Para quem ainda não leu o primeiro artigo da série acesse aqui. Essa é a parte final sobre as peculiaridades dessa época de final de ano na nossa cultura com foco no equilíbrio vida e dinheiro.

Vou começar com as tradicionais confraternizações, amigo secreto, encontros de turma, etc, que se multiplicam nessa temporada. Você pode gostar mais ou menos dessas festas, não importa, faz parte da nossa cultura portanto devemos aprender a conviver. Isso quer dizer, aprender a gastar o que pode para estes fins. A frase chave aqui é que o exagero tira o equilíbrio. Se empolgar com o momento ou querer fazer bonito demais pode desbalancear suas finanças e ter impactos em outras coisas mais importantes. Cuidado com os prazeres momentâneos, não perca a visão do todo.

Mesmo porque logo em seguida virá o Natal. Papai Noel não sei se vem mas presentes e comilança são presença garantida. O ponto sobre gastos com presentes usando o 13° salário já mencionei na parte 1 deste artigo. Vou acrescentar aqui a parte do gasto por emoção. Não há dúvida que é uma época bonita, de encontros familiares com aspectos especiais. Mas que tal valorizar realmente o sentimento diferente dessa época mudando seu pensamento. Dê lembranças não só presentes, mude o “isso é só uma lembrancinha” (fala comum para se desculpar da obrigação de dar presente mesmo sem poder muito) por “esse é um presente singelo para celebrar nosso momento de Natal juntos”. Quem realmente se importa conosco aprecia mais seu bem estar e seu honesto sentimento do que um presente além das suas posses.

Quanto a crianças cabe a escolha da educação, do trabalho árduo de filtrar as influências externas de consumismo. Em geral eu falo para meus clientes que o investimento no trabalho com um planejador, que trará além de outras coisas educação financeira, também vai servir para os filhos. Se os pais não têm tal conhecimento, não há como transmitir aos filhos. E não podemos esquecer que crianças aprendem de forma mais intensa que adultos, principalmente por repetição. Mas o bom é que elas possuem a capacidade de trabalhar sentimentos muito melhor que adultos. Escolher entre a presença dos pais e um presente, elas vão preferir a presença.

“O Ano não vai ser realmente novo se você for o mesmo”. Uma semana depois vem, junto com o Carnaval, o feriado com apelo quase irresistível para festas e viagens: o reveillon. Só que para complicar a tentação ele vem junto com uma época de férias escolares, de muitas empresas e alguns comércios. Preços lá em cima devido a alta temporada mais o apelo do momento é igual a gastar mais do que deveria. Aqui eu repito que ser proativo é ganhar mais dinheiro e vida, basta investir em planejamento, o único investimento que você aprende a viver o valor dos demais. Se ainda não conseguiu essa mudança, o que fazer? Ver os fogos pela televisão? Não comemorar? Não precisa ser tão melancólico mas tenha equilíbrio através da consciência. Entenda que sucesso é proporcional à sua sabedoria da realidade.

E para encerrar a narrativa de nossos costumes, temos uma carga de impostos e despesas concentrados no início do ano (IPVA, matrículas escolares, etc). Juntando tudo, temos em cerca de 2 meses despesas bem acentuadas encobertas por ganhos extras. É uma equação química explosiva. Precisamos neutralizar esse ciclo, entender que nossa cultura precisa evoluir. Se não podemos mudar os eventos e necessitamos de resultados melhores, precisamos mudar nossa atitude. Devaneios e otimismo são bons para inspirar novos planos. Mas foco é necessário para executar o que foi planejado e atingir a mudança para melhor. Cuidado para ficar com dívidas não só com o banco ou com o cartão de crédito, mas também com o seu plano de ano novo.

Eduardo Lima

Eduardo Lima

Graduado em Administração, Pós-Graduado em Gerenciamento de Projetos, Certificações internacionais em Projetos e Riscos, Planejador Financeiro e de Vida.
[email protected]
Eduardo Lima