem algumas coleiras e produtos de uso tópico com alta eficácia que podem ser utilizados com segurança.

* Doenças de pele (sarna, micoses) – em geral são doenças que não são graves. Os mesmos preventivos para pulgas/ carrapatos podem prevenir a sarna. Micoses não são tão facilmente transmitidas, o que em geral ocorre por contato. O recomendado é que no caso de qualquer lesão de pele, você consulte o veterinário.

Como prevenir seu cão de se machucar?

– Supervisão e atenção. Por mais que seu animal já esteja acostumado e socializado com outros cães, você nunca saberá a reação dele em algumas situações e também não conhece o comportamento dos outros animais soltos no mesmo ambiente que ele. Por isso esteja sempre atento e supervisionando para que possa intervir rápido e evitar que o pior aconteça em casos de brigas.

– Fazer a leitura corporal. Embora propriamente não tenham uma linguagem própria, os cães são altamente comunicativos, e seu comportamento e atitude corporal demonstram muitos sinais que podem ser percebidos por nós. Perceba esses sinais para poder antecipar situações desagradáveis.

– Padrão de tamanho do animal. O ideal é evitar que cães de raças pequenas frequentem o mesmo parque frequentado por animais de grande porte. É muito comum que nesses casos, uma briga acabe causando lesões fatais no animal de menor porte. O ideal seria separar duas áreas, para cães grandes e pequenos, ou horários diferentes conforme o tamanho do animal. Caso não seja possível, seria melhor conversar antes com os tutores dos cães maiores para se certificar dos riscos.

– Evite levar brinquedos. Mesmo que seu animal não seja possessivo em relação aos brinquedos, outros animais podem ser. Portanto para evitar brigas, deixe os brinquedos em casa.

– Separar brigas. Procure se informar sobre as maneiras mais seguras de separar uma briga caso isso aconteça.

– Deixe o parque se necessário. Caso você perceba algum problema entre seu animal e outro cão, e o tutor desse outro animal se recuse a deixar o local, melhor evitar confusões e procurar outro local para passear e se divertir com seu animal. Não vale a pena correr o risco e nem estragar o passeio.

O mais importante de tudo é ter responsabilidade. Caso seu animal não seja socializado o suficiente, e principalmente sendo de grande porte, não frequente esses locais para evitar acidentes. Existem muitas alternativas hoje em dia para distração do seu animal, como contratar um dogwalker treinado, utilizar um daycare supervisionado, praticar agility, fazer longos passeios pela cidade, trilhas, e assim por diante.

 

Rodrigo Diaz

Rodrigo Diaz

Médico Veterinário / Clínica / Cirurgia Geral de pequenos animais

Formado pela Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo
Residência em Cirurgia de pequenos animais pela USP
Pós graduação em administração de empresas FGV
Médico Veterinário e Diretor do Centro Veterinário Jardim da Saúde

Atua há 17 anos como médico veterinário no Centro Veterinário Jardim da Saúde, realizando cirurgias, anestesias, procedimentos odontológicos, imunizações e atendimento clínico em geral, já tendo realizado traduções de diversos livros técnicos em veterinária.

Contato: 5058-7022 / 5073-5115 / 99455-8094
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Rodrigo Diaz