Cineasta dá palestra e faz curadoria de mostra no projeto Cortina Fechada: Territórios da Arte

No dia 6 de junho, às 20h, o Auditório do Sesc Vila Mariana recebe os cineastas Lúcia Murat e Vladimir Carvalho para a palestra Impressões sobre a Censura no Cinema. O bate-papo marca o início da mostra A Censura na História do Cinema, que terá exibições sempre às terças, 20h, até o dia 18/7 com curadoria de Lúcia. A primeira obra a ser exibida é o longa O País de São Saruê, de Carvalho, no dia 13/6. A mostra faz parte do projeto Cortina Fechada: Territórios da Arte, que traz uma discussão acerca das diferentes formas de censura sofridas por artistas e obras em vários contextos históricos. Manifestações artísticas de diversas linguagens formam um panorama amplo do assunto.

Além da mostra com curadoria de Lúcia Murat, a programação de cinema do Cortina Fechada conta ainda com exibições, aos sábados, 14h, de filmes que discutem a relação entre criadores e censura, divididos em eixos temáticos. Os próximos filmes a serem exibidos são Reinado do Terror (direção de Joseph H. Lewis), no dia 3, e Cúmplice das Sombras (direção de Joseph Losey), no dia 10, que compõem o eixo Macarthismo nos EUA.

Cortina Fechada: Territórios da Arte

O projeto Cortina Fechada – Territórios da Arte propõe a discussão sobre a produção cultural e seus contextos sociais e políticos por meio de três eixos temáticos: quando a obra é proibida de circular; quando o artista é proibido de sair de seu país; e quando o artista é obrigado a sair de seu país para continuar produzindo.

Cinema

Mostra “A Censura na História do Cinema” – curadoria de Lúcia Murat

A mostra tem início com a palestra Impressões sobre a Censura no Cinema, em que Lúcia Murat conversa com Vladimir Carvalho e explica o recorte curatorial dos filmes que serão exibidos durante os meses de junho e julho. As histórias dos filmes se unem a relatos da sua juventude como presa política e o cenário de censura a artistas durante a ditadura militar. Vladimir Carvalho relata a experiência de ter tido seu filme O País de São Saruê censurado pelo regime militar e de ter vivido na clandestinidade. A conversa acontece às 20h do dia 6 de junho, terça-feira, gratuitamente, com retirada de ingressos com uma hora de antecedência, na Central de Atendimento do Sesc Vila Mariana.

Na terça seguinte, dia 13, no mesmo horário e local, acontece a exibição de O País de São Saruê, um documentário sobre a região sertaneja do Rio do Peixe e a evolução de suas atividades econômicas. Inspirado no título de um cordel do autor paraibano Manoel Camilo dos Santos, o filme versa sobre a relação do homem e da terra. No ano em que foi finalizado (1971), o longa foi selecionado para o Festival de Cinema de Brasília, mas por decisão da justiça foi substituído e ficou mais de dez anos impedido de ser exibido no Brasil.

Lúcia Murat, nascida em 1948, estudou economia e se envolveu com o movimento estudantil. Com a decretação do AI-5, em dezembro de 1968, entrou para o grupo MR-8. Presa em 1971, foi torturada e encarcerada por três anos e meio. Seu primeiro longa-metragem, o semi-documentário Que bom te ver viva(1988), estreou internacionalmente no Festival de Toronto e revelou uma cineasta dedicada a temas políticos e feministas.

Vladimir Carvalho é um dos mais importantes documentaristas do país e foi corroteirista de Aruanda (1960), de Linduarte Noronha, um dos documentários que marcaram o inicio do Cinema Novo. Em 1962, foi assistente de produção da primeira fase de Cabra marcado para morrer (1984), de Eduardo Coutinho. Com o golpe militar de abril de 1964, Vladimir Carvalho e Eduardo Coutinho tiveram de interromper as filmagens e viver na clandestinidade.

Exibições

Desde abril, o projeto Cortina Fechada: Territórios da Arte apresenta obras cinematográficas exemplares para a discussão sobre as implicações da censura sobre o pensamento e o fazer artístico. Alguns contextos estão sendo explorados, durante o projeto: Luís Garcia Berlanga e a Espanha de Franco; Alemanha e o Nazismo; A censura no Leste Europeu; Macarthismo nos EUA; e Panahi e o Irã.

Compondo o quarto eixo temático da mostra, Macarthismo nos EUA, nos dias 3 e 10 de junho, serão exibidos Reinado do Terror, de Joseph H. Lewis, e Cúmplice das Sombras, de Joseph Losey.

