Imagine que você está se arrumando para uma viagem que fará de avião e ao vestir sua calça preferida percebe que está mais difícil para abotoá-la e pensa: – puxa, ganhei uns quilinhos e saí da faixa do meu peso ideal. Já no aeroporto, no balcão do check-in o atendente informa que terá que pagar pelo excesso de bagagem, pois a sua mala ultrapassou o peso permitido. Ou seja, tanto você quanto sua mala estão com sobrepeso. O que eu quis dizer com isso? É que o sobrepeso pode ser referente a algo ou alguém. Já a obesidade está relacionada ao homem ou ao animal e quando apresenta excesso de massa adiposa (gordura).

Mas afinal, como saber se a pessoa está com sobrepeso ou com obesidade?

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde) a relação peso/altura é um método simples para identificar indivíduos obesos ou com sobrepeso. IMC (índice de massa corporal) = peso (kg) /alt²(m). Por exemplo: indivíduo pesando 85 kg e com 1,60 m de altura.

1,60×1,60=2,56  → 85÷2,56=33,20  →  IMC=33,20  → classificação Obesidade classe l

 

IMC CLASSIFICAÇÕES
Menor do que 18,5 Abaixo do peso normal
18,5 – 24,9 Peso normal
25 – 29,9 Excesso de peso
30 – 34,9 Obesidade classe l
35 – 39,9 Obesidade classe ll
Maior ou igual a 40 Obesidade classe lll

 

Porém este índice não indica a porcentagem nem de gordura e nem de massa magra, portanto pessoas musculosas como atletas que apresentam maior porcentagem de massa muscular devem utilizar outro método, assim como indivíduos com uma alteração postural muito grande como a hipercifose (que é o aumento da curvatura dorsal), pois alteraria o resultado ao aplicar a fórmula. Nesses casos pode-se utilizar o cálculo de porcentagem de gordura corporal através de um adipômetro, por exemplo, que é um aparelho que mede a espessura de uma dobra de pele com a sua camada interna de gordura.

Diariamente somos “bombardeados” com informações da mídia de como chegar a ter um corpo perfeito eliminando “gordurinhas indesejáveis” e pouco se fala que a obesidade já é uma epidemia mundial atingindo todas as classes sociais sendo prejudicial à saúde, pois apresenta riscos como hipertensão, doenças cardiovasculares, dislipidemias, diabetes tipo II, problemas respiratórios, alguns tipos de câncer, depressão, alterações posturais, dores em geral, etc. O processo de emagrecimento é adiado e, quando nos damos conta, “os quilos extras” deixaram de ser sobrepeso. A proximidade do sobrepeso para a obesidade nível I é muito sutil. Às vezes o “gordinho” pode pensar que está só com sobrepeso, no entanto já está obeso (ver tabela acima) e, com isso as alterações de saúde começam a ficar mais evidentes.

A obesidade não é apenas um problema de excesso de gordura, senão seria apenas uma questão estética como ter um nariz longo, ou orelhas salientes, e de fácil tratamento, diminuindo a ingestão calórica e aumentando o consumo de energia com atividade física e algumas mudanças de hábito. Fatores endógenos (genético, metabólico, endócrino e neurológico) e exógenos (alimentação, sedentarismo, estresse e até mesmo cultural), são responsáveis por esta condição.

Através desses conceitos fica claro que o sobrepeso sem riscos à saúde demonstra ser mais uma questão estética para aqueles que se preocupam com a imagem na maioria das vezes veiculada pela mídia. Já a obesidade, além de ser um fator de sofrimento por não alcançar o “corpo perfeito”, também é uma questão de extrema preocupação a saúde.

Uma equipe multidisciplinar composta por médico, nutricionista e educador físico é essencial para o sucesso do tratamento tanto de sobrepeso como de obesidade.

Na próxima matéria falarei a respeito das alternativas de tratamento em relação à atividade física para pessoas que estão acima do peso ou obesas.

Angeles Bonal Rosell Rayes – abril 2016

Angeles Bonal Rosell Rayes

Angeles Bonal Rosell Rayes

Graduada em Educação Física pela UDESC – Universidade do Estado de Santa Catarina, especialista em Atividade Física Adaptada e Saúde pela FMU, Instrutora de Pilates desde 2011, apresentou artigo no 62º Congresso da ACSM – American College Sports and Medicine em maio de 2015 com o título: Pilates Training Improves Body Composition, Muscular Endurance and Functional Tests Performance of Overweight/Obese Adults e responsável pelo trabalho desenvolvido com pessoas acima do peso ou obesas, ministrando e coordenando aulas.
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