an3Anna Laura Petlik Fischer nasceu no dia 12 de junho de 2008 para mudar a vida de muita gente. A começar por seus pais, Rodolfo e Claudia. A primeira filha trouxe ao casal um novo sentido para viver. Quem ama como pais e mães? E se o amor é algo que aproxima do divino, quem poderia ensinar melhor do que uma doce e angelical criança? Alegre, astuta, curiosa e amada, foi, desde os seus primeiros dias, uma luz para sua família e amigos. Mas a vida funciona de um jeito que nenhum homem pode compreender. No dia 30 de maio de 2012, perto de completar 4 anos de idade, Anna Laura deixou este mundo.

“Enterrar um filho é morrer em vida. Essa minha morte levou tempo. Morri lentamente dessa vida que Anna me havia dado”, diz Rodolfo no livro Em Nome de Anna, escrito após a partida de Anna Laura. É difícil pensar em algo que diminua a dor ou dê sentido a uma perda como a do casal. Mas Rudi, como é conhecido, encontraria em seus dias de desespero uma maneira de transformar a história de Anna Laura em uma iniciativa que ajudasse outras crianças. “Algumas semanas depois, em uma viagem a Israel em busca de conforto espiritual, aprendi pelos preceitos do judaísmo que se você quiser elevar a alma de alguém que ama, deve fazer coisas boas em sua homenagem”, conta.

A ideia nasceu em Jaffa, cidade próxima a Jerusalém, quando Rudi e Claudia viram um escorregador acessível para crianças com deficiência. Assim que voltaram a São Paulo, o executivo aposentado entrou em contato com a Prefeitura e com a AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente) para saber se havia na cidade parques que dispusessem daquela estrutura. Nascia o projeto Alpapato (Anna Laura Parques Para Todos), com o objetivo de construir parques acessíveis que possibilitassem que crianças típicas e deficientes brincassem juntas.
an2

O Anna Laura Parques Para Todos reuniu profissionais de destaque em suas áreas, de arquitetos a terapeutas, e começou a projetar a primeira construção do projeto, em uma unidade da AACD no Parque da Mooca, Zona Leste de São Paulo. Com o auxílio dos parceiros, que diminuíram ao máximo seus custos ou deixaram de cobrar, Rudi bancou a obra de seu próprio bolso e concluiu o primeiro parque acessível da cidade. Após esse, vieram mais dois, na APAE Araraquara e no Parque do Cordeiro, em Santo Amaro.

Com brinquedos criados especialmente pela equipe do Alpapato, os parques têm três focos de atuação: lazer, terapia e socialização. “Há uma cena comum em famílias que têm filhos com e sem defi ciência. Enquanto um deles brinca, o outro fica apenas olhando. Os brinquedos acessíveis possibilitam essa interação. Além disso, possibilitam que as crianças trabalhem sua capacidade motora, cognitiva e sensorial brincando”, afirma Rudi. “Os parques também são utilizados pelas terapeutas da AACD para sessões ao ar livre com os alunos. O retorno tem sido ótimo”, completa.

an1

Com três parques finalizados, Rudi projeta a construção de mais 4 nos próximos anos, um no Rio de Janeiro, outro em Recife e em outras duas unidades da AACD ainda não definidas. Além disso, está nos planos do pai de Anna Laura uma ONG para auxiliar outros pais em luto. Parar não é uma opção para Rudi. “Minha motivação para continuar trabalhando com o projeto é a minha filha. Tudo o que faço é em homenagem a ela”. Transformada e unida, a família Fischer hoje tem dois filhos, Arthur e o mais novo, Felipe. Além desses, abriga outras centenas de irmãos e irmãs de Anna Laura, que em algum plano em comum, compartilham a mesma alegria.

Redação CHK

Redação CHK

Somos apaixonados por comunicação e pela Chácara Klabin. Acreditamos que moradores unidos têm o poder de transformar o bairro e a cidade onde vivem.
Redação CHK