Conversamos com Luiz Fernando Macarrão, responsável pela administração dos distritos da Saúde, Moema e Vila Mariana

Sub Prefeito

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No início de março fomos até a Rua José de Magalhães, endereço da Subprefeitura da Vila Mariana, para uma entrevista com o subpre­feito Luiz Fernando Macarrão, responsável pela ad­ministração dos distritos da Saúde, Moema e Vila Mariana (área da qual a Chácara Klabin faz parte). Macarrão, como costuma ser chamado, conversou conosco sobre as conquistas e as dificuldades de seu mandato, os planos para o futuro e ainda respondeu alguns questionamentos comuns dos moradores do nosso bairro. Confira:

CHK: Primeiramente, conte-nos sobre a sua formação e carreira.

Luiz Fernando Macarrão: Sou engenheiro civil de forma­ção e funcionário público aprovado no concurso de 1984 da Prefeitura de São Paulo. Mesmo após ter passado no con­curso, continuei me dedicando aos estudos, me formei em Administração e Direito, e fiz meu mestrado em Arquitetura e Urbanismo, uma área que eu gosto muito e que reúne mi­nhas duas formações, como advogado e engenheiro. Antes de ser nomeado subprefeito da Vila Mariana, já havia traba­lhado em várias Secretarias da Prefeitura de São Paulo.

CHK: Qual é a função da Subprefeitura?

Luiz Fernando Macarrão: Nos anos anteriores a 2002 a cidade contava com as administrações regionais, que eram as divisões da administração da Prefeitura de São Paulo para facilitar a gestão. Durante o mandato da prefeita Marta Suplicy, em 2002, foi criado o con­ceito das Subprefeituras, com a ideia de descentralizar ainda mais a administração da cidade, dando mais au­tonomia às regionais, agora Subprefeituras. Na época, elas já foram criadas com algumas coordenadorias e supervisões como a de Educação, Saúde, Assistência Social, todas subordinadas à Subprefeitura. Funcionou assim até o ano de 2004, quando ocorreu o final da gestão da até então prefeita Marta Suplicy. A partir de 2005 até 2012, nas duas últimas administrações, essa lógica foi invertida: a Subprefeitura continuou existin­do, porém a supervisão das secretarias não faz mais parte do nosso trabalho. Hoje supervisionamos apenas a Secretaria de Cultura e Esporte. A estrutura ficou menor e a administração voltou a ser mais centraliza­da. A ideia da Subprefeitura é fazer a administração municipal nos territórios e ser um canal direto entre o cidadão e a Prefeitura. Nosso objetivo, no mandato do prefeito Fernando Haddad, é recuperar isso, retomar essa descentralização da administração e recuperar esse papel das Subprefeituras.

CHK: Como avalia o seu mandato até aqui e quais são as metas para o futuro?

Luiz Fernando Macarrão: Finalizamos o primeiro ano da gestão e algumas ações nós já conseguimos fazer. Com­provamos isso por meio dos relatos das pessoas que entram em contato com a Subprefeitura da Vila Mariana. Estamos sendo vistos de forma diferente agora, pois an­teriormente as pessoas não se deslocavam até a Subpre­feitura porque não existia um local adequado para recebê-las, dificilmente eram atendidas e, quando eram, faziam geralmente uma reclamação sobre alguma manutenção que deveria ser feita, a solicitação era atendida e a relação cidadão x prefeitura se encerrava naquele momento. Hoje continuamos fazendo essa manutenção que nos compete, a de zeladoria, manutenção de vias e áreas verdes, com o mesmo efetivo que tínhamos, mas de forma otimizada. A estrutura continua a mesma, contamos com um número reduzido de funcionários, por isso nós temos que fazer um rearranjo da estrutura pra chegar lá na frente e conseguir alcançar esse objetivo de que a Subprefeitura seja uma administração efetiva no território.

CHK: Quais são os desafios para isso?

