Nenê do Triciclo, como gosta de ser chamado, é morador da Chácara Klabin há 15 anos. Logo que mudou-se para o bairro, comprou seu primeiro triciclo e a paixão por esse tipo de automóvel cresceu tanto que hoje possui três em sua garagem. Ele faz parte do grupo de motociclistas “Os Impossíveis”, que passeia aos sábados e se reúne semanalmente às quartas-feiras para jantar em um restaurante do bairro. Há 12 anos, unindo seu amor pelo triciclo e a solidariedade, Nenê criou a Motociclata, uma campanha para ajudar pessoas carentes com roupas, agasalhos, comida e brinquedos. Passamos uma tarde com ele para saber mais sobre essa iniciativa.

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CHK: Como surgiu a ideia do projeto?
Nenê: Nos passeios de sábado, combinávamos de ir até Itu, Indaiatuba ou qualquer outro lugar para almoçar. Sempre quando saíamos com os triciclos e parávamos nos restaurantes virava uma atração turística, 12 triciclos, cada um de um jeito, chamavam a atenção das pessoas, que vinham pedir para subir e tirar fotos. Foi aí que pensei que a gente podia ganhar alguma coisa com isso.

CHK: O que te motivou a realizar o projeto?
Nenê: Em um dos primeiros encontros de quarta-feira soltei minha ideia na conversa, “a gente podia ganhar alguma coisa com isso“, e todos já brincaram, “o turco já quer ganhar dinheiro“. Eu interrompi, “não é dinheiro, eu estou pensando o seguinte: nós vamos ajudar alguma instituição que faça campanha do agasalho e quem fizer doação pode subir nas motos para tirar foto, o que vocês acham?”. Na hora todos vibraram e concordaram com a proposta. Mas que instituição ajudaríamos? Eu não conhecia nenhuma. Foi aí que meu amigo Vivaldo disse: “faz para o NABEM, eu conheço o pessoal de lá, são sérios e fazem um trabalho bacana”. Eu logo concordei e disse para ele conversar com o pessoal de lá e ver que dia era a campanha deles. Na semana seguinte recebi uma ligação do Vivaldo avisando que o NABEM não tinha dia de campanha do agasalho. Eu sou um cara que não desisto fácil das minhas ideias, se não tem campanha nós vamos criar uma, vamos fazer acontecer. Foi aí que demos início à primeira campanha.

CHK: Como surgiu o nome da campanha?
Nenê: A primeira ganhou o nome de “Campanha do agasalho“ e foi realizada na quarta-feira, feriado de 9 de Julho. Com o decorrer das campanhas, percebemos que esse nome já não se encaixava com tudo que estava sendo feito. Isso ocorreu depois que a realizamos perto do Dia das Crianças, com a função de também arrecadar brinquedos. O panorama da campanha mudou, percebi que não se pode estabelecer o que as pessoas vão doar, tem que ser aberto e poder doar de tudo. Em função disso a campanha mudou de nome para “Motociclata da Solidariedade”.

CHK: Houve interesse de outros bairros em realizar a campanha?
Nenê: Sim, a Motociclata já acontece em outros bairros, como Ipiranga, Jardim da Saúde, Chácara Inglesa, Vila Gumercindo e até em São Bernardo do Campo. Eles me procuram para ajudá-los e, pensando nisso, fiz um projeto escrito sobre as experiências do evento, com o objetivo de multiplicar ainda mais a campanha.

CHK: O que você espera da campanha?
Nenê: Um é o efeito pontual em ajudar com as doações as pessoas que precisam, o que todo mundo vê. O outro é oculto e despertado dentro de cada um de nós, colaboradores da campanha. Foi o que aconteceu comigo quando eu era criança, vi alguém fazer alguma coisa parecida e agora reproduzo, quero que isso aconteça com todas as crianças. O que eu mais espero é que isso se prolifere, percebi com o tempo a grandeza dessa atitude: melhora a sociedade.

CHK: O que significa a Motociclata da Solidariedade para o Nenê?
Nenê: É gratificante quando tudo termina. A gente faz pelos outros, mas também recebe muito em troca. Tudo isso só acontece porque existe a colaboração de diversas pessoas, eu sozinho não faço nada, muitos motoclubes ajudam a campanha. A solidariedade é uma filosofia do motociclismo. Muita gente vem ajudar e tudo vira uma grande festa. Eu tento incentivar as pessoas para ajudar os outros, é isso que eu faço e é legal demais, você percebe que a pessoa pode pensar diferente daqui pra frente.

Redação CHK

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Somos apaixonados por comunicação e pela Chácara Klabin. Acreditamos que moradores unidos têm o poder de transformar o bairro e a cidade onde vivem.
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