Miopia é a anomalia caracterizada por má visão à distância, a pessoa enxerga melhor o que está mais perto. Transpondo esse conceito à vida de muitos temos uma sociedade voltada para o agora, para o resultado rápido, competição feroz aumentando egoísmo e desinteresse a planejamentos completos, só superficiais. Se não consigo enxergar não tem valor ou nem sei se existe mesmo, o que os olhos não vêem o coração não sente, certo?

Uma das lições recentes que temos do empreendedorismo é não esperar ter cem por cento do plano completo para começar a agir. Você planeja até onde consegue inicialmente e parte para ação. A energia e resultados dessa parte vão retroalimentar o necessário para a próxima fase e assim por diante até sua completude. Mas isso não significa que o ato de empreender é míope. Todo empreendedor faz um plano de negócios, um esboço geral de onde quer chegar. O que ele não tem são todos os passos de todas as etapas, todas as adaptações que terá que fazer, mas sabe onde deseja chegar, tem a visão do todo lá na frente.

Todos nós enxergamos o mundo através de prismas individuais, é de nossa natureza. Vamos ver cada situação de acordo com nosso ângulo. Respeitar o ângulo de visão dos outros e tentar se colocar no lugar deles chama-se Assertividade. Quantos de nós realmente temos ou pelo menos tentamos adquirir essa qualidade? O que isso traz de lucro ou prejuízo em matéria de vida e finanças? Para mudar nossa natureza precisamos de sabedoria.

O conceito de sabedoria pode ser bem amplo e complexo. Quero trazer apenas um aspecto desse universo. Ao viver muitos anos no mundo corporativo, ter a necessidade de implantar novas culturas, fazer as pessoas enxergarem novas formas de fazer o que faziam igual a anos e ler muitas opiniões sobre mudança de cultura, observei algo que concordo. A adesão a uma nova cultura pode ser iniciada pela ação. Todos fazerem diferente primeiro e depois, com o tempo e melhorias provindas da prática, concluem a formação de uma nova cultura. Portanto se precisamos de sabedoria para mudar nossa natureza, concluo que sabedoria é ação!

Eu falei que esta coluna era sobre planejamento de vida atrelado a planejamento financeiro. Você pode estar se perguntando: dessa vez foi só sobre vida? Cadê o financeiro?

Pois bem, vou reforçar que sem planejar vida você não vai ser tão eficaz no financeiro. Por exemplo: quem se enquadra na descrição de míope vai enxergar investimentos que lhe tragam ganho rápido, bater índices, o que está na moda, acompanhar alucinadamente as mudanças do mercado, não ter reservas para o futuro (conforme dados recentes sobre a esmagadora maioria dos brasileiros), não vai enxergar riscos, o quanto outros podem estar se aproveitando da sua miopia e não vai mudar hábitos, ficando longe do alcance da sabedoria.

Foi mencionado no início o termo planejamentos completos. O que quis dizer com isso? São planejamentos com equilíbrio entre visão de curto e longo prazo, não somente “deixa a vida me levar”. É a visão do todo, mas também o acompanhamento dos passos e mudanças que ocorrerão no meio do caminho. Isso só será possível com a ação em tentar fazer algo novo, ampliar seus prismas e procurar ajuda de pessoas dedicadas e competentes. Você não terá esse plano todo no início, ele tem que ser completo ao longo da sua jornada. Quem usa o app Slack sabe que toda vez que é aberto ele traz uma frase de impacto. Essa eu reparei hoje e encaixa com esse texto: “The mystery of life isn’t a problem to solve, but a reality to experience” (O mistério da vida não é um problema a resolver, mas uma realidade a se experimentar).

Eduardo Lima

Eduardo Lima

Graduado em Administração, Pós-Graduado em Gerenciamento de Projetos, Certificações internacionais em Projetos e Riscos, Planejador Financeiro e de Vida.
[email protected]
Eduardo Lima