A Varicela, também conhecida como catapora, é uma doença infecciosa aguda, altamente transmissível, causada pelo vírus varicela-zoster. Era uma das enfermidades mais comuns da infância antes do advento da vacina.

A doença é mais comum em crianças entre 1 e 10 anos, porém pode ocorrer em pessoas suscetíveis – não imunes – de qualquer idade. Na maioria das vezes evolui sem consequências mais sérias, mas em pessoas com imunodeficiência, adultos e também em algumas crianças, o quadro pode resultar em uma manifestação hemorrágica grave, pneumonia e infecção bacteriana secundária, devido à contaminação das feridas da pele.

Em todo inverno observa-se um aumento do número de casos da doença, explicado pela permanência maior das crianças em ambientes fechados, como creches e salas de aula, além de salas de espera de consultórios e unidades de pronto atendimento. A varicela não nos pega de surpresa. Todo ano há um aumento do número de casos iniciados no final de AGOSTO que vai até NOVEMBRO. É previsto e esperado. Por isso existe a recomendação:

A melhor forma de evitá-la é através da vacinação!

CHK - Catapora

Nas creches, a incidência da varicela é maior do que em crianças da população geral, as manifestações clínicas dos casos secundários geralmente são mais intensas que o caso inicial.

Quais os sintomas da catapora?

O principal sintoma é o aparecimento na pele e nas mucosas (boca e genitais) de lesões pequenas, com aspecto em bolhas com líquido em seu interior, base avermelhada sobre as quais, posteriormente, se formarão crostas (feridas) que provocam muita coceira. Pode ser acompanhada de febre, mal-estar, perda do apetite, dor de cabeça e cansaço. Tem início após um período de incubação (período de ausência de sintomas da doença em indíviduo já contaminado pelo vírus) que varia entre 10 e 21 dias.

Como acontece o contágio?

Principalmente pelas gotículas de saliva, pelo espirro e pela tosse ou pelo contato direto com o líquido das bolhas. Mas raramente, pode acontecer de forma indireta, pelo contato com objetos contaminados com secreção das vesículas. É possível ainda a transmissão da varicela durante a gestação, através da placenta. Pessoas acometidas pelo vírus transmitem a doença durante todo o período de formação das lesões bolhosas da pele, que dura em média cinco a sete dias. A varicela pode ser transmitida ainda no período de incubação (tempo entre contato e surgimento da doença), que pode ser tão longo como levar de duas a três semanas. O período de maior transmissibilidade inicia-se dois dias antes do aparecimento das bolhas na pele e perdura enquanto houver esse tipo de lesão.

Qual o tratamento?

Por ser uma doença viral, o ideal é a prevenção através da vacina. O tratamento visa aliviar os sintomas e evitar algumas complicações. Uma vez contaminado, o paciente deve ficar em casa, longe do convívio social e esperar que as lesões da pele cicatrizem. Via de regra são administrados antitérmicos/ analgésicos para controlar a febre e dor.

Além disso, os médicos alertam que não se administre aspirina ou outros medicamentos contendo ácido acetilsalicílico (AAS) para baixar a febre em crianças com a doença porque há registro na literatura médica de uma síndrome que acomete o fígado e pode causar coma, atribuída ao uso desse medicamento durante o quadro. É a chamada Síndrome de Reye, que atinge o sistema neurológico. Em substituição aos derivados de AAS recomenda-se o paracetamol. Adultos ou pessoas debilitadas com catapora requerem cuidados especiais.

Recomendações

* Vacinação àqueles que frequentam o berçário ou tenham algum outro fator de risco;

*Embora geralmente seja uma doença benigna, os sintomas são muito desagradáveis e pode, em alguns casos, ter uma evolução mais grave;

* Procure evitar contato direto com pessoas doentes;

* Não deixe a criança coçar as lesões para evitar infecções por bactérias. Não é tarefa fácil, porque a coceira é intensa;

*Mantenha as unhas da criança doente bem cortadas e limpas;

* Não arranque as crostas que se formam quando as vesículas regridem;

* Mantenha o paciente em repouso enquanto tiver febre;

* Ofereça-lhe alimentos leves e muito líquido;

*Evitar roupas em excesso;

Sempre consulte o pediatra da criança para melhor acompanhamento e orientação

Vacinação contra Catapora

Composição por vírus vivo atenuado. Após 1 dose da vacina a soroconversão é de 90 a 93%. Com uma segunda dose da vacina a soroconversão é de praticamente 100%. A rede pública oferece apenas 1 dose da vacina contra varicela. Aqueles que optarem pela segunda dose da vacina deverão procurar as clínicas particulares!

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda 2 doses da vacina com intervalo de 3 meses entre as doses, sendo a primeira dose indicada acima de 12 meses de idade. Em situação de risco – por exemplo, surto de varicela ou exposição domiciliar – uma dose adicional poderá ser aplicada a partir de 9 meses de idade. Contraindicações para o uso destas vacinas são: gravidez, reações anafiláticas à neomicina, hipersensibilidade à gelatina (para a da MSD) ou outros componentes da vacina, doenças neoplásicas ou hematológicas, terapia imunossupressora, tuberculose em atividade e não tratada, imunodeficiência primária ou adquirida, processo febril agudo (febre moderada ou elevada), alergia grave a ovo.

PREVENIR É SEMPRE O MELHOR REMÉDIO!

Renata Scatena

Renata Scatena

Pediatra geral / Puericultura/ Aleitamento Materno - CRM 124.384

Formada pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos
Residência Médica em Pediatria pela Universidade de São Paulo - HCFMUSP
Especialização em Terapia Intensiva Pediátrica pela Universidade de São Paulo – HCFMUSP
Título de especialista em Pediatria pela SBP
Título de especialista em Terapia Intensiva Pediátrica pela AMIB
Médica Plantonista da Unidade de Terapia Intensiva do Instituto de Oncologia Pediátrica/GRAACC
Médica Pediatrae Diretora técnica da Clínica de Pediatria e Imunização Klabin
Renata Scatena

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