Exposição dá a sensação de estar andando pelas nuvens! Mas a proposta do artista é inusitada

Imagine poder andar sobre as nuvens e, ao mesmo tempo, perceber suas transformações? Esta é a sensação passada na exposição “Espuma”, da Japan House. Inagurada em 23 de setembro, foi criada por Kohei Nawa, um dos mais reconhecidos jovens artistas do Japão. Seu profundo interesse pela maneira como as coisas se organizam ou se desorganizam é a essência desse primeiro projeto monográfico de um artista contemporâneo no local. Espuma: pequenas bolhas ou células que, constantemente, se formam na superfície de um líquido similar a um sabão. Elas vão se acumulando para formar uma estrutura autônoma, cada bolha estando condicionada ao seu ciclo de nascimento e destruição, de forma similar à condição de nossas próprias células, que circulam, metabolizam e morrem.

Caminhar por esse espaço é uma experiência similar a caminhar sobre nuvens, mas nuvens de matéria orgânica, como as estruturas de nosso interior. Essa ideia do encontro entre a paisagem imaginária e a paisagem interior é algo desconcertantemente inovador – e, se considerarmos que é feito pelo resultado da simulação entre as técnicas industriais, químicas e tecnológicas nas mãos de um artista, ainda mais. Retratar as dinâmicas bioquímicas dos seres vivos e, ao mesmo tempo, criar um sistema de simulação vivo, que reage aos estímulos de seu interior, também é um feito poderoso do encontro de escalas entre a presença do mundo real e a dinâmica do mundo microscópico.

Kohei Nawa é uma ficção científica. Suas receitas são sempre inusitadas e sempre estão no limite da inviabilidade técnica. Ele desafia a linguagem que inventou para expandir os limites da relação que essas disciplinas podem estabelecer com a arte. Nawa pode ser considerado como pertencente à tradição dos artistas alquimistas, que inventavam o próprio meio enquanto faziam arte. Por outro lado, é coerente com a multidisciplinaridade japonesa, que busca formas de manifestar inovação e pesquisa como vetores da expressão artística. A arte japonesa, mesmo quando conceitual, é sempre pautada pela expressão do objeto. Kohei Nawa transforma fortes conceitos em objetos às vezes tangíveis, às vezes intangíveis. O sublime de sua obra está em dar forma e imagem às silenciosas moléculas invisíveis de que somos feitos. Abrir essa porta da percepção é como abrir um telescópio para dentro de nossa origem mais vital.

A exposição estará na Japan House até o dia 12 de novembro.

Espuma - Japan House

 

ESPUMA | Kohei Nawa
De 23 de setembro a 12 novembro
JAPAN HOUSE São Paulo – Avenida Paulista, 52 – Segundo andar
Horário de funcionamento:
Terça-feira a sábado: das 10h às 22h
Domingos e feriados: das 10h às 18h
Entrada gratuita.

Redação CHK

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