O universo dos animais de estimação é gigante e, além da forte ligação entre as pessoas e os seus bichinhos, movimenta uma dinâmica atividade econômica

Desde o período Paleolítico, por volta de dois milhões de anos atrás, quando o homem primitivo começou a domesticar cães selvagens e a ter animais de pastoreio, a interação dos bichos com o ser humano mudou muito. No início, se resumia em servidão, a partir de funções práticas. Os gatos eliminavam ratos e os cachorros eram responsáveis por rastrear a caça, fazer guarda ou puxar trenós. Hoje, os dois, assim como outras espécies, estão presentes nos lares brasileiros em outra posição. Muitas vezes, são considerados integrantes da família e dá para notar: é assim que eles se sentem!

Segundo o último levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), o país possui uma população de 132 milhões de animais domésticos. Destes, mais de 52 milhões são cães e 22 milhões, gatos. As aves somam 38 milhões. Já os peixes estão em cerca de 18 milhões. O Brasil é o quarto país em população total de mascotes. O que demonstra porque diversas iniciativas miram este setor, que em 2016, movimentou quase R$ 19 bilhões, um crescimento de 5% sobre o ano anterior.

DE PADARIA A CERVEJARIA: UM NEGÓCIO BOM PRA CACHORRO

O Pet Food é o segmento que historicamente tem maior faturamento. Para atender ao paladar dos bichinhos e, principalmente, a vontade de seus tutores, diversas novidades despontam no mercado. Foi de olho nesse nicho que os irmãos gêmeos Ricardo e Rodrigo Chen resolveram investir em uma franquia de padarias para pets. Afinal, paulistano adora tanto uma padoca, que seus cães e gatos também não resistem.

Pets - Revista Chácara Klabin

A primeira loja foi aberta em Pinheiros, em 2015. Entre os produtos, muffins, brigadeiro, cupcakes, sorvetes e comida congelada. Há ainda alguns petiscos diferentes para aves e hamsters. O sucesso foi tão grande que, em 2016, os sócios abriram mais uma unidade, nos Jardins. “Os pets realmente passaram a ser considerados membros das famílias e as pessoas buscam repassar para eles o mesmo estilo de vida”, conta Rodrigo, que tem dois cachorros, o pug Pocker e a vira-lata Amora. O destaque nos dois endereços é o bolo de aniversário, um dos itens mais pedidos pelos donos que querem festejar a passagem de ano de seus mascotes em grande estilo. Diante de tantos produtos apetitosos, Rodrigo diz que alguns clientes ficam com água na boca. Por isso, o local também oferece um espaço de “café para humanos”. Os sócios pretendem abrir mais lojas ainda este ano. Uma, inclusive na Chácara Klabin.

Pets - Revista Chácara Klabin

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Enquanto isso, outro empreendedor resolveu investir em uma cerveja para cachorros. Calma, ele não quer deixar nenhum animalzinho bêbado. Seus produtos foram desenvolvidos justamente para evitar esse tipo de situação. “Muitos donos colocam a saúde do pet em risco por oferecerem a própria cerveja no calor da descontração”, afirma Lucas Marques, dono da Dog Beer, que, apesar do nome, não leva álcool. Marques adquiriu a marca em 2015. Mas o produto foi desenvolvido três anos antes pelo Centro de Tecnologia de Alimentos e Bebidas do Senai de Vassouras (RJ). A cerveja canina é produzida a partir de malte de cevada e, segundo o empresário, é rica em ácido fólico, potássio e vitaminas do complexo B.

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A Dog Beer não é alcoólica e foi inventada para que tutores e cães possam curtir uma cerveja juntos sem risco à saúde do animal

 

A tecnologia também favorece a criação de negócios que facilitam a vida dos tutores. A Dogme, por exemplo, quer resolver o problema de quem não tem tempo de passear com o seu cãozinho. Criada pelos sócios Guilherme Martinez e Gustavo Dal Pian, o aplicativo oferece a possibilidade de o cliente acompanhar o trajeto realizado com seu animal em tempo real através de um mapa no site da empresa ou, ao final de cada passeio, conferir a rota gerada pelo programa, confirmando a realização da tarefa e fornecendo detalhes das atividades no percurso (se o cachorro fez cocô ou xixi, por exemplo).Para os dog walkers cadastrados e selecionados pela plataforma, é ainda mais interessante. “Ele pode escolher a região onde quer atuar, o tempo disponível, além de controlar melhor quais são as rotas do dia e os clientes onde deve ir”, explica Gustavo. O usuário não paga nada para usar o aplicativo. Para o prestador de serviço é cobrada uma taxa de 30% por passeio, que custa R$ 40 no modelo avulso.

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Com o Dogme, os tutores conseguem acompanhar a rota feita pelos seus mascotes

Já o ParCão da Chácara Klabin foi pensado como um cantinho de convivência para quer curtir um momento especial com seus cachorros. “Foi uma resposta a uma demanda dos próprios moradores por um espaço para passear com tranquilidade com seus animais”, diz Daniel Moral, tutor da pug Meg e um dos idealizadores do projeto. O assunto já era debatido desde 2013 e ganhou corpo após a primeira Cãominhada realizada no bairro, o engajamento da comunidade, discussões técnicas e o apoio de arquitetos voluntários e do vereador José Police Neto. Após as aprovações necessárias com a Prefeitura, o consenso foi transformar uma rua sem saída próxima à rotatória da Av. Prefeito Fábio Prado em uma área verde de convivência. A obra ficou pronta em abril de 2016. Para os adultos, o espaço oferece barras e paralelas de alongamentos e exercícios. As crianças têm à disposição um playground com escorregador, gangorra e balanço. Já os cachorros ganharam um cercado com brinquedos que podem ser usados para a prática de agility. O modelo do ParCão deu tão certo que já foi replicado em outros lugares da cidade.

