Por Marisa Ester Rosseto, Diretora Educacional do Colégio Marista Arquidiocesano, de São Paulo

 

Não faltam indicadores educacionais para avaliar a qualidade da educação nos âmbitos nacional e internacional. E os resultados não têm sido positivos. No ranking do PISA de 2015, o Brasil ocupou a 63ª posição na área de Ciências entre 70 países; no “Relatório Sobre o Capital Humano” de 2016, estudo do Fórum Econômico Mundial que avalia condições para o desenvolvimento pessoal e profissional, ficamos em 83º lugar entre 130 países. Há ainda muitos outros indicadores desfavoráveis. Mas quais mudanças são necessárias para mudar esse cenário?

Hoje vivemos em uma sociedade do conhecimento, hiperconectada e, segundo o professor da USP, José Moran (2015), baseada em três tipos de competências: a cognitiva, a pessoal e a social. A educação formal parece que já não cumpre seu papel e, com isso, ganha características híbridas. Os currículos, as tecnologias educacionais, os espaços e a didática dos professores precisam ser revistos. Temos uma mistura entre o ambiente físico (sala de aula) e os ambientes virtuais, as fronteiras estão cada vez mais invisíveis; os projetos ganham força nos currículos numa tentativa de romper com as práticas pedagógicas repetitivas e desconectadas do cotidiano e dos problemas sociais. Esses marcadores contemporâneos estão em voga porque as crianças e os jovens não aceitam mais modelos verticais, conteúdos fragmentados e sem sentido, eles querem horizontalidade, contextualizar e compreender o mundo.

Escolas atentas optam pela mudança, adotando, por exemplo, metodologias ativas, ou seja, metodologias com atividades complexas, problematizadoras, com desafio, construções e discussões coletivas, e, ainda, com possibilidade de acompanhar e compreender a avaliação de resultados com rapidez e clareza, dando suportes para auxiliar na superação das dificuldades de aprendizagens e objetividades na condução dos necessários desvios de rotas de planos de ensino.

Estas metodologias auxiliam os alunos na tomada de decisões, na ampliação de repertórios e na autonomia, com apoio e orientação do professor, para pesquisar e saber lidar com linguagens diferenciadas. Estamos tratando aqui de tarefas práticas, utilitárias, que dialogam com a vida cotidiana, mas não simplistas. O foco da aprendizagem está no aluno e deve haver diálogo constante entre ele e o professor e ele e seus pares. A gamificação aparece como parte da tecnologia educacional cada vez mais utilizada nos espaços de aprendizagens da escola, pois traz diferentes níveis de desafios, entusiasmo competitivo e colaborativo, a partir das dinâmicas de jogos com foco em resoluções de problemas que podem melhorar o aprendizado e o desenvolvimento de habilidades socioemocionais.

O grande diferencial das metodologias ativas está na mudança de postura do aluno – de passivo para ativo – e também do professor que deve ter um papel de orientador, de guia, condutor e não somente “transmissor” de conteúdo.

Outro movimento que cresce nas escolas é a aula invertida, conceito bem conhecido e utilizado nas Universidades. Nessa didática, o aluno deve se preparar, ler ou assistir algum vídeo, documentário ou mesmo uma aula gravada de seu professor para iniciar o assunto e, assim, chegar para a aula mais preparado para iniciar uma discussão e ampliar conhecimentos.

Por fim, não dá para resistir às mudanças, precisamos enfrentá-las, sem desconstruir nossa história; caminhamos para o diálogo entre as diferentes áreas do conhecimento.

 

Redação CHK

Redação CHK

Somos apaixonados por comunicação e pela Chácara Klabin. Acreditamos que moradores unidos têm o poder de transformar o bairro e a cidade onde vivem.
Redação CHK