Você conhece a história da família que dá nome ao nosso bairro? Saiba aqui quem foi Maurício Freeman Klabin e descubra a relação que há entre o Museu Lasar Segall, a Casa Modernista e a Chácara Klabin.

Moishe Elkana era um jovem de 25 anos, nascido em Posselva, uma pequena comunidade judaica na Lituânia, na época do Império Russo. Empreendedor desde cedo, Moishe teve a ideia de comprar uma pequena propriedade coberta por uma densa floresta, a fim de extrair e negociar a madeira.  Acontece que, segundo determinação do Czar Alexandre III, era proibido que um judeu fosse proprietário de terras. Moishe teve que fugir.

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Após passar pela Inglaterra, o jovem agora chamado de Maurício Freeman Klabin, se interessou por um anúncio em um jornal londrino, que convidava trabalhadores para oportunidades no Brasil. Chegou ao Porto de Santos e veio para São Paulo, onde vendeu cigarros para se manter até arrumar um emprego numa tipografia de um casal que conheceu. Era o fim da década de 1880. Pouco tempo depois, Maurício Klabin se tornou proprietário do negócio.

Com a chegada de seus pais ao Brasil, Leon e Sara, sua noiva, Bertha Osband, seus irmãos, Salomão, Hessel, Luiz e Nessel, e seu primo e cunhado (marido de Nessel), Miguel Lafer, começou a nascer o império dos Klabin.  Em 1899, fundou junto com Salomão, Hessel e Miguel, a Klabin Irmãos & Cia., que logo despontou na venda de artigos de papelaria e escritório. Com a ascensão financeira do grupo, em 1903, Maurício Klabin investiu em alguns lotes de terra na região que ficava entre o Caminho do Mar e a Colina do Ipiranga – região hoje chamada de Chácara Klabin.

De lá pra cá, muita coisa mudou. Da favelização que tomou conta do bairro e transformou a Chácara Klabin em maior favela de São Paulo entre as décadas de 40 a 70, passando pelo clima de cidadezinha do interior nos anos 80, até chegar na verticalização e valorização nos anos 90, pouquíssimas coisas ficaram pra contar história. O Klabin já não é mais a pequena propriedade da família Klabin, e os nomes de Maurício e seus descendentes ficaram em segundo plano, no máximo batizando ruas do bairro. Dois locais, entretanto, construídos na Vila Mariana nas décadas de 20 e de 30, guardam consigo uma parte importante da história da família que fundou a Chácara Klabin, a história das filhas e dos genros de Maurício Freeman Klabin, a segunda geração dos Klabin no Brasil.

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Gregori Warchavchik nasceu na Ucrânia, também parte do Império Russo na época, e chegou ao Brasil em 1923. Arquiteto, conheceu em São Paulo Mina Klabin, filha de Maurício Klabin e Bertha Osband. Casaram-se em 1927. Na Rua Santa Cruz, em terreno da família de sua esposa, Warchavchik construiu a primeira casa de arquitetura modernista no país, onde o casal residiu até a década de 70. Outro diferencial inovador da construção foi o paisagismo projetado por Mina, que contradisse as tendências da época de imitar o estilo europeu, e foi um dos primeiros jardins a utilizar-se especialmente de espécies tropicais.

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Poucos anos depois, em 1932, Gregori Warchavchik, em mais um marco para a arquitetura brasileira, projetou outra casa na região para mais um casal da família Klabin. Jenny Klabin, também filha do patriarca Maurício, havia se casado em 1925 com um certo artista nascido na Lituânia. Era o irmão de Lubba, mulher de seu tio Salomão Klabin.

Seu nome era Lasar Segall, que viria a ser considerado como um dos maiores ícones da arte moderna no mundo. Na casa projetada pelo concunhado Warchavchik, Lasar montou seu ateliê e morou com Jenny. No mesmo local, hoje em dia, encontra-se o Museu Lasar Segall, criado em 1967, por seus filhos Mauricio Segall e Oscar Klabin Segall.

A Casa Modernista e o Museu Lasar Segall estão entre os espaços culturais mais importantes de São Paulo, e são o ponto de intersecção entre a história da cidade e da Chácara Klabin. Muita gente, entretanto, sequer desconfia que há uma relação tão próxima entre eles e a família que dá nome ao nosso bairro. Além da programação cultural riquíssima oferecida atualmente pelo museu Lasar Segall, e da aula de arquitetura que é a visita monitorada à Casa Modernista, vale a pena visitar esses dois espaços para viajar no tempo e conhecer a vida e obra de personagens importantes de uma época em que o Klabin dava seus primeiros passos.

 

Se você ficou com vontade de fazer uma visita, confira mais informações abaixo:

Museu Lasar Segall

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Aberto diariamente das 11h às 19h (Fechado às terças).

Rua Berta, 111, Vila Mariana, São Paulo, SP

(11) 2159-0400

Entrada gratuita

 

Casa Modernista

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Rua Santa Cruz, 325, Vila Mariana, São Paulo, SP

(11) 5083-3232

Aberta de terça a domingo, das 9 às 17h.

Visita orientada. Entrada franca.

Redação CHK

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Somos apaixonados por comunicação e pela Chácara Klabin. Acreditamos que moradores unidos têm o poder de transformar o bairro e a cidade onde vivem.
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