Pets - Revista Chácara Klabin

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O modelo do ParCão começou na Chácara Klabin e já foi replicado em outros bairros de São Paulo

Os anjos da guarda

Se existem muitos produtos e serviços destinados a aumentar o bem-estar dos bichinhos ou simplesmente agradá-los, também há diversos casos de abandono. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), são 20 milhões de cachorros e 10 milhões de gatos vivendo nas ruas do país. Por isso, é tão importante o trabalho de ONGs como a Amigos de São Francisco, que já resgatou e encaminhou para um novo lar em torno de 700 animais. A fundadora e presidente da organização, Gabriela Masson, começou a se envolver com a causa animal depois de adotar o vira-lata Jack. Mas foi somente após ajudar a estourar um canil clandestino, em 2012, onde 40 cachorros de raça eram mantidos em “situação deplorável”, que resolveu criar a organização, na qual 116 animais aguardam por uma segunda chance.

Para poder manter bem os bichinhos, a ONG conta com a doação de padrinhos e a venda de produtos licenciados. Mas quase todos os dias chegam novos pedidos de resgate. “Nós recebemos uns 20 por semana. Fazemos uma triagem para poder ajudar os casos mais urgentes. Quando não conseguimos abrigar, indicamos lugares, oferecemos nosso veterinário a uma condição mais acessível e também ajudamos a divulgar”, explica Gabriela, que além de Jack tem mais oito cachorros, a maioria resgatada de canis clandestinos.

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A venda de produtos licenciados ajuda nas despesas da ONG Amigos de São Francisco

Além de ser pet friendly, a unidade da Avenida Paulista da rede Ibis de hotéis também tenta cooperar com a causa animal de outra maneira. Todo último domingo do mês, realiza uma feira de adoção em parceria com a ONG AMPARA Animal. “Já foram sete edições desde agosto de 2016, nas quais 20 animais ganharam um novo lar”, conta a gerente geral Ticiana Horylka. Ela diz que a frequência nos eventos é muito boa, tanto por parte dos hóspedes como por famílias que aproveitam o domingo para caminhar pela via fechada para carros e não resistem a dar uma olhadinha nos cachorros e gatos da organização.

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A unidade da Paulista do hotel Ibis realiza mensalmente uma feirinha de adoção em parceria com a ONG AMPARA Animal

E tem mais gente que, mesmo sozinha, não desiste dessa luta. É o caso da estudante de enfermagem Márcia Evangelista, que atua há mais de dez anos como protetora e já ajudou a salvar a vida de 200 animais. Entre cachorros e gatos, ela tem dez. “Como sei que não tenho mais como levar para minha casa, quando fico sabendo de casos de procriação, abandono ou maus-tratos, tento contato com o tutor ou descubro o que está acontecendo para preparar um apelo com fotos e divulgar por e-mail”, explica. Apesar do trabalho duro, ela não acredita que seja possível acabar com o problema do abandono sem um trabalho efetivo de conscientização. “As prefeituras deviam atuar dentro das comunidades com panfletos, palestras e principalmente com um castramóvel. Isso amenizaria muito a procriação e o abandono e, consequentemente, o desgaste dos protetores que atuam na causa com seriedade e amor”.

O amor dos donos por seus bichinhos não carece de explicação. Afinal, os animais oferecem companhia e carinho, sem as cobranças dos seres humanos, o que acaba fortalecendo laços duradouros, como os da aposentada Elisete Moral com Yuri. Ela mora no Ipiranga, mas pegou a cachorrinha em uma rua da Chácara Klabin. Descobriu que ela estava abandonada em uma visita ao sobrinho. “Ela era muito medrosa, tentavam adotar, mas ela fugia. Mesmo assim, eu dava comida, outras pessoas levavam ao veterinário”. Até o dia em que Yuri foi parar em um abrigo em Diadema, na Grande São Paulo. Elisete ia toda semana ao local conferir se estava tudo bem. Ela só não se decidia a levar a cachorrinha para casa porque tinha outras duas que estavam doentes. Quando uma delas morreu, resolveu adotá-la. Já estão juntas há quase dez anos. “Ela não pede nada em troca, não faz exigências, é muito inocente”, diz a protetora, que se desdobra em atenção com a cachorrinha. Mas será que diante de todo o afeto devotado a eles, os bichinhos conseguem entender e retribuir esse sentimento? A ciência diz que sim. Pesquisadores da Claremont Graduate University, na Califórnia, descobriram que, durante brincadeiras com seus tutores, os animais domésticos liberam a mesma oxitocina (conhecida como “hormônio do amor”) que aparece no corpo dos seres humanos em interações sociais positivas, como se apaixonar. Elisete não tinha dúvida disso. “Só no olhar a gente percebe. Basta ver a carinha que ela faz para mim e eu tenho certeza”, diz, categórica.

 

Redação CHK

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Somos apaixonados por comunicação e pela Chácara Klabin. Acreditamos que moradores unidos têm o poder de transformar o bairro e a cidade onde vivem.
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