Em entrevista para a revista CHK a Capitão Sheila, responsável pelo policiamento da Chácara Klabin, fala sobre a situação do bairro, a atuação da Polícia Militar e as reclamações dos moradores

No segundo semestre de 2013 a Segunda Companhia do 11º Batalhão da Polícia Militar, responsável pelo policiamento da Chácara Klabin, Vila Mariana, Cambuci, Glicério, Vila Monumento, Jardim da Glória e Aclimação, mudou de comandante. No lugar do Capitão Roman, que comandou a companhia por 4 anos, assumiu a Capitão Sheila, oficial da Polícia há quase 20 anos, com experiência no policiamento de rua nas quatro regiões da cidade de São Paulo.

Segurança é um dos temas mais presentes nas reclamações dos moradores da Chácara Klabin, e por isso nos reunimos com a Capitão para levar até o comando da Polícia os principais problemas relatados pela comunidade. Fomos recebidos na Base Comunitária da Av. Prefeito Fábio Prado, onde conversamos sobre a situação do bairro, a atuação da Polícia Militar, a função da Base Comunitária e o conceito da segurança participativa.

Cap Sheila

Cap Sheila

CHK: Nós recebemos muitas reclamações sobre falta de policiamento na Chácara Klabin. O que você, como responsável pelo policiamento da Chácara Klabin, tem a dizer sobre isso?

Capitão Sheila: De todos os bairros que a 2ª Cia abrange, o Klabin é o que conta com o maior efetivo de policiamento. Na Base Comunitária são 17 policiais, divididos em 4 turnos de serviço, fora um Sargento que cuida de toda a região e a Sargento Aline que controla toda a operação da Base. Nós temos outros bairros com índices de ocorrências criminais bem maiores e que mesmo assim não dispõem desse efetivo. No Cambuci, por exemplo, tenho outra Base Comunitária em uma região de comércio intenso, que não conta com a quantidade de policiais que temos atualmente na Chácara Klabin. Ao contrário do que possa parecer, 17 policiais é um número que representa uma parte considerável do efetivo que a 2ª Cia dispõe para cuidar de 7 bairros.

CHK: Por que temos tantas reclamações de moradores dizendo que não veem a polícia circulando pelo bairro?

Capitão Sheila: Nós temos uma viatura que atende só a Chácara Klabin. Por dia são 5 viaturas rodando na região inteira, e uma delas está fixa aqui. Ela faz o patrulhamento no bairro, baseada em uma rota que é traçada semanalmente. Esta é atualizada através de informações fornecidas pelos índices criminais e Infocrim. Isso se chama CPP, Cartão Prioritário de Policiamento, que é o que determina onde uma viatura vai ficar estacionada, em qual horário ela vai passar em determinada rua, fazendo uma ronda ostensiva para prevenção do crime. Todas as ruas são patrulhadas, mas a prioridade da rota é determinada pelo CPP.

CHK: E sobre a demora na hora de atender aos chamados? Como a viatura pode demorar 10 minutos pra chegar se a Base Comunitária está dentro do bairro?

Capitão Sheila: É necessário entender esse funcionamento de ronda das viaturas para calcular o tempo de reposta quando a Base é acionada. Na maioria das vezes essa viatura estará cumprindo a rotina de patrulhamento quando é acionada, o que pode aumentar ou diminuir o tempo que ela leva para chegar ao local onde foi feito o chamado. Se essa viatura da Base já estiver realizando uma operação, será deslocada uma outra viatura que pode vir, de repente, do Cambuci ou de outro bairro próximo.

CHK: Já recebemos reclamações sobre a Base estar fechada durante a noite. Por que isso acontece?

Capitão Sheila: Durante a noite o procedimento é diferente, sendo apenas dois policiais de serviço por turno. Assim, eles recebem orientação para alternarem entre 40 minutos de ronda e 20 minutos estacionados na Base, que fica trancada na ausência dos policiais. Da mesma forma que o bairro não pode ficar desprotegido, sem policiais circulando, a Base não pode ficar desguarnecida.

CHK: Sobre os índices criminais, tivemos acesso ao mapa de ocorrências em nosso bairro e constatamos que os números são muito menores do que os relatos que recebemos pelo portal da Chácara Klabin. Como isso pode ser explicado?

