Virada do ano, planos e metas renovadas, objetivos a serem alcançados! Dizemos que corremos atrás de nossos sonhos. Fazemos planejamentos detalhados, preocupamo-nos com os investimentos financeiros, com a política vigente, com a estética, com os bens, com o provimento da família, com a segurança…

Mas… e com nossa qualidade de vida emocional? Quanto investimos nesse patrimônio?

Quem nunca ficou com o coração acelerado, ou com as mãos suando na expectativa de alguma coisa que estava para acontecer, seja um encontro afetivo, seja algum tipo de avaliação, uma entrevista de emprego, falar em público, ou quando nos sentimos culpados por algo… Essas situações nos colocam em uma situação de certo desconforto, mexendo com nossas emoções, e o organismo responde com algumas alterações (sudorese, taquicardia) que têm a função de nos preparar para tomar uma atitude. É uma reação fisiológica atravessada por questões emocionais e psicológicas.

Quando vividas em clima tolerável, dizemos que são reações esperadas, que movimentam medos e incertezas pessoais, mas que são comuns a cada um de nós e necessárias para nos tirar da zona de conforto.

Algumas pessoas, porém, passam por essas e outras experiências com reações intensas, desproporcionais, extremas, e que podem comprometer a saúde emocional. Quando a ansiedade ultrapassa os limites esperados, os incômodos e as reações se apresentam de modo excessivo e descontrolado.

Segundo estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgada em Fevereiro de 2017, o Brasil é o
país com maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade no mundo (aproximadamente 10% da população) e o quinto em casos de depressão (5,8%). Isso significa que a cada 10 pessoas, uma apresenta tal distúrbio emocional.

Alguns dos sintomas do transtorno de ansiedade são:

– Preocupação Excessiva, ou expectativa apreensiva desproporcional à situação;
– Dificuldade em controlar-se diante das preocupações;
– Inquietação;
– Cansaço constante;
– Dificuldade de Concentração;
– Irritabilidade;
– Tensão Muscular;
– Perturbação do sono;
– Comportamentos compulsivos;
– Transtornos alimentares;
– Procrastinação (adiamento das obrigações);
– Sentimento de sobrecarga;
– Vontade de fugir, desistir ou abandonar as obrigações;
– Nervosismo;
– Pensamento acelerado;
– Medos paralisantes;
– Reações psicossomáticas diversas (dor de estômago, dor de cabeça (por ex.) sem causa definida);

É preciso dizer que a presença eventual de cada um desses sintomas não configura um transtorno de ansiedade. Para que seja declarado um transtorno é necessário que se apresentem numa certa frequência (episódios sucessivos e repetitivos) e com uma certa duração (semanas, meses) e de qualquer forma, deverá ser diagnosticado por um profissional da saúde. Portanto, quando surgem sintomas que interferem na qualidade de vida, é importante buscar tratamento.

Mas como?

Vamos pensar em 10 maneiras para cuidar, ou mesmo prevenir, os transtornos de ansiedade.

Primeiramente as duas formas de tratamento essenciais e determinantes:

  • Acompanhamento médico:
    Um médico poderá avaliar o grau em que se encontra o quadro de ansiedade e prescrever um tratamento, talvez medicamentoso, adequado ao caso.
  • Psicoterapia
    Sabemos que somente o medicamento não é suficiente para o tratamento desses transtornos.  É preciso compreender porque se está mergulhado nesse tipo de quadro emocional. É aí, na busca pela raiz do problema, que o tratamento psicológico ganha extrema importância.

Cada um desses sintomas refletem a pessoa que está em desequilíbrio. Não há como tratar o sintoma, mas sim a pessoa. Cada sintoma só tem sentido na história de uma pessoa. É por isso que o tratamento psicológico torna-se fundamental. Não somos um amontoado de peças e engrenagens… também não somos somente um conjunto de órgãos e sistemas fisiológicos.

Temos sentimentos, emoções e criatividade; experiências profundas, significativas, alegrias, tristezas, conquistas, perdas… E tudo isso ganha um sentido especial dentro de nossa história de vida, que é única, singular. É preciso olhar atentamente para a própria história e ver o que ela significa para cada um!

Nem sempre é fácil fazer isso, mas é necessário entender porque surgiu, em determinado momento de própria história, um quadro ansioso. Porque as contrariedades da vida, por exemplo, tiram o equilíbrio que julgava ter? Como se sente emocionalmente para lidar com as frustrações, com as tristezas e decepções? Existe flexibilidade suficiente para enfrentar com paciência e resignação os altos e baixos de vida cotidiana? Percebe-se resiliente para enfrentar as perturbações do cotidiano que atravessam o próprio caminho? Como se articula a estrutura psicológica pessoal no enfrentamento dos momentos de instabilidade emocional, em que nos sentimos invadidos, ou abandonados, ou solitários, ou injustiçