O brasileiro está mais obeso. Em dez anos, a prevalência da obesidade passou de 11,8% em 2006 para 18,9% em 2016, atingindo um em cada cinco brasileiros, de acordo com dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel).

Segundo o levantamento, esse é um dos fatores que pode ter colaborado para o aumento da prevalência de diabetes e hipertensão entre a população. No sobrepeso, o cenário é ainda mais grave. Mais da metade dos brasileiros está acima do peso. Nos últimos dez anos, o índice cresceu 26,3%, passando de 42,6% em 2006 para 53,8% em 2016. No mesmo período, o número de brasileiros diagnosticados com diabetes cresceu 61,8% e com hipertensão 14,2%.

Segundo o Vigitel, nos últimos dez anos, o sobrepeso entre homens passou de 47,5% para 57,7%. Nas mulheres, o índice passou de 38,5% para 50,5%.

O levantamento revela ainda que o indicador de excesso de peso aumenta com a idade e é maior entre os que têm menor grau de escolaridade. Nas pessoas com idade entre 18 e 24 anos, por exemplo, o índice é de 30,3%. Já entre brasileiros de 35 a 44 anos, o índice é de 61,1% e, entre os com idade de 55 a 64 anos, o número chega a 62,4%. Na população com 65 anos ou mais, o índice é de 57,7%.

O número de brasileiros diagnosticados com diabetes cresceu 61,8% nos últimos 10 anos, passando de 5,5% da população em 2006 para 8,9% em 2016. Ao contrário do excesso de peso, que é mais prevalente em homens, o diabetes é mais comum em mulheres. O índice de diagnósticos da doença nas mulheres passou de 6,3% em 2006 para 9,9% em 2016, contra 4,6% em 2006 para 7,8% entre os homens em 2016.

O número de pessoas diagnosticadas com hipertensão no país cresceu 14,2% na última década, passando de 22,5% para 25,7% em 2016. As mulheres, novamente, registram mais diagnósticos da doença, o grupo passou de 25,2% para 27,5% no período, contra índices de 19,3% e 23,6% registrados entre homens.

Felizmente a pesquisa mostrou mudanças nos hábitos dos brasileiros, como a redução do consumo regular de refrigerante ou suco artificial. Em 2007, o indicador era de 30,9%, em 2016 foi 16,5%. Também houve aumento da prática de atividade física nos momentos de lazer. Em 2009, 30,3% da população fazia exercícios por pelo menos 150 minutos por semana, já em 2016 a prevalência foi de 37,6%. Nas faixas etárias pesquisadas, os jovens de 18 a 24 anos são os que mais praticam exercícios no tempo livre.

Houve também um pequeno aumento no consumo regular de frutas e hortaliças: em 2008 o índice era de 33,0%, e em 2016, 35,2%. No entanto, a ingestão permanece baixa. Em 2016, apenas 1 entre 3 adultos consomem frutas e hortaliças cinco dias da semana.

Em relação ao consumo abusivo de bebida alcoólica, foi registrado um leve aumento: em 2006 era 15,7%, e em 2016, 19,1%.

A nutrição é fundamental para a prevenção, e o tratamento de doenças está diretamente relacionada aos hábitos e o estilo de vida. Foram justamente as mudanças que ocorreram no estilo de vida da sociedade no último século que desencadeou a “explosão” dos casos de obesidade e excesso de peso. Este problema é muito mais sério do que uma simples desordem estética, representando risco para o desenvolvimento de várias doenças. O papel do nutricionista é de extrema importância para reverter o avanço desta epidemia. Políticas públicas precisam ser pensadas e a sociedade civil deve cobrar providencias nesse sentido, tanto para promover educação nutricional nas escolas, como para promover a atuação de nutricionistas em centros de saúde e núcleos de atenção à saúde da família (NASF).

 

Adriana Stavro

Adriana Stavro

Adriana Stavro, formada em Nutrição pelo Centro Universitário São Camilo. Pós-graduada em Doenças Crônicas não Transmissíveis pelo Hospital Albert Einstein. Pós graduanda em Nutrição Clinica Funcional pela VP consultoria.
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