Caio Blat começou cedo na televisão. Após aparecer em alguns comerciais, estreou aos 11 anos como ator no seriado O Mundo da Lua, da TV Cultura, onde contracenou com grandes nomes como Antônio Fagundes e Gianfrancesco Guarnieri. Da Cultura foi para o SBT, onde começou a trabalhar em novelas, até ser contratado pela TV Globo, onde ganhou reconhecimento nacional por seus papéis em Andando nas Nuvens, Esplendor e Um Anjo Caiu do Céu. Seriam apenas os primeiros passos de uma carreira sólida que abraçou também o teatro e o cinema – atualmente o ator está em cartaz nas telonas com dois sucessos, Alemão e Entre Nós.

O que muita gente não sabe é que Caio Blat, um dos mais talentosos atores do cinema e da televisão brasileira, cresceu brincando pelas ruas da Chácara Klabin, onde morou com sua família nos anos de 1980. Conversamos com Caio, que nos falou sobre suas lembranças dessa época, sua relação com o bairro e também sobre sua carreira.

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CHK: Você cresceu na Chácara Klabin. Quais são suas lembranças dessa época? Como era o bairro?
Caio Blat: Para minha família, era uma grande conquista. Nós vínhamos de um bairro mais pobre e não tínhamos casa própria. Terminamos de construir nossa casa em 1992, e havia ainda muitos terrenos, poucos prédios e pouquíssimo comercio. Havia crianças de todas as idades em quase todas as casas, e a gente passava o dia todo na rua, jogando bola e fazendo as mais diversas brincadeiras. Descíamos as ruas do Klabin de skate em bandos. Depois de brincar, podíamos deitar e dormir na rua, de tão pouco movimento.

CHK: Havia opções de cultura na região? Como isso influenciou seu interesse em atuar?
Caio Blat: Trabalhei no teatro João Caetano, bem perto de casa, e no Centro Cultural da Vergueiro. Frequentava a Cinemateca e o Museu Lasar Segall. Depois foi inaugurado o SESC. Acho a Vila Mariana bem servida e bem localizada em relação aos aparelhos de cultura.

CHK: Você ficou conhecido muito cedo. De que forma isso mudou a sua vida nessa época?
Caio Blat: Eu tinha que me desdobrar para ir à escola, tirar boas notas, e trabalhar de tarde nas novelas. Trabalhei na TV Cultura desde os 11 anos de idade e depois no SBT. Era divertido ser reconhecido nas ruas e na escola. Eu ia muito de ônibus pras gravações e de metrô. Me sentia livre de andar pela cidade.

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CHK: Em 2001, antes de fazer a peça Êxtase, você morou em uma casa na favela do Vidigal por quatro meses, e para o filme Bróder você morou no Capão Redondo. Como foi essa experiência? Qual o contraste com a realidade que você conhecia? O que isso pode ensinar para alguém que mora em bairros de maior poder aquisitivo?
Caio Blat: Pode ensinar muito. O fato de sermos privilegiados nos faz esquecer das pessoas que moram distantes do centro e que não têm serviços de qualidade, educação, moradia, saúde. Poucas pessoas conhecem o lugar onde moram seus empregados. Para esses filmes eu precisava me ambientar, me acostumar com o lugar, com as gírias. As pessoas são mais solidárias na dificuldade, as famílias são maiores.

CHK: Como você começou no cinema? Qual é a diferença entre atuar no cinema e na televisão?
Caio Blat: Comecei a filmar aos 18 anos, com a retomada do cinema brasileiro. Meu primeiro filme foi Lavoura Arcaica. O cinema era uma novidade e nem sonhávamos em filmar tantos filmes como fazemos hoje. O cinema tem um cuidado muito maior e um acabamento artesanal, além de permanecer na forma de DVDs, as novelas e peças desaparecem com o tempo.

CHK: Você está em cartaz atualmente com dois filmes, “Alemão” e “Entre nós”. Conte-nos um pouco sobre estes dois filmes.
Caio Blat: São experiências muito diferentes. Alemão é um filme de suspense e ação, faço o papel de um policial infiltrado na favela durante a ocupação, que foi uma ação militar gigantesca transmitida ao vivo pela TV. Muita gente se perguntava o que estaria acontecendo ali naquele momento, o filme tenta responder a essa curiosidade com muita ação e muito sangue. Já Entre Nós é um filme raro, diferente, pois fala da classe média alta, não trata de conflitos sociais que é a principal vertente do cinema brasileiro. Ele fala sobre a passagem do tempo e o conflito entre nossos sonhos e aquilo que conseguimos realizar de fato anos depois. O elenco é formado por um grupo de atores que são amigos há muitos anos, o que contribui para a veracidade das interpretações.

CHK: Como você enxerga o cinema nacional atualmente?
Caio Blat: O cinema tem ajudado muito o brasileiro a se entender, a se enxergar na tela. Nossos filmes fazem a crônica dos costumes, o Brasil é um país jovem que está tentando amadurecer, e o nosso cinema está contribuindo para a formação desta identidade. O brasileiro está se acostumando cada vez mais com produções brasileiras de alta qualidade.

CHK: Quais são os seus planos para o futuro? Pensa em dirigir um filme?
Caio Blat: Sim, tenho um roteiro adaptado de um romance de Cristóvão Tezza, sobre um rapaz de 16 anos que amadurece nos anos 60. É um desafio bem grande e estou me preparando para dirigi-lo.

CHK: Qual sua relação hoje em dia com o bairro? Tem amigos ou família aqui?
Caio Blat: Meus pais continuam morando na casa onde cresci, e eu não tenho mais apartamento em São Paulo, de modo que sempre que estamos em São Paulo ficamos no Klabin.

Redação CHK

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Somos apaixonados por comunicação e pela Chácara Klabin. Acreditamos que moradores unidos têm o poder de transformar o bairro e a cidade onde vivem.
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