A ansiedade é uma reação emocional normal diante de situações novas e desconhecidas, sendo considerada uma reação natural do processo de desenvolvimento humano em busca de adaptação. Quando não é proporcionalmente intensa, a ansiedade tem uma ação benéfica, que é nos alertar de perigos e nos preparar para prestar atenção.

Neste sentido, a ansiedade possibilita planejar e desenvolver condições para adaptar-se às situações adversas que se apresentam na vida. Cada pessoa experimenta e suporta a ansiedade de modo particular. A forma como cada um vivencia a ansiedade está ligada à sua personalidade e a sua história de vida.

Acontece que, muitas vezes, o medo ultrapassa o limite entre saudável e patológico e as reações aos contratempos e dificuldades do dia a dia passam a ser distorcidas e exacerbadas, trazendo prejuízo para a vida. Neste caso, o medo perde a sua função protetora e passa a ser uma ameaça para a mente originando os transtornos de ansiedade.

Os Transtornos de Ansiedade diferem de reações normais de ansiedade ou nervosismo. A ansiedade normal, muitas vezes, não é claramente manifesta, é caracterizada por uma sensação difusa, uma apreensão negativa em relação ao futuro ou uma inquietação interna desagradável e pode ser acompanhada de mal-estar físico e psíquico, com sensação de apreensão, palpitação, tontura, sudorese, náusea e tensão muscular. Já a ansiedade patológica afeta o desenvolvimento normal com prejuízo na autoestima, na socialização e na memória. Os quadros de ansiedade podem assumir diversas formas e diante das situações de desconforto a característica principal do comportamento é a esquiva (evitar/fugir). A pessoa passa a agir de forma não funcional, o que traz dificuldades de adaptação, afeta o sono, motivação, desempenho no trabalho/escola e as relações pessoais, acarretando em intenso sofrimento com presença de sinais e sintomas psíquicos e somáticos.

De acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil lidera na América e no mundo a taxa de transtorno de ansiedade sendo de 9,3%. Essa taxa é três vezes superior à média mundial. Dentre os principais transtornos de ansiedade estão: transtorno do pânico, fobias, fobia social, transtorno obsessivo compulsivo (TOC), transtorno de ansiedade generalizada (TAG), transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). É frequente, a associação de transtornos de ansiedade, sintomas depressivos e depressão.

O manejo dos transtornos de ansiedade requer avaliação e acompanhamento psiquiátrico com associação de tratamento psicofarmacológico e intervenção psicológica.

 

Fonte: CABRERA, C.C.; Jr. SPONHOLZ, A. – Ansiedade e Insônia. In: Botega, N.J. (Org.) Prática Psiquiátrica no Hospital Geral: Interconsulta e Emergência. Artmed. Porto Alegre, 2006.

 

Fabiane Matias

Fabiane Matias

Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta de Família
CRP 06/68421
Especialista em Terapia de Família e Casal pela UNIFESP eem Psicologia da Saúde pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.
Atualmente, é psicóloga no Ponto Clínico e responsável técnica pelo Serviço de Psicologia da Associação Brasileira de Pacientes Asmáticos (ABRASP)
Atua há 15 anos nos temas avaliação psicológica em saúde, orientação e intervenção com famílias e casais, saúde materno infantil, ciclo vital, orientação profissional, psicopatologias do desenvolvimento emocional e psico-social.
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