A transição da infância para a adolescência desencadeia sentimento de perda e medo de abandono em muitas famílias. A entrada na adolescência evidencia a perda da criança e o reajustamento para novas demandas específicas desta fase do desenvolvimento.

Para lidar com a mudanças e transformações desta fase o sistema familiar vivenciará dois importantes processos de re-adaptação.

O primeiro processo tem como foco reajustar as lentes e reconfigurar as relações entre pais e filhos para acomodar a busca por independência e autonomia. Este processo requer do sistema parental a construção de uma nova relação de autoridade. Dentre os desafios importantes desta etapa está a flexibilização da hierarquia familiar para renegociação de regras, questionamento de valores e abertura para o diálogo.

O segundo processo refere-se à transição entre a parentalidade da criança e a parentalidade do adolescente.

O adolescente “quer o ninho mas rejeita o nó” (Perrot, 1993).

Com esta nova dinâmica no comportamento do adolescente “o cuidado” assume uma dimensão diferente no sistema familiar. Agora, o filho crescido e mais maduro precisa e deve ser cuidado, mas “a distância”. Aqui, liberdade, confiança e limites entram em cena e por vezes, em crise.

Diante de tantas transformações é natural que medos e preocupações existam e que esta nova realidade traga aos pais a sensação de estarem perdidos associado a um forte sentimento de estranhamento deste filho. Neste processo de reconfiguração das relações familiares é comum que os pais também estejam enfrentando vivências
específicas da meia idade como questionamento e reavaliação de carreira profissional, satisfação no emprego, conflitos conjugais, separações, recasamentos, entre outros.

O adolescer na família impõe a vivência de conflitos, as dificuldades de interações, o distanciamento nas relações, a divergência de modelos e, sobretudo a necessidade de incrementar o diálogo e a flexibilidade como mediadores desses processos de transformação.

Fabiane Matias

Fabiane Matias

Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta de Família
CRP 06/68421
Especialista em Terapia de Família e Casal pela UNIFESP eem Psicologia da Saúde pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.
Atualmente, é psicóloga no Ponto Clínico e responsável técnica pelo Serviço de Psicologia da Associação Brasileira de Pacientes Asmáticos (ABRASP)
Atua há 15 anos nos temas avaliação psicológica em saúde, orientação e intervenção com famílias e casais, saúde materno infantil, ciclo vital, orientação profissional, psicopatologias do desenvolvimento emocional e psico-social.
www.facebook.com/psicologafabianematias
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