Imagine um tempo em que era possível juntar todos os moradores da Chácara Klabin dentro de um úni­co ônibus de viagem. Saiba então que isso de fato aconteceu, nos primeiros anos do bairro após o lotea­mento, em uma excursão que os vizinhos fizeram ao sul do país. Quem nos contou essa história e muitas outras foi Niulza Fausto Villanacci, que junto com seu marido Rafael e seus filhos Rafael Augusto e Camila, foram a primeira família a construir sua casa na Chácara Klabin.

O projeto da casa começou a sair do papel no dia 5 de janeiro de 1977, quando o bairro tinha apenas ruas e lo­tes vazios – para entrar e sair era preciso abrir as por­teiras que controlavam o acesso. Foram dois anos até a residência dos Fausto Villanacci ficar pronta e a família se mudar para o loteamento – a casa de seu vizinho Jair, entrevistado na CHK #03, ficou pronta antes e ele foi o primeiro a se mudar. Quando aqui chegaram, não havia luz, água, esgoto ou telefone. Tudo isso foi con­quistado com grande participação de Niulza: “Foi pre­ciso negociar com a Light, Sabesp e puxar uma fiação de telefone que vinha lá da Vergueiro. Os moradores se juntaram e pagaram metade e o Oscar Klabin Segall pagou a outra metade”, conta.

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Sobre a vida nos primeiros dias da Chácara Klabin, Niulza lembra que as coisas eram muito diferentes de hoje. “Quando o meu filho vinha no ônibus do colégio Dante Alighieri, seus colegas pensavam que ele morava em uma fazenda. Nossa casa tinha um mirante onde era possível ver uma imensa área verde, sem nenhuma casa ou prédio. Curiosamente, nos sentíamos mais seguros do que hoje, o mundo era outro, eram outros tempos. Hoje quando passamos na Av. Prefeito Fábio Prado to­talmente congestionada por carros, sentimos saudades dessa época”, ri.

raf1Dos anos em que a família viveu no bairro, sobram lembranças boas da vida em comunidade. “Todo mundo se conhecia, as crianças brincavam livremente na rua, soltavam pipa, tinha até pista de bicicleta. Em qualquer época do ano em que o tempo esfriasse um pouquinho o pessoal aproveitava pra se reunir e fazer fogueiras. Fi­zemos até excursões juntos, como a vez em que fomos pro sul em um ônibus. Foi um grande teste de convivên­cia, pois o ônibus parecia um hospital ambulante, um com febre, outro com dores. Meu marido que é médico teve muito trabalho”, se diverte.

Dentre as histórias, como o dia em que milhares de pessoas foram ao bairro assistir o lançamento de um balão em homenagem à “Democracia Corinthiana”, com a presença de jogadores como o atacante Casagrande, uma delas chama a atenção pelo surrealismo. “Uma vez chegou na região um circo e se instalou perto de onde hoje fica o Delboni. Um dia nós íamos receber a visita de um engenheiro e quando ele estava chegando deu de cara com um gigantesco elefante passeando pelo bair­ro. O pessoal do circo tinha soltado o animal para pas­sear um pouco. Todo mundo queria passar a mão nele, foi inesquecível”, lembra Niulza. raf4

Assim como participaram do nascimento do bair­ro – você sabia que as primeiras árvores da Praça Kant foram plantadas por Rafael e o vizinho Milton? –, os Fausto Villanacci testemunharam também o sur­gimento dos prédios e a mudança da Chácara Klabin. “Quando construímos a casa achamos que ficaríamos lá pra sempre, nossos filhos e netos. Um dia o corre­tor bateu à nossa porta, os grandes prédios estavam chegando ao bairro. Dissemos que nunca vendería­mos, mas, no fim, quase todo mundo vendeu seu ter­reno para as construtoras”.

Hoje a casa da família fica perto da Av. Ibirapue­ra, embora Niulza ainda tenha um irmão que mora na Chácara Klabin. Ela, seu marido, seu filho e sua filha têm, respectivamente, 66, 70, 40 e 35 anos de idade, dos quais cerca de 30 foram vividos por aqui. Que o bairro nunca sairá de seus corações, não temos dúvi­das. Que, conhecendo sua história e tudo que fizeram pela Chácara Klabin, nós possamos também sempre nos lembrar da família Fausto Villanacci e lutar pelo resgate do sentimento de comunidade dos nossos primeiros moradores.

Redação CHK

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Somos apaixonados por comunicação e pela Chácara Klabin. Acreditamos que moradores unidos têm o poder de transformar o bairro e a cidade onde vivem.
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