Todo mundo conhece um caracol: aquele animalzinho com a ‘casa’ nas costas que ao sinal de perigo se esconde para dentro dela. Poderia citar outros semelhantes como tartaruga, alguns crustáceos etc. Mas a minha intenção aqui é perguntar: nós temos alguma semelhança com esses animais? Existem “caracóis humanos”?

A resposta é sim, pelo menos para várias circunstâncias chave da vida, que inevitavelmente exigem uma palavrinha chamada mudança. Muitas pessoas respondem a elas voltando para dentro da carapaça da sua zona de conforto. Pode parecer engraçado já que a mais ressaltada qualidade evolutiva da nossa raça é a adaptabilidade. Mas não é nada engraçado e é até bem danoso. Nos tempos atuais eu observo uma justificativa muito usada para esse comportamento: sobrevivência.

As pessoas estão se contentando em sobreviver. Os confortos do consumismo e a falta de educação indagativa tornam a visão da vida embaçada. “Para uma vida feliz há dois valores essenciais, liberdade e segurança” – já dizia Zigmund Bauman – “liberdade sem segurança é caos, segurança sem liberdade é escravidão”. Vejo pessoas cederem demais aos condicionamentos que trazem do passado ou que deixaram impor a elas. Entregam muito facilmente sua liberdade por algo que acreditam ser segurança mas que a longo prazo pode se mostrar uma armadilha.

Algumas observações:
– A vida nunca foi nem será fácil.
– Se algo fica na mesma há tempos, não há sensação de estar bem ou vem piorando, só há uma solução: tentar algo novo.

A consequência desse comportamento é refletida nas finanças. Uma sociedade facilmente iludida, cheia de achismos. Ir para dentro da concha não vai te salvar sempre. Sabe aquele dizer que escutamos muito: “no fim tudo dá certo!”. Acho que ele é muito usado para aliviar frustrações e traz um tom exagerado de conformismo. Não desejo às pessoas esperar o fim para que dê certo. O plano tem que ser bom agora e no futuro, se não há desperdício de tempo, vida e consequentemente dinheiro.

Ao planejar a vida e as finanças das pessoas e famílias, vejo acontecer muito dessa atitude caracol. Entendo que não é fácil se olhar no espelho e mudar para caminhos novos, mas temos que colocar energia para chegar a um ponto diferente do atual. Sempre sou muito perguntado sobre dicas. Recentemente numa entrevista a que fui convidado respondi: “a dica que dou é cuidado com dicas!” Porque se você não está preparado elas podem ter efeito contrário e só servir para aliviar seu subconsciente.

Mas o correto não é ir atrás do que está rendendo mais? Tesouro Direto, Letras de Câmbio, Fundos, Debêntures, Ações…. esqueça o produto em si, qual é o melhor para seu plano de vida? Um dica reflete uma opinião de momento e é genérica. O ideal é saber o que é melhor para você e sua família. Só que isso só vai acontecer se você se dispuser ao processo de se conhecer e melhorar. Pare de agir como o caracol, vá até o fim, planeje, corrija, se informe e enfrente novos desafios. Essa é a base do Planejamento Financeiro Pessoal.

Eduardo Lima

Eduardo Lima

Graduado em Administração, Pós-Graduado em Gerenciamento de Projetos, Certificações internacionais em Projetos e Riscos, Planejador Financeiro e de Vida.
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Eduardo Lima