O Órbitas Urbanas nasceu de uma discussão so­bre estudos dos meios entre professores e alunos do Colégio Marista Arquidiocesano. Não há um aluno que não se mobilize ou não se interesse em participar do projeto. É dessa forma que o profes­sor de geografia, Paulo Mendes, e os estudantes Gabriel Durante Locci e Laura Ragazzi, ambos com 16 anos de idade, do segundo ano do ensino médio, descrevem o projeto multidisciplinar que debate os problemas e pro­põe soluções para o Centro da cidade de São Paulo.

urb1“A sensação que eu tenho é que a região central da cidade está abandonada. Tem muitas coisas no Cen­tro que poderiam ser mais bem aproveitadas”, conta Laura sobre as ruas próximas à Praça da República. A estudante acrescenta que o centro de São Paulo é muito rico em cultura e gastronomia, mas falta o poder público querer investir e atrair o público para frequentar o espaço.

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Gabriel Locci chama atenção para uma triste rea­lidade. “Durante o meu trajeto da República até a Av. Tiradentes, não vi uma escola sequer”, constata o es­tudante. Locci acredita que essa é a principal falha do planejamento urbano da cidade. Para o estudante, é es­sencial que você tenha todos os serviços próximos, sem precisar fazer grandes deslocamentos.

O projeto começa no início do ano por meio de textos, discussões e documentários. O dia em que os alunos saem às ruas, o “trekking urbano”, é só uma parte do projeto. Durante uma semana, as aulas do segundo ano param e a região central de São Paulo é o assunto em todas as disci­plinas e com o apoio dos professores.

Para dar início ao trekking, os alunos vão para o centro de Metrô. O uso do transporte público é im­portante para despertar nos estudantes um olhar mais crítico em relação aos problemas da cidade. Neste ano foram setes salas divididas em grupos de no máximo 15 pessoas. Cada grupo tinha total autonomia para criar a rota e também no desenvolvimento da atividade. De­pois de muitas horas de debate e reflexão, os alunos expuseram os resultados através de manifestos, cartas, croquis, nuvens de palavras e ensaios fotográficos.

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Para o professor Paulo, a maior satisfação é ver o empenho e interesse dos alunos no projeto. “A mágica do Órbitas Urbanas é tão grande que faz com que todos os alunos, sem exceção, se dediquem nas atividades. Embora seja um trabalho escolar, é gratificante ver os estudantes pensando como gente grande”, relatou o professor de geografia.

Isabela Lourenço, ex-aluna do Colégio Arquidiocesano e atualmente estudante de di­reito do Mackenzie, fala do impacto do projeto na vida dela. “Acho que o Órbitas Urbanas não causou apenas impacto na minha vida, mas na de todos que partici­param, talvez pelo fato de ter sido a primeira vez que saímos da teoria da sala de aula e fomos à rua para enxergar a realidade da cidade. É como se tivéssemos saído da bolha que vivemos”, afirmou Isabela que parti­cipou do projeto em 2011.

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Ato político

Neste ano, o ato político do Projeto Órbitas Urbanas ocorreu dia 7 de novembro nas dependências do colégio e contou com a presença de Luís Carlos de Menezes, Professor Sênior do Instituto de Física da USP e con­sultor da UNESCO; José Police Neto e Nabil Bonduki, vereadores da cidade de São Paulo; Murilo Resende, Doutor em Educação pela USP e Frei Zilton Salgado, da ordem Dominicana e filósofo.

As principais propostas dos alunos para a solução dos problemas da cidade foram moradia e cultura para todos, maior espaço para os movimentos sociais, utili­zação dos imóveis ociosos da cidade, acolhimento aos moradores de rua, implantação de centros de reabilita­ção e de especialização para dependentes químicos.

Redação CHK

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