É interessante observar as ondas de gestão que as corporações adotam, muitas vezes, por um curto período de tempo, e sem necessariamente colher os resultados de cada processo. Muitas em busca de grandes ideias e inovações, sendo que algumas delas estão mais perto do que se imagina.

Essa palavrinha acima, em inglês fica até mais sonora: serendipity. Tem nome de filme, tem lenda mas nem sempre dá para explicar como acontece porque é um processo individual. A inovação está presente na nossa vida há muitos anos, a história do nosso tempo reflete a inovação através de ciclos econômicos, como por exemplo, a explosão de grandes ideias na época do Renascimento. Mundo cada vez mais conectado, grande convergência de culturas e disciplinas, resultando em inovações interseccionais que transformam ideias advindas de diversas áreas, locais e mentes.

Já ouviu falar? Serendipidade é um termo que advém de um conto de fadas persas sobre “Os três príncipes das Serendip”. Serendip (do árabe Sarandíb) é a denominação de um antigo país que já foi chamado de Ceilão e hoje é a Sri Lanka, uma ilha a leste da Índia, na Ásia. O rei de Serendip chamou seus três filhos antes de falecer para transferir o poder e dizer que havia um grande tesouro muito próximo da superfície em suas terras.

Os três príncipes mobilizaram os homens do reino para cavar a terra, mas após anos e anos, não encontraram nenhum tesouro. Mas a terra revolvida resultou nas colheitas mais prósperas de toda a história daquele reino. No lugar do tesouro, tiveram colheitas abundantes. Muitas invenções e descobertas são atribuídas ao acaso, mas muitas, ao fenômeno da serendipidade. Em seu livro Seeds of Discovery, o economista indiano, William Beveridge, distingue três diferentes tipos de descobertas ocasionais: intuição a partir de justaposição de ideias, o que chamarei aqui de intersecções, intuição do tipo eureca e serendipity.

Mas foi em 1754 que Horace Walpole, escritor e político inglês, usou a expressão para as descobertas ocasionais diferentes daquelas que estavam sendo buscadas. Já Umberto Eco diz que o vocábulo é tema de “excursões em erudição”, publicando em 1998, nos Estados Unidos um ensaio “Serendipities: Language and Lunacy” .Vale a pena ler. Há serendipidades científicas famosas, tais como o banho de Arquimedes, a maçã de Newton e o post it de Art Fry, que em 1970 descobriu por acaso esse artefato que usamos tanto para brainstorming e atividades de ideação. Você sabia que uma das serendipidades históricas é a conhecida viagem de Cristóvão Colombo? Ele navegava procurando a índia, mas encontrou um novo continente para explorar.

Quando um fenômeno, um evento, uma observação são detectados por mentes preparadas e adequadamente interpretadas podem gerar descobertas, inventos, teorias, conhecimento para que o homem se adeqüe cada vez mais as novas necessidades de um mundo moderno. A inovação nos dias de hoje tem certa serendipidade na capacidade de criar novo valor justamente na intersecção entre negócios e tecnologias. A convergência das ciências, a revolução digital e o deslocamento das pessoas, proporcionam muitas possibilidades de intersecções e serendipidades. Nunca tivemos tantas oportunidades para criar e inventar.

 

Ah mas a tal da serendipidade, com suas descobertas aleatórias, é para curiosos, exploradores, interessados em diferentes assuntos e temas. Com suas mentes abertas, conseguem enxergar e integrar tendências e padrões sobre determinado assunto. Acontecimentos aleatórios, descobertas ocasionais, acontecem com todo mundo e a toda hora. Serendipidades que podem virar inovação. Criações autorais e novos mercados. Essa tal de serendipidade anda a espreita por aí. Esteja com a mente aberta e conectada que ela aparece.

Martha Terenzzo

Martha Terenzzo

Profissional multifacetada com experiência de mais de 25 anos na área de Marketing e Inovação. Diretora da Inova 360º, empresa de Inovação e Negócios. Sócia da Storytellers Brand´N Fiction.
Martha Terenzzo