Corretor de imóveis, Carlos Alberto Rossi está acostumado a apresentar a Chácara Klabin para muitos interessados em comprar uma casa ou um apartamento no bairro. A cada imóvel visitado, entretanto, vêm à tona lembranças dos primeiros dos mais de 30 anos vividos na região. Onde hoje estão grandes edifícios, Kabé, como é conhecido, e sua irmã Adriana, cansaram de brincar e andar de bicicleta em terrenos vazios. Hoje o bairro não se parece em nada com aquele onde o filho da família Rossi cresceu com os dois irmãos e muitos amigos. Mas Kabé tem certeza: “Não troco a Chácara Klabin por nenhum outro bairro”.

Gilberto e Lúcia moravam no Ipiranga quando começaram a construir a casa em que vivem até hoje, na rua que depois foi chamada de Agnaldo Manuel dos Santos, paralela à Rua Ibaragui Nissui. Nome este em homenagem ao imigrante japonês que trouxe o budismo para o Brasil, na rua onde está localizada a Catedral do Budismo Primordial. No entanto, antes de haver ali um templo, uma das construções mais antigas do bairro, a casa onde Kabé completou seus 12 anos, em 1982, já estava no local. “Meu pai emprestava uma torneira de casa para o pessoal da obra ligar a mangueira. Éramos os únicos no quarteirão. Na época ele era funcionário da Prefeitura e também lutou para que instalassem alguma iluminação nas ruas próximas”, lembra.

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Hoje Kabé tem 44 anos e, após sair da casa dos pais, morou em um apartamento e hoje novamente uma casa, ambos no bairro. A forte ligação com a Chácara Klabin vem da infância e adolescência. “Éramos vários meninos brincando livremente na rua. De noite, mesmo sem iluminação nenhuma, nossos pais ficavam tranquilos enquanto estávamos fora. Para ter uma ideia, nós amarrávamos uma lanterna em cada bicicleta para poder enxergar alguma coisa. Fora as fogueiras que fazíamos na rua e nos terrenos, com os amigos reunidos e alguns petiscos”, conta com saudades. “Muitos desses são meus amigos até hoje”, completa.

Além das lembranças, o exemplo deixado pelos mais velhos, à época, serviu para Kabé e outros jovens da época como grande aprendizado sobre coletividade e uma boa relação com os vizinhos. “Fazia-se festa na rua o tempo todo e era comum frequentar a casa um do outro. Quando havia algum problema ou algo a melhorar no bairro, os vizinhos se reuniam em uma espécie de reunião de condomínio voluntária, onde buscavam o melhor para todos. Esse é o sentido de uma comunidade”, afirma. “Hoje, com a quantidade de moradores, fica difícil fazer algo assim sem cair rapidamente na política. Mas consigo manter essa relação com vizinhos mais próximos, um vigiando a casa do outro quando esse viaja, por exemplo. Estamos sempre em contato”.

Conhecedor do bairro como a palma da mão, Kabé sabe dar bons conselhos quando encontra alguém interessado em morar na Chácara Klabin. “A gente sabe qual região é mais tranquila ou que tipo de problemas determinado trecho pode apresentar”. Mais do que trabalho, o advogado de formação, corretor por vocação e escolha, não vê outro lugar melhor em São Paulo para morar. “É claro que o bairro tem problemas, graças ao crescimento desestruturado. Não foi uma região projetada para receber tanta gente e tão rápido. Mas, por exemplo, tenho um cliente que veio morar aqui e a maior reclamação dele é que, depois de 3 anos, ele não conhecia sequer o vizinho de baixo”, questiona. “Esse senso de comunidade é o que fazia o bairro ser o que era antigamente e acredito que é algo que pode melhorar muito as coisas ainda hoje”.

Além de Kabé, moram ainda no bairro o Seu Gilberto e a Dona Lúcia, com 82 e 78 anos, respectivamente, e a filha da família Rossi, Adriana. Todos os dias o corretor visita os pais, na casa onde cresceu. “Amor pela família e amor pelo bairro andam juntos”, diz. Assim como ele, acreditamos que a Chácara Klabin recebe bem todos os seus moradores, novos ou antigos. Mas o passado tem o poder de nos guiar no presente para construir um futuro melhor. Que o rumo do nosso bairro seja formar uma grande família, que se ajuda, que se mobiliza e trabalha pelo bem estar de todos os seus membros.

Redação CHK

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Somos apaixonados por comunicação e pela Chácara Klabin. Acreditamos que moradores unidos têm o poder de transformar o bairro e a cidade onde vivem.
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