Nenhuma pessoa que possua um pet gostaria de vê-lo com dor, e como eles não falam, COMO SABER SE ELE ESTÁ SENTINDO DOR? Uma das grandes dúvidas que os tutores possuem é como perceber e identificar que seu cão está com dor, tendo em vista que nem sempre os sinais são claros e aparentes, e o grau da dor também pode variar muito dependendo da causa. Em geral os cães são mais resistentes à dor do que nós humanos, e muitas vezes não demonstram muitos sintomas. Por isso é muito importante que saibamos identificar esses sinais precocemente para evitar o agravamento do quadro e evitar que esse sofrimento se prolongue de forma desnecessária.

Para que você perceba essas alterações, é necessário antes conhecer as atitudes e comportamentos normais do animal, e geralmente são os próprios tutores, que convivem diariamente com o seu pet, as pessoas mais capacitadas para notar qualquer mudança no quadro comportamental de seu animalzinho, o que inclui o nível de atividade, apetite, ingestão de água, forma de caminhar, postura, padrão de sono, interação com as pessoas, e assim por diante.

SINAIS QUE PODEM INDICAR DOR EM SEU CÃO

Em diversas situações, seu pet pode estar com dor e mesmo assim não demonstrar quase nenhum sintoma ou alteração, convivendo aparentemente bem com ela. Porém não é isso que nós desejamos… Além disso, a dor, principalmente quando crônica, pode acarretar vários problemas de saúde. Existem várias maneiras de suspeitar e descobrir que seu pet esteja com algum tipo de dor.

Agressividade (mordidas) – sempre o tutor deve ter muito cuidado ao tentar identificar a dor através da manipulação. Um dos sinais clássicos de sua presença é o fato do animal tentar morder, ou rosnar. Mesmo cães extremamente dóceis podem morder quando manipulados em uma região dolorosa, até por um ato reflexo e instintivo;

Aceleração da respiração – em muitos casos, costumam respirar de uma forma mais rápida e intensa, dando a impressão de estarem ofegantes;

Alterações da freqüência cardíaca – pode ser notado um aumento dos batimentos cardíacos, e um aumento da pressão, principalmente quando a área com dor é tocada. Um médico veterinário pode dar a orientação correta de como controlar o pulso e a freqüência cardíaca de seu pet;

Mudanças na postura – de acordo com o tipo de dor, o cão pode assumir várias posturas diferentes, como um arqueamento das costas, rigidez do pescoço, ficar numa posição de “prece” (quando ele abaixa somente as patas dianteiras), manter a cauda para baixo. Pode também ter alterações de postura em situações específicas, como na
hora de dormir, ao subir uma escada, ou quando for se alimentar ou fazer as necessidades;

Alteração nos olhos – os olhos e a forma de olhar refletem vários sinais de dor. A forma triste de olhar é muitas vezes relatada pelos tutores durante a consulta. A dor tende a deixar as pupilas dilatadas. Quando a origem da dor é nos próprios olhos, as pupilas podem estar dilatadas ou diminuídas, podendo ocorrer secreção, fechamento dos olhos, ou incomodo relacionado ao olho afetado, quando o animal tenta coçar o local;

CURIOSIDADE : Cães são capazes de chorar com lágrimas? Embora algumas pessoas acreditem observar lágrimas de choro em seus pets, essa manifestação é exclusiva da espécie humana. As lágrimas são causadas por outros fatores. Eles choram, mas sem lágrimas…

Alimentação e sede – como regra geral eles costumam comer e/ou beber menos quando estão com dor. Pode ocorrer uma dificuldade ou mudança na forma de mastigar, e na preferência do tipo de alimento, quando a origem da dor é no dente ou na boca;

Atividade – costumam estar menos ativos, e acabam dormindo mais tempo do que o habitual;

Mobilidade – podem se movimentar menos, e de uma forma diferente. É comum o animal mancar pela dor em alguma região da pata ou coluna, ou andar e correr de uma forma alterada do comum;

