Conheça a emocionante história da cachorra Pretinha e Dona Maria, sua “mãe adotiva”

Dona Maria

Dona Maria

Moradora da Rua Luis Molina, a cachorra Pretinha está no bairro há mais de dois anos, tempo suficiente para ser conhecida por todos os seus vizinhos. Desconfiada, seu olhar carrega certo ar de tristeza, de quem já viveu momentos difíceis no passado. Entretanto, o amor da Dona Maria, uma pessoa muito especial, fez com que ela fosse resgatada e acolhida.

Esposa do Seu Severino, zelador do Condomínio Ana Paula há 15 anos (quase na esquina da Luis Molina com a Galofre), Dona Maria, de 62 anos de idade, é quem conta a história: “Sempre tive pavor de cachorro, porque quando era criança fui mordida por um. Mas um dia a minha filha trouxe para casa um cachorro com 45 dias de vida e o chamou de Pimpão. Foi o meu primeiro cachorro e acabou virando xodó da família. Conheci a Pretinha em um feriado de Finados, quando chegava em casa. Ela estava na rua, desnorteada, correndo de um lado pro outro, parecia que tinham acabado de jogá-la aqui. No dia seguinte ela continuava com o mesmo comportamento. Quando saí pra passear com o Pimpão, a Pretinha começou a nos seguir, fiquei até com medo que ela tentasse mordê-lo. Então tentei colocar uma coleira nela, na marra, e ela aceitou, ficou paralisada. Parecia que ela tinha sido mandada para mim”.

Nesse momento, Pretinha estava machucada e muito magra, com claros sinais de maus tratos. Dona Maria a levou para o veterinário, a alimentou e cuidou. “Algum tempo depois, colocaram diversos cartazes no bairro à procura de uma cachorra igualzinha à Pretinha. Eu liguei algumas vezes no telefone indicado, mas a pessoa dizia que já tinha verificado e que não era ela a cachorra procurada. Pouco tempo depois, um rapaz veio e retirou todos os cartazes”, conta. Dona Maria acredita que Pretinha pertencia a uma senhora que adoeceu e que algum parente preferiu se desfazer do animal.

Com a ajuda de outra moradora do prédio, a “Dona” Elizabeth, e da “Doutora” Ana, também moradora do entorno, Pretinha ganhou uma casinha na Rua Luís Molina, uma cobertura para proteger sua comida da chuva e uma coleção de roupinhas. Dona Maria gosta de dizer que Pretinha é tratada como uma rainha. “Todo dia de manhã eu chamo ela para trocar a roupa, que eu visto nela de noite. Troco também a roupa de cama, uma vez por semana. Na hora de comer, nunca dou resto de comida. Ela come como a gente e adora macarrão, carne e salsicha”.

Alguns moradores costumam colocar comida para Pretinha, mas a maior parte da alimentação da cachorra é financiada por Dona Maria. Além das vizinhas citadas, ela conta com a ajuda de um petshop da região que mensalmente oferece um banho grátis para Pretinha. E diz que não recusaria se mais pessoas quisessem ajudar com “bifinhos” ou algo do tipo.

De qualquer forma, não é a comida que resume a ligação de amor que há entre Dona Maria e Pretinha. Basta a simpática senhora aparecer na rua com Pimpão, que Pretinha começa a correr de um lado para o outro, lamber e acompanhar sua mãe adotiva pelo caminho. “Tem gente que diz que ela só está aí porque eu dou comida. Mas uma vez eu tive que viajar pra Pernambuco e fiquei 15 dias sem poder dar a comida pra Pretinha. Quando voltei, até o Pimpão virou a cara pra mim e a Pretinha não, você tinha que ver como ela pulava de alegria ao me ver. Ela me ama de verdade”.

Perguntada sobre o que ela sentiria se alguém quisesse adotar Pretinha, Dona Maria abaixa o olhar e afirma que se acostumaria, caso fosse o melhor para a cachorra. Mas o sorriso volta ao dizer que duvida que Pretinha iria embora. Pelo que vimos naquela tarde, Dona Maria tem razão.

Redação CHK

Redação CHK

Somos apaixonados por comunicação e pela Chácara Klabin. Acreditamos que moradores unidos têm o poder de transformar o bairro e a cidade onde vivem.
Redação CHK