Como educadora fico pensando no que dizer às famílias nesse início de 2018. Mais um ano que chegou e lá vamos nós outra vez: fazendo promessas e planos, com expectativas e esperanças, com anseios e desejos. O ano mudou, mas e nós? Faremos isso. Faremos aquilo… e assim vamos pautando nossas conversas. Ano após ano quando chega o momento da virada, do início de mais um ciclo em nossas vidas.

Dentro do ambiente escolar, as expectativas com relação ao ano vindouro são retomadas. Qual professora lecionará para meu filho? Será que ele ficará na mesma turma que os amiguinhos? Qual será a nova rotina, será que ele se adaptará? Para quem inicia no Ensino Médio, momento de maior independência dos filhos, começam as dúvidas sobre o desempenho escolar, as matérias que serão ministradas, a carga horária de estudos, o início do preparo para o vestibular. A escola oferecerá todo o suporte necessário nessa fase de expectativas, ansiedade e dúvidas, muitas dúvidas, mas famílias e educadores podem se unir na orientação da escolha da profissão e na administração da pressão natural que os jovens enfrentarão perante a sociedade.

Já com relação aos mais novos, a instituição necessita ficar atenta à formação da nova turma. Há a preocupação em manter alguns amigos juntos, mas também é preciso oportunizar para as crianças as novas amizades e estimular-se o convívio social. E a formação da nova turma levará em conta as características, as necessidades, potencialidades e dificuldades individuais dos estudantes. Essas questões costumam ser apresentadas às famílias em reuniões no início do ano letivo, juntamente com as propostas do ano escolar, o conteúdo pedagógico, a organização da rotina e os tempos da escola (horários das aulas, das atividades físicas e culturais, entradas e saídas, intervalos).

Para as famílias recomendamos que acompanhem e incentivem autonomia, o hábito e a rotina de estudos e deleguem responsabilidades aos filhos. É importante participar sempre da programação que a escola oferece e, caso algo inesperado aconteça ou alguma situação mereça o esclarecimento de dúvidas, procurem a instituição e nunca deixem de expor o que aborreceu. A falta de diálogo entre família e escola é motivo de rompimento de relacionamentos ou aperfeiçoamento das práticas pedagógicas e administrativas ou, ainda, de um melhor acompanhamento dos estudos dos filhos por falta de conhecimento do que está acontecendo. Então, diálogo sempre! Confiança na escola escolhida é fundamental. Independentemente da situação, sejam presentes!

Aproveito esse início de ano para compartilhar 10 regras de ouro que ajudam a estreitar o relacionamento da família com a escola em relação ao desempenho escolar dos filhos:

1 – Participem de todos os eventos da escola, tais como reuniões e festas;
2- Leiam os comunicados enviados por agenda, e-mails e aplicativos, atualizem os dados sempre que forem alterados, tais como telefone e e-mail para que a comunicação entre escola e família aconteça da melhor maneira;
3- Acompanhem os estudos, o rendimento nas avaliações e as notas que são divulgadas;
4- Fortaleçam os vínculos entre os membros da família e com a escola, lembrando que juntas conseguirão proporcionar uma educação de qualidade, sendo que cada uma terá um papel a desempenhar;
5- Leiam livros sobre desenvolvimento bio, psico e social das crianças e jovens;
6- Façam perguntas aos educadores sobre o que precisam saber sobre o desenvolvimento escolar;
7 – Leiam os relatórios enviados pela instituição sobre o desempenho de seus filhos;
8- Interessem-se por conhecer as amizades que eles têm, o que postam nas redes sociais e quem são os amigos virtuais;
9- Estabeleçam rotina e tempo para estudos e lazer;
10- Tenham tempo para seus filhos;

A escola e a família precisam permanecer parceiras. Desejo a todos um Feliz Ano Novo! Mas, para que ele seja realmente novo precisamos fazer um balanço de como foi 2017. O que fizemos ou deixamos de fazer? O que precisaríamos ter feito para nos aproximar mais de nossas crianças? O que não alcançamos foi por que não lutamos como deveríamos ou por que as circunstâncias não permitiram?

As respostas que damos a essas perguntas nos ajudarão a fazermos um 2018 melhor que 2017, 2016, 2015… e a escrevermos um futuro que desejamos para nós e para quem convive conosco, além de nossas palavras.

Se temos planos? Sim, muitos! Se teremos dificuldades? Com certeza! Mas que haja força para vencer e determinação que nos afastem da ansiedade que sobrevém diante dos resultados do final do ano. Ora por causa do tempo que não se estudou, da lição e dos trabalhos não realizados, das reuniões que não se frequentou na escola, da falta de diálogo com os filhos, da entrevista de emprego que nem se chegou a ir porque “talvez não desse certo”, das tentativas que se deixou de lado por não acreditar que poderia, dos passos não dados em direção ao sonho, das culpas por causa dos relacionamentos desfeitos, das discussões que não valeram a pena, da indiferença em relação ao outro, da falta de respeito, dos gestos que não foram os melhores.

Enfim, para 2018 ser realmente novo ou trazer novidade de vida, precisamos mais do que promessas, precisamos agir e pensar diferente. Para quem conseguiu estar mais presente e dedicado naquilo que se propôs, a dica é manter o foco, permanecer junto, lutando sempre. Importante lembrar que algumas pessoas precisarão muito mais de nós do que outras e nós precisaremos olhar também com muito carinho para nossas vidas, assim como o que temos feito dela, o que desejamos para ela.

Para nós eu espero que 2018 seja um tempo de nossas vidas em que as promessas da virada se concretizem. Que cada um mantenha a esperança de dias melhores mesmo que o entorno e o contexto digam o contrário, pois o tempo não pára e necessitamos seguir em frente, insistindo e construindo um futuro parecido com nossas promessas.

Jozimeire Stocco

Jozimeire Stocco

Jozimeire Stocco é diretora geral do Colégio Stocco, um dos mais tradicionais do ABC Paulista, desde 1954. É pós-doutoranda em Educação pela PUC-SP; doutora e mestra em Educação; especialista em Educação Infantil; e bacharel em Direito. Integra o Banco de Especialistas em Direito Educacional da ABRADE (Associação Brasileira de Direito Educacional).
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