Alterações ao fazer as necessidades – várias situações podem levar o animal a uma constipação, principalmente dor em coluna. É comum demonstrarem muita dificuldade para ficar na posição de defecar ou chegar até o local de fazer as necessidades. Problemas urinários podem fazer com que o animal urine com mais freqüência ou dificuldade, podendo muitas vezes lamber de forma constante a região genital;

Alteração física – aumento de volume, inchaço localizado, ou qualquer alteração na conformação do corpo, pode indicar uma inflamação, infecção, ou até um câncer, todas causando algum grau de dor;

Independente da causa da dor, em certas situações e condições é mais comum o animal apresentar ou manifestar algum tipo de quadro doloroso. Em geral os animais idosos tendem a ter mais predisposição devido aos problemas comuns pela idade avançada, como articulares e coluna. No inverno, ou em temperaturas mais baixas, a dor tende a se acentuar e se manifestar mais rapidamente. Pets que usualmente tem acesso a escadas, sobem e descem de sofás e camas constantemente, tendem a ter maiores chances de problemas locomotores também.

SITUAÇÕES E DOENÇAS QUE PODEM CAUSAR DOR NO SEU CÃO

Muitas situações em que seu pet pode apresentar dor são bastante obvias, como após uma cirurgia, no caso de uma fratura, lesões de pele como mordidas, traumas como atropelamentos ou quedas. Porém em alguns quadros específicos, a dor pode não ser tão obvia e perceptível assim, e nesses casos, não sendo relatadas pelos donos, acabam também não sendo tratadas corretamente pelo veterinário. Nas condições listadas abaixo, assim como em qualquer outra condição médica, é sempre importante perguntar ao seu veterinário qual o componente de dor envolvido no caso, e as formas possíveis de tratar, ou amenizar o sofrimento de seu pet.

Câncer – muitos são dolorosos, destacando-se o de osso, e tumores internos como no rim, baço, pâncreas, etc;

Cálculos renais e na bexiga – as pessoas que já passaram por isso, sabem o quanto dói!!!

Cistite (inflamação na bexiga)

Inflamação de ouvido

Pancreatite (inflamação no pâncreas) – uma das causas terríveis de dor grave no abdômen (animal pode ficar em posição de “prece”);

Artrite/artrose – pode acometer patas traseiras ou dianteiras, sendo mais freqüente em animais idosos

Ruptura de ligamento do joelho/ Luxação da patela – o animal manca da pata traseira acometida

Gengivite ou fratura de dente

Doenças oculares – principalmente glaucoma, uveíte e úlcera de córnea;

É imprescindível que você relate qualquer alteração ao seu veterinário, por menor que seja, tanto no comportamento ou atitude de seu pet, pois isso pode indicar algum tipo de dor. E uma dica muito importante: jamais tente tratar a dor do seu pet sem ajuda de um profissional!!! Alguns medicamentos usados em humanos para controle da dor são extremamente tóxicos e perigosos para seu pet. Hoje em dia, com o avanço da medicina veterinária, existem diversas maneiras de controlar a dor do seu pet, com o surgimento de diversas classes de medicamentos, acupuntura, fisioterapia, terapias alternativas. É possível proporcionar uma alta qualidade de vida para seu pet, sem dor e sem sofrimento.

 

Rodrigo Diaz

Rodrigo Diaz

Médico Veterinário / Clínica / Cirurgia Geral de pequenos animais

Formado pela Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo
Residência em Cirurgia de pequenos animais pela USP
Pós graduação em administração de empresas FGV
Médico Veterinário e Diretor do Centro Veterinário Jardim da Saúde

Atua há 17 anos como médico veterinário no Centro Veterinário Jardim da Saúde, realizando cirurgias, anestesias, procedimentos odontológicos, imunizações e atendimento clínico em geral, já tendo realizado traduções de diversos livros técnicos em veterinária.

Contato: 5058-7022 / 5073-5115 / 99455-8094
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Rodrigo Diaz