Luiz Fernando Macarrão: A primeira ação é a de rede­senhar essa descentralização, e, além disso, fazer um rearranjo político. As secretarias de Educação, Saúde e Assistência Social, por exemplo, atualmente já trabalham descentralizadas, estão estruturadas para isso. Para que as várias Secretarias atuem descentralizadas nas Subpre­feituras é necessário alterar o modelo de trabalho delas. Por exemplo, a secretaria de Assistência Social tem uma supervisão aqui na Vila Mariana, na Rua Madre Cabrini, e nós trabalhamos muito próximos, somos parceiros. Na supervisão da secretaria de Saúde, por outro lado, foram integrados os territórios da Vila Mariana e do Jabaquara em uma administração só, é mais centralizado. Então é um arranjo que não se faz de uma hora pra outra.

CHK: E como tem sido o trabalho com as Secretarias coordenadas pela Subprefeitura?

Luiz Fernando Macarrão: Hoje a Subprefeitura da Vila Mariana tem um supervisor de Esportes e pode-se dizer que muitos dos eventos esportivos que acontecem na ci­dade estão na nossa região, onde estão também o Parque do Ibirapuera e o Centro Olímpico Mané Garrincha. Temos a supervisão de Cultura também, que neste primeiro ano tem trabalhado de maneira bastante afinada conosco, es­pecialmente no resgate do Centro de Convívio e Cultura da Vila Mariana, localizado na Rua Corredeira, onde a Sub­prefeitura está abrindo espaço para coletivos de arte de­senvolverem projetos que vão desde graffiti e teatro, até capoeira e gastronomia.

CHK: Como você enxerga atualmente a relação do morador da Vila Mariana com a Subprefeitura? O que pode melhorar?

Luiz Fernando Macarrão: Acho que o problema é como as pessoas veem a Prefeitura, não digo que seja só o mora­dor da Vila Mariana, mas o paulistano de maneira geral. A forma de pensar é que tem que mudar, porque temos o há­bito de olhar apenas para o nosso próprio problema, para o micro e não para o macro. É claro, se existe um problema, temos que resolver. Mas a questão é passar a entender a cidade com uma visão mais ampla, perceber o que é a sua rua e o que é o seu bairro dentro de um contexto maior. Em nossa região temos pontos importantes da cidade como a Avenida 23 de Maio, o Aeroporto de Congonhas – uma das portas de entrada da cidade para o mundo –, o Parque do Ibirapuera, algumas das linhas principais do metrô. São mais de 350 mil pessoas que moram aqui. Entendemos que cada demanda é importante, mas que existem outras demandas importantes também. Acredito que quando são abertos canais de comunicação entre o cidadão e a Prefei­tura, quando esse diálogo acontece e o morador começa a entender o funcionamento da administração, essa relação melhora. Mas é um processo lento mesmo assim.

CHK: Quais são esses canais?

Luiz Fernando Macarrão: Um dos canais é o Conselho Participativo, que elege representantes da sociedade civil (cidadãos comuns) por distrito em votação popular aber­ta. A ideia é trazer o cidadão, que será um representante da Subprefeitura da Vila Mariana, pra dentro da adminis­tração, para aprender e entender como funciona a máqui­na, quais são os desafios, os orçamentos e as limitações, participando até das tomadas de decisão. É uma forma de educar a população neste sentido, pra que ela possa entender a natureza dos problemas e também pensar em soluções pautadas na realidade da administração política.

CHK: Falando especificamente da Chácara Klabin, o que a Subprefeitura da Vila Mariana realizou no bairro? Quais são os desafios e as necessidades da região?

Luiz Fernando Macarrão: Nós podemos dizer que a Cháca­ra Klabin foi um bairro bastante privilegiado neste primeiro ano de administração. Nós conseguimos rapidamente cons­truir aquela alça de acesso na Rua Saioá, onde fizemos uma requalificação urbana daquele espaço. É uma área onde será instalado o Ecoponto do Klabin, cuja data de conclu­são estava prevista para o ano passado, mas por falta de recursos da Secretaria de Serviços, estamos ainda sem um prazo. Naquele trecho também há uma pequena favela, onde nós conversamos com os moradores, asfaltamos a Rua Jan Breughel e melhoramos as condições de saneamento dos moradores junto com o pessoal da SABESP. Fizemos tam­bém a requalificação de 3 praças na região, dentre elas a reforma total da Praça Giordano Bruno, na Avenida Prefeito Fábio Prado. Isso sem contar as manutenções de zeladoria. Quase que semanalmente a Subprefeitura está no bairro realizando serviços diversos.

