Por que desejo um filho?

Parece uma questão inocente.

Mas será que os futuros pais têm se dedicado a respondê-la com a atenção e com a profundidade que ela merece?

Muitos casais acreditam que planejamento familiar diz respeito somente ao “momento cronológico” ou “financeiro” em que um bebê começa a ser cogitado pela família.

Isso tem sua importância relativa. Mas o principal a se saber neste planejamento é “por que” se deseja um novo membro na família. Quais as razões e motivações que fazem os pais acreditarem que é o momento para gerarem uma vida nova?

Mais objetivamente, por que desejam um filho?

Tenho encontrado as mais diversas respostas a essa questão na experiência de consultório:

“Estamos prontos financeiramente”

“A idade está chegando, não podemos esperar mais”

“A nossa vida de casal anda muito vazia, incompleta”

“A família está cobrando. Todos os casais da família já têm filhos, menos nós”

“É uma realização pessoal”

E tantas outras respostas…

mae1Futura mamãe, futuro papai, perguntem a si mesmos: por que querem um filho agora? E não descansem enquanto não tiverem respostas muito claras. As respostas que encontrarem formarão o pano de fundo psicológico e emocional em que o futuro filho irá crescer.

Especialmente à futura mamãe ou àquele que desempenhará o papel da maternagem, reflita nas seguintes questões:

– Verifique se aquilo que você deseja leva em consideração a necessidade de doar-se integralmente a um pequeno ser nos primeiros meses de convivência. O bebê junto à mãe estrutura os moldes psíquicos nos primeiros meses de vida, por isso a atenção e dedicação total ao bebê nesse período é essencial para a saúde do filho.

– Procure entender se está em seus planos amparar e dedicar-se plenamente ao seu filho, entendendo que você será todo o mundo dele por algum tempo. No início da vida o bebê não tem suas estruturas psíquicas formadas e, portanto, funde-se psiquicamente à mãe. Ela será seu universo, seu mundo, como se ele, bebê, e ela mãe, formassem um organismo único.

– Perceba se há espaço em sua vida para alegrar-se com a amamentação, que é o momento de encontro, fusão, doação completa e incondicional. Sabe-se hoje mais que nunca que o processo da amamentação é fundamental para promover a saúde física e emocional do bebê. É neste processo que o bebê vai apreendendo o mundo e os sentimentos associados à amamentação.

– Considere a realidade de estar envolta com os cuidados físicos, ofertando seu toque, sua voz, seu cheiro, seu colo, sua sustentação constante. É nesse período da vida que o bebê formará suas primeiras percepções sobre criatividade, afeto e principalmente segurança íntima. Por isso, sentir-se amparado nas suas angústias iniciais propiciarão um sentido de segurança íntima formando as bases emocionais para enfrentar os desafios que surgirão de acordo com cada idade.

– Questione se poderá contar com um ambiente facilitador, que auxiliará o exercício pleno da maternagem, dedicando-se profundamente ao bebê. Um ambiente facilitador é tão importante para o bebê quanto para a mãe. Como vimos acima, a mãe deverá estar livre para dedicar-se plenamente ao bebê. É importante, então, que o ambiente esteja suficientemente organizado de modo que alguém possa se responsabilizar pelas questões práticas do dia a dia, nos primeiros meses de vida do bebê.

Todas essas questões são fundamentais para a saúde emocional do bebê em seus primeiros meses de vida e estão sob a responsabilidade dos pais.

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Outras questões surgirão no desenvolvimento do bebê e do processo da maternagem, o que demandará novos questionamentos.

Um bom planejamento familiar deve levar em consideração o estado emocional dos pais e uma boa dose de segurança naquilo que pretendem para o futuro filho.

Afinal, os primeiros meses de vida do bebê são determinantes na construção de uma base psíquica sadia e fortalecida, que é o desejo de todos os pais.

Pensem com muito carinho nisso.

Um abraço e até a próxima!

Andrea Tarazona

Andrea Tarazona

26 anos como Psicoterapeuta. Especializada em Psicologia Clinica e Psicologia Institucional. Atuando nas áreas: Psicoterapia de Adultos (individual e casal) e Adolescentes, Orientação para pais e gestantes.
Andrea Tarazona