Acácia Lima foi mãe tarde, após os 40 anos. Quando Mariana nasceu, a jornalista e empresária bem estabelecida na carreira, se sentiu à flor da pele com a maternidade. “Um turbilhão de sentimentos por qual toda mãe passa”, afirma. Não demorou para Acácia perceber que esse era um problema comum entre as mulheres que viviam o mesmo momento – entre amigas próximas, encontrou um caso de depressão pós-parto e outro de ansiedade extrema. Os relatos ouvidos e sua própria experiência apontavam uma grande angústia em situações em que essas novas mães eram pressionadas a resolver problemas pelos quais nunca haviam passado, sob o risco de falhar em e não serem “boas mães”.

Além do desafio natural de serem mães pela primeira vez, precisavam lidar com incontáveis cobranças que vinham de todos os lados. A volta ao trabalho, o emagrecimento, o casamento, mil conselhos sobre como deveriam criar seus filhos, o afastamento dos amigos e compromissos sociais. “Além do julgamento dos outros, acontece de a mãe internalizar esse sentimento de culpa, o que torna a maternidade por vezes dolorosa. Compreensão e respeito são importantes nesse momento, para criar um ambiente que facilite o processo e não traga mais pressão”, afirma.

aca

Assim surgiu a ideia de criar um grupo que reunisse mães na mesma situação, para que essas compartilhassem suas histórias, trocassem dicas, se ouvissem e se sentissem amparadas. Há pouco mais de um ano nasceu o Somos Mães de Primeira Viagem, um grupo fechado criado no Facebook que rapidamente alcançou a marca de 800 pessoas entre mães, gestantes e tentantes. “Grupos de apoio entre mães são ricos demais, pois a troca vai muito além de dicas e informações sobre o universo da maternidade. As mães têm muitas dúvidas sobre tudo, produtos, atitudes, escolhas e ter um universo que traga diversas informações torna a experiência mais leve. É muito importante saber que você não é a única passando por determinada situação ou encontrar um apoio de quem entende exatamente o que você está vivendo”, afirma Simone Tafner Moraes, mãe, moradora da Chácara Klabin e participante do grupo.

Mais do que ajudar outras mães, o grupo serviu para a própria Acácia lidar com sua maternidade. “A delícia de ser mãe de primeira viagem é a descoberta do amor. Tira o chão da gente e ao mesmo tempo dá uma força muito grande. A mulher descobre que ela não sabe nada, mas que ela pode tudo. Nessa hora, acho que o que une as mães é a solidariedade. Saber que a gente combina, na dor e na alegria. São experiências diferentes, mas a dor e alegria são as mesmas e ambas são enriquecedoras”, conta. “Para mim e para outras mães com quem conversei, o grupo ajudou bastante em construir um ambiente livre de julgamentos, sem imposição de regras e capaz de recuperar um pouco da leveza da maternidade”, completa.

O sucesso da iniciativa incentivou Acácia a não parar por aí. “Nós sentimos a necessidade de expandir o grupo, que atualmente é restrito apenas para mães. Estamos agora lançando uma plataforma virtual e um aplicativo para ampliar ainda mais esse universo, com respaldo médico e de profi ssionais especializados para discutir temas como a UTI neonatal, auxílio para as tentantes e grávidas e cuidados com os recém-nascidos, além de chat para as participantes conversarem entre si. A ideia é ser um espaço para que as mães aprendam, compartilhem, descubram e vivam cada vez mais intensamente o universo tão encantador de ser mãe”, comemora. A fanpage, também com o mesmo nome, já passa de 15 mil seguidores.

Além do Somos Mães de Primeira Viagem, a jornalista prepara o lançamento da ONG Caminho de Mãe, que terá como objetivo auxiliar mães de baixa renda, tentantes e grávidas, sendo uma ponte entre profissionais, marcas e empresas no auxílio a mulheres carentes que estão no caminho da maternidade. Perguntada sobre os motivos de continuar com a iniciativa, Acácia não tem dúvidas. “Ajudar outras mães se tornou primordial pra mim. Em primeiro lugar por gratidão, não só pela ajuda que recebi, mas por ter conseguido engravidar depois dos 40 anos e ter tido uma filha saudável, mesmo contra as estatísticas para esses casos. Além disso, hoje tenho certeza de que uma mãe feliz gera um filho feliz. Então é uma forma de também fazer do mundo um lugar melhor”.

Redação CHK

Redação CHK

Somos apaixonados por comunicação e pela Chácara Klabin. Acreditamos que moradores unidos têm o poder de transformar o bairro e a cidade onde vivem.
Redação CHK