O projeto social “Serenidade do Toque”, fundado em 2006, é uma grande oportunidade para deficientes visuais renovarem suas vidas

Os quiropraxistas Cícero Mesquita e Alice Rossi possuíam um consultório no centro na cidade, quando receberam uma ligação da Associação Laramara (Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual) e se tornaram professores voluntários, oferecendo cursos de massagem para deficientes visuais. A conversa daquela ligação foi o sinal para que o projeto de massagem inclusiva, “Serenidade do Toque”, ganhasse vida.

Hoje, com mais de 10 anos de história, o Serenidade do Toque trabalha em parceria com a Associação Laramara e a Fundação Dorina Nowill, com foco na qualidade de vida através dos benefícios da massagem e do cuidado com o corpo e a mente, não apenas formando, mas fazendo toda a capacitação com treinamentos e oferecendo todo apoio possível ao deficiente visual. São mais de 530 pessoas formadas em cursos realizados que ensinam a Quick Massage, a Reflexologia podal e nas mãos, a oriental Zen Shiatsu e a massagem clássica.

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Minoru Nagahashe trabalhava com TI na Fundação Dorina, e após a aposentadoria, decidiu ir atrás do sonho de trabalhar com a massagem. Hoje, é terapeuta no Serenidade do Toque e sócio proprietário, junto com Cícero e Alice, sendo responsável pelo espaço da França Pinto, na Vila Mariana. “Todos os massagistas são deficientes visuais, sendo totalmente cegos ou de baixa visão, como o meu caso. São essas duas categorias, mas não existe distinção. Aqui fazemos o treinamento, atendemos clientes e também realizamos palestras de diversas áreas como psicologia, anatomia, quiropraxia, entre outras”, explica. São mais de 80 terapeutas trabalhando em eventos que podem ser ações gratuitas como no Teleton (possuindo a AACD como parceria) e eventos contratados por empresas, além dos espaços In Company, onde é levado toda estrutura para que os terapeutas atendam fixamente as empresas.

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Além de todo processo de formação, o Serenidade do Toque também auxilia com a parte da empregabilidade, oferecendo toda a consultoria para as empresas que procuram o projeto na hora da contratação de deficientes visuais para cumprir a lei de cotas. A Organização Mundial da Saúde mostra que menos de 5% das pessoas com deficiência visual são empregadas no Brasil. Minoru afirma que essa dificuldade vem da cultura em primeiro lugar, explicando que as empresas ainda não sabem como lidar com o deficiente visual. “Coisas como por exemplo, conduzir o deficiente, sem ficar pegando ou puxando e a questão das portas, que não podem deixar entreabertas. Fazemos o mapeamento do espaço e mostramos aos deficientes para se adaptarem melhor e mais rápido ao ambiente”.

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Com o início no Japão há muito tempo, a massagem realizada e desenvolvida por deficientes visuais ser tornou muito comum ao redor do mundo, até os dias atuais. A falta de visão deixa todos os outros sentidos muito mais aguçados, porém, Minoru explica que não se trata de uma verdade absoluta pois cada um possui sua melhor habilidade e não são todos que possuem maior sensibilidade tátil. Ele garante que as pessoas percebem a diferença na massagem de um deficiente visual, por meio de um toque diferenciado.

Ao longo desses 10 anos, o Serenidade do Toque guarda muitas histórias, como a de uma mulher que perdeu a visão, o marido e tudo que tinha, agora é uma das melhores terapeutas do Serenidade do toque, ajudando seu filho a se formar na faculdade. O terapeuta conta que o local dá a oportunidade para a pessoa resgatar sua dignidade e ter sua independência financeira sem contar apenas com os benefícios que o governo oferece. “Um cego possui todas as virtudes e defeitos de um ser humano. Alguns lidam melhor com essa deficiência, outros não. O Serenidade do Toque é, digamos, uma opção a mais para o deficiente”, explica.

A ideia de Cícero, Alice e Minoru para os próximos 10 anos é que o projeto Serenidade do Toque forme suas unidades comerciais e tenha sua própria sede, para os treinamentos e palestras que irão preparar novos recomeços.

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Redação CHK

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Somos apaixonados por comunicação e pela Chácara Klabin. Acreditamos que moradores unidos têm o poder de transformar o bairro e a cidade onde vivem.
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