CHK: Ainda sobre as praças, muitos moradores nos per­guntam sobre a possibilidade de ser criada uma área cer­cada para cães na Praça Giordano Bruno ou na Praça Kant. Como isso funciona?

Luiz Fernando Macarrão: Acho que o primeiro passo é verificar se isso é um consenso entre os moradores da região. Nós não podemos tomar essa decisão de imediato sem que primeiro haja esse diálogo entre a comunidade. Uma vez que houver esse acordo, o pedido pode ser for­malizado por meio de um abaixo-assinado e trazido para a Subprefeitura. A partir daí, nós planejaremos de que ma­neira isso será feito, talvez encontrando um parceiro para nos ajudar com os recursos.

CHK: Essa parceria é o chamado Termo de Cooperação?

Luiz Fernando Macarrão: Exato. É um espaço que a Prefeitura abre para empresas ou moradores que quei­ram tomar conta de uma praça, por exemplo, e em troca colocarem seus nomes em uma placa de publicidade. Vale também para condomínios que queiram adotar um canteiro em sua calçada. Assim que formalizado esse pedido, nós analisamos, conversamos e isso vai para o prefeito aprovar.

CHK: Os moradores reclamam muito sobre a manutenção das praças, canteiros e poda de árvores. Por que a manu­tenção demora a ser realizada?

Luiz Fernando Macarrão: Nós temos 3 equipes para os ser­viços de manutenção, áreas verdes, poda e remoção de árvo­res, cuidando das regiões da Vila Mariana, Moema e Saúde, o que totaliza uma área de 26,5 km2. Não conseguimos dar conta, estamos sempre atrasados em relação às demandas. Mas nós temos uma programação e dependendo do local e da necessidade, o intervalo pode ser maior ou menor, mas todas as áreas são atendidas. Essa programação pode ser consultada no site da Subprefeitura da Vila Mariana.

CHK: Quando anunciamos pelo facebook que vínhamos até aqui, muitos moradores enviaram reclamações sobre velo­cidade das vias, faixas de pedestres, lombadas, iluminação pública. Essa é uma responsabilidade da Subprefeitura?

Luiz Fernando Macarrão: A questão da sinalização de vias é uma responsabilidade da CET, que tem sua própria rotina de atendimento. Para casos assim é preciso en­trar em contato com a companhia, formalizar os pedidos e caso haja uma demanda não atendida, é possível entrar em contato com a Subprefeitura para que encaminhemos até mesmo um reforço formal no pedido. Mas sempre lembrando que a CET tem seus próprios critérios e mui­tas decisões – por mais que não sejam as mesmas que desejamos – são tomadas por especialistas que estuda­ram pra isso. Quanto à questão da iluminação, é um pro­blema que compete à Ilume, que faz parte da Secretaria de Serviços da Prefeitura, mas não está ligada à Subpre­feitura. O que sei é que para casos de, por exemplo, lâm­padas queimadas e problemas do tipo, eles disponibilizam um número de telefone para ligações gratuitas e dão um prazo de até 72 horas para o atendimento. Para o caso de novas iluminações, aí sim, é possível entrar com um pe­dido junto à Subprefeitura. Um levantamento interessante que a Ilume fez é que a nossa região, por ser urbanizada há mais tempo, também conta com iluminação há mais tempo, então em muitos casos são modelos mais antigos. Nos últimos meses, mais de 120 mil lâmpadas de mercú­rio foram substituídas na cidade por lâmpadas de sódio, uma tecnologia mais moderna. Na Chácara Klabin essa substituição também aconteceu, mas se iniciou pelas vias principais pra depois entrar pelo bairro.

Redação CHK

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Somos apaixonados por comunicação e pela Chácara Klabin. Acreditamos que moradores unidos têm o poder de transformar o bairro e a cidade onde vivem.
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