Capitão Sheila: Isso acontece porque na maioria das vezes a vítima deixa de fazer o Boletim de Ocorrência. Isso vale para pontos como, por exemplo, os cruzamentos da Rua Francisco Cruz com a Vergueiro e a Avenida Lins de Vasconcelos, sobre os quais há muitos relatos na internet, mas pouquíssimos boletins de ocorrência. Para a própria segurança da comunidade, a rotina de patrulhamento das viaturas não é traçada pela preferência de um ou outro policial, mas pelos índices criminais. Assim, nenhuma área é privilegiada, todo deslocamento é justificado ao comando e monitorado por GPS. Ou seja, a Polícia precisa dos Boletins de Ocorrência com o máximo possível de informações, para que seja possível montar um plano de ação para uma determinada região. Posteriormente será verificado se a viatura passou pelos pontos solicitados e será cobrado um relatório do policial sobre os pontos patrulhados.

CHK: Há relatos de bandidos que já foram presos e que voltam a cometer assaltos no mesmo local. Como isso é possível?

Capitão Sheila: Com as leis que temos no Brasil, não basta que a Polícia apenas efetue a prisão. Além do B.O, é preciso que a vítima se disponha a ir até a delegacia fazer o reconhecimento dos indivíduos. Precisamos dessa cooperação para que o bandido não volte para as ruas. Para isso, não é preciso ficar frente a frente com os indivíduos, o que costuma ser um dos principais receios da vítima. Basta comunicar ao policial que esteja na delegacia que você deseja fazer o reconhecimento e não quer ser visto, e ele o conduzirá até uma sala especial para isso.

CHK: Qual é o papel do morador na segurança do bairro?

Capitão Sheila: Esse conceito de cooperação entre moradores e polícia é a base da segurança comunitária. A Polícia não pode estar em todo lugar ao mesmo tempo, por isso nós precisamos da ajuda dos moradores. Além da comunicação rápida, o morador de uma cidade como São Paulo deve saber que há procedimentos básicos de segurança que devem ser seguidos. Por exemplo, quando você vai ao banco, sabe que não pode pedir ajuda a estranhos, que não deve contar o dinheiro em público, e que precisa verificar se está sendo seguido ao sair da agência. Isso vale para outras situações do dia a dia. Eu queria deixar o policiamento 24 horas por dia nos pontos onde os moradores reclamam, queria que houvesse uma viatura pra cada rua do bairro, mas nós temos que trabalhar com o que temos. Não podemos ter polícia em todos os lugares, mas podemos ter olhos em todas as ruas. Me refiro aos porteiros, aos moradores, à empregada doméstica que anda pelo bairro de manhã. Uma comunidade participativa em parceria com a polícia é capaz de alcançar o bem comum a todos os moradores. Bandido nenhum resiste a uma comunidade unida e ativa.

CHK: O que falta pra que haja essa relação mais próxima entre a Polícia e os moradores?

Capitão Sheila: É preciso saber que os policiais aqui são seres humanos, são trabalhadores que deixam suas famílias e vêm aqui para fazer a diferença. É isso que a gente cobra de cada policial. Nos próximos meses nós queremos promover algumas atividades de caráter social aqui na Base, para fortalecer esse vínculo entre a polícia e os moradores. A ideia do policiamento comunitário é que o morador visite a Base, conheça os policiais pelo nome e que tenha um contato direto com esse policial. Os profissionais que aqui estão foram direcionados para a Chácara Klabin por terem esse perfil de policiamento comunitário, por isso estamos sempre orientando o pessoal em relação ao bom atendimento e relacionamento com os moradores. O policial está aqui pra ajudar.

Sarg. Aline

Sarg. Aline

Tanto a Capitão Sheila quanto a Sargento Aline, responsável direta pela Base Comunitária da Chácara Klabin, colocaram-se à disposição para dar maiores esclarecimentos a quem quiser fazer uma visita à Base e conhecer melhor o trabalho da Polícia Militar. Da mesma forma, nós do portal e revista Chácara Klabin continuaremos levando até os responsáveis as principais reclamações dos moradores. Acreditamos que esse relacionamento traz mais benefícios para o bairro do que a simples indignação sem atitudes. Como disse a Capitão Sheila, e nós concordamos, “juntos somos fortes”!

Redação CHK

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Somos apaixonados por comunicação e pela Chácara Klabin. Acreditamos que moradores unidos têm o poder de transformar o bairro e a cidade onde vivem.
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