O verão é uma estação marcada por fortes chuvas que, apesar de geralmente rápidas, têm potencial para derrubar árvores e danificar muitos fios elétricos, gerando com isso episódios de interrupções no fornecimento de energia elétrica, conhecidos também como apagões. Mas, infelizmente, o problema com a falta de energia no bairro Chácara Klabin não ocorre apenas nesta época do ano.

site Chácara Klabin tem recebido reclamações de diversos moradores sobre apagões no bairro. A moradora Andrea Ferreira alerta que pelo menos uma vez por semana há falta de energia nas proximidades de sua casa. “Com a falta energia o elevador não funciona e com isso, no último ano, tive de subir de escadas no mínimo sete vezes”, comenta. E, não há horários específicos para a interrupção do serviço. “Muitas vezes chego em casa e tenho que reprogramar vários equipamentos que saíram de sintonia por falta do fornecimento de energia”, completa Andrea.

Os moradores também perceberam que os apagões ocorrem com intensidade maior em um dos lados do bairro, geralmente compreendido pelas ruas Garapeba, Ernesto de Oliveira, Pedro Nicole e Ibaragui Nissui. “Notamos que nas proximidades do metrô é mais difícil ocorrer falta de energia”, diz Andrea.

power_outage_brazil1

A redação do site Chácara Klabin também tentou contato com a AES Eletropaulo, mas até o fechamento desta matéria não obteve retorno da empresa. No site da Eletropaulo, há um link para informar falta de luz no imóvel por um provável defeito na rede elétrica. Para solicitar o atendimento é preciso estar com o número de identificação de usuário (localizado na parte superior da conta de energia) e informar um número de telefone, para o caso de a empresa necessitar contatar o cliente; depois é necessário preencher um formulário informando os problemas ocorridos.

O que pode ocasionar falta de energia

 Quando falta energia, sempre existe um por quê, mas, de forma, geral, os especialistas indicam três possíveis causas para a falta de energia.

Interrupção programada

As empresas fornecedoras de energia preveem paralisações com antecedência para fazer algum trabalho de reparo na rede. Geralmente acontecem nos finais de semana e a população é informada bem antes, através de carta.

Interrupção acidental na rede

Trata-se de uma interrupção imprevista, ocasionada por algum acidente na rede elétrica. Para descobrir se o defeito é na sua casa, verifique se os vizinhos têm energia elétrica. Não se baseie na iluminação pública, pois ela tem circuito independente e poderá estar acesa se a interrupção for apenas no trecho da rede que fornece eletricidade à sua casa.

Defeito na instalação da residência

O problema tem origem na sua casa. Para identificar se essa é a causa, comece pela caixa de distribuição, desligando a chave geral e examinando todos os fusíveis. Geralmente o fusível queimado está mais aquecido. Se ele for de louça, a ruptura na solda, causada pelo excesso de carga elétrica, estará bem visível. Outro método para identificar o defeito é desligar todas as chaves. Depois, ligue a chave geral, uma a uma, vá ligando todas as chaves dos circuitos. O defeito poderá estar em um deles, exatamente naquele cujos equipamentos a ele ligados não estiverem funcionando. Se nenhum dos circuitos funcionar, o fusível queimado poderá estar na chave geral ou no medidor de energia. Identificado o fusível, troque e observe se ele queima de novo. Se isso acontecer, significa que está havendo curto-circuito ou sobrecarga em algum ponto da instalação elétrica. Você deve chamar um eletricista para localizar e reparar o defeito. Caso haja um disjuntor do tipo “quick-lag” no lugar do fusível, basta rearmá-lo. Ele se desliga sozinho quando recebe energia em excesso. Em caso de desligamentos seguidos, isso significa que o problema é mais grave, portanto, você deve procurar a ajuda de um eletricista.

Direitos do Consumidor em caso de falta de energia

De acordo com o Programa de Proteção e Orientação ao Consumidor (Procon) de São Paulo, o serviço essencial de energia deve ser prestado ininterruptamente, com segurança e qualidade. Quando ocorrem interrupções no fornecimento, frequentes ou  de longa duração, isso caracterizam  problemas de qualidade.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que regulamenta o setor e fiscaliza as concessionárias, fixa metas de qualidade para controle das interrupções e os  tempos para  restabelecimento do serviço. As contas de energia apresentam as informações das metas fixadas para o imóvel, ou unidade consumidora, com as seguintes siglas:

Duração da Interrupção Individual por Unidade Consumidora (DIC):  tempo máximo que a unidade poderá ficar sem o serviço de energia em determinado período (mês, trimestre, ano). Esse indicador representa o total em horas, em cada um dos intervalos.