Em Reinado do Terror, Prairie City, no Texas, é uma pequena cidade que tem um “dono”, Ed McNeil (Sebastian Cabot). Com a ajuda de pistoleiros, comandados por Johnny Crale (Nedrick Young), McNeil aterroriza a população e a força a vender suas terras, pois sabe que há uma quantidade enorme de petróleo na região. O proprietário Sven Hansen (Ted Stanhope), um sueco que pescara baleias no passado, é assassinado por Johnny, pois não quis vender suas terras. Logo depois George Hansen (Sterling Hayden), o filho de Sven, chega no lugarejo e, vendo que o xerife (Tyler McVey) é corrupto, vê como única alternativa agir por conta própria.

Após a exibição, haverá bate-papo com Careimi Assman e Luís Pavan.

Joseph H. Lewis (1907 – 2000) era diretor de cinema e desenvolveu um estilo de filme “cult” conhecido como B-western e filme “noir”.  Em Reinado do Terror, a presença da delação e do clima de intimidação na narrativa é decorrente da experiência negativa associada ao período do Macarthismo, reforçada, sobretudo, por aqueles que sofreram perseguição. Entre eles, o roteirista do filme, Dalton Trumbo, que invocou a quarta emenda da Constituição dos EUA, que garante o direito de expressão, recusando-se a depor no Congresso, na comissão que investigava atividades antiamericanas, mas foi incriminado e entrou para a lista negra, sendo impedido de assinar roteiros em Hollywood.

Em Cúmplice das Sombras, atendendo ao chamado de uma bela garota que se assustou com a presença de um invasor no quintal de casa, o policial Webb Garwood (Van Heflin) se apaixona pela vítima. Mas Susan (Evelyn Keyes), a mulher em questão, é casada com um rico radialista. Cego de amor, Webb arma um plano diabólico para livrar-se do marido e ficar com a amada, iniciando uma reação em cadeia que provocará uma tragédia.

Joseph Losey (1909 – 1984) teve sua carreira interrompida, no início da década de 1950 pela ação do macarthismo, que incluiu o seu nome na famigerada lista negra de Hollywood. Impedido de trabalhar, muda-se para Inglaterra. Mesmo distante da América, é obrigado a usar pseudônimo nos filmes que dirige, ou, pior, sofre o constrangimento de vê-los assinados por um “testa de ferro”.

A programação de cinema do projeto Cortina Fechada: Territórios da Arte prossegue até julho com os demais eixos temáticos e com a mostra A Censura na História do Cinema: Filmes selecionados pela cineasta Lúcia Murat.

Saiba mais sobre o projeto Cortina Fechada: Territórios da Arte, acessando o Portal Sesc SP:bit.ly/CortinaFechada

Serviço:

Cortina Fechada: Territórios da Arte
Cinema

palestra

Impressões sobre a censura no cinema
Com Lúcia Murat e Vladimir Carvalho
Dia 06 de junho, terça-feira, às 20h
Auditório (capacidade: 128 lugares)
Duração: 120 minutos
Não recomendado para menores de 16 anos
GRÁTIS | Retirada de convites com uma hora de antecedência na Central de Atendimento

exibições

Macarthismo nos EUA
Reinado do Terror
(Dir. Joseph H. Lewis, EUA, 1958, 80 min., P&B)
Dia 03 de junho, sábado, às 14h
Auditório (capacidade: 128 lugares)
Duração: 80 minutos
Não recomendado para menores de 16 anos
Grátis | Retirada de ingressos com 1h de antecedência na Central de Atendimento
*após a exibição, haverá bate-papo com Careimi Assman e Luís Pavan.

Cúmplice das Sombras
(Dir. Joseph Losey, EUA, 1951, 90 min., P&B)
Dia 10 de junho, sábado, às 14h
Auditório (capacidade: 128 lugares)
Duração: 90 minutos
Não recomendado para menores de 16 anos
Grátis | Retirada de ingressos com 1h de antecedência na Central de Atendimento

O País de São Saruê
(Dir. Vladimir Carvalho, Brasil, 1971, 80 min., P&B)
Dia 13 de junho, terça-feira, às 20h
Auditório (capacidade: 128 lugares)
Duração: 80 minutos
Não recomendado para menores de 16 anos
Grátis | Retirada de ingressos com 1h de antecedência na Central de Atendimento

Horário de funcionamento da Unidade: Terça a sexta, das 7h às 21h30; sábado, das 9h às 21h; e domingo e feriado, das 9h às 18h30.

Central de Atendimento (Piso Superior – Torre A): Terça a sexta-feira, das 9h às 20h30; sábado, domingo e feriado, das 10h às 18h30.

Estacionamento: R$ 5,50 a primeira hora + R$ 2,00 a hora adicional (Credencial Plena: trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes). R$ 12 a primeira hora + R$ 3,00 a hora adicional (outros). 200 vagas.

Sesc Vila Mariana
Rua Pelotas, 141, São Paulo – SP
Informações: 5080-3000
sescsp.org.br
Facebook, Twitter e Instagram: /sescvilamariana

Redação CHK

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