Frequência de Interrupção Individual por Unidade Consumidora (FIC): número máximo de interrupções.  Representa o total de ocorrências ou episódios de falta de energia admissíveis, num período mensal, trimestral e  anual.

Duração Máxima de Interrupção Contínua por Unidade Consumidora (DMIC): duração máxima, em horas, de cada ocorrência de falta de energia, ou seja, o tempo máximo que o imóvel pode permanecer sem energia, fixado em horas.

conta_apagao

O Procon recomenda que o consumidor acompanhe, em sua conta de energia, esses indicadores e verifique se os mesmos estão sendo cumpridos. Se as metas não forem cumpridas, caberá o abatimento na conta. A regulamentação que estabelece os indicadores é a  Resolução Normativa Aneel 395, de 15/12/2009.

Dentre as principais resoluções desta normativa estão as especificações para reclamação de queima de aparelho. Nesse caso, o pedido de ressarcimento/conserto do (s) equipamento (s) danificado (s) deve ser feito à concessionária de energia no prazo de 90 dias da ocorrência, por telefone, internet, ou pessoalmente, obtendo-se o número de protocolo do pedido.

O pedido poderá ser efetuado por titular da conta, ou seu representante legal munido de procuração. Fica a critério da concessionária receber pedido de ressarcimento efetuado por representante sem procuração específica. O consumidor pode indicar o meio de sua preferência para recebimento de resposta da empresa (telefone, pessoalmente, internet).

A partir do recebimento do pedido de indenização, a empresa tem 10 dias para vistoriar os aparelhos danificados. Neste prazo a empresa poderá fazer a verificação in loco do equipamento, agendando com o consumidor previamente data e período; retirar o equipamento para análise, ou solicitar que o consumidor encaminhe o equipamento eletrônico danificado para oficina por ela autorizada. Se a empresa indicar oficina credenciada fora do município do consumidor, deverá arcar com as despesas de transporte. Vale lembra que, para equipamentos que acondicionam alimentos e medicamentos o prazo é de 01 dia útil.

Segundo o Procon-SP, é vedada a exigência de comprovação de propriedade do equipamento. (Nota Fiscal, por exemplo.). Para registro do pedido, basta informar data e local da ocorrência. Se o produto estiver em garantia é importante informar a empresa. Solicite que a vistoria seja efetuada em assistência técnica autorizada do fabricante do equipamento.

O Procon-SP alerta ainda que o consumidor só deve encaminhar o produto para conserto por sua própria iniciativa, quando houver autorização prévia da concessionária. Do contrário, poderá perder o direito à indenização. Somente situações que envolvam equipamentos relacionados à saúde e segurança podem justificar o pedido.

A concessionária deve encaminhar resposta em até 15 dias, contados da data da vistoria, ou do pedido de ressarcimento/conserto (se não houver vistoria), informando as providências que serão adotadas. Após esse prazo, a empresa terá mais 20 dias para restituir o valor do produto, substituí-lo ou repará-lo.

Considerando todos os prazos previstos na regulamentação do setor de energia, o problema deve ser resolvido em: 36 dias, se o produto danificado for destinado ao acondicionamento de alimentos e medicamentos e 45 dias para os demais produtos. Caso não haja vistoria, esse prazo fica reduzido a 35 dias.

Fique atento!  Exerça  seus  direitos! 

Consumidores atendidos pela empresa Eletropaulo podem solicitar informações ou reclamar da falta de energia elétrica no número  0800 727 2196  ou pelo site www.aeseletropaulo.com.br.

Poderão, ainda, recorrer ao atendimento da Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (ARSESP), no número 0800 055 5591 ou site www.arsesp.sp.gov.br.

Informe  também  a Agencia  Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), no número 167 ou site pelo www.aneel.gov.br,  para  que  ela  tenha  conhecimento  dos problemas e controle o  cumprimento dos indicadores de qualidade.

Angela Ferreira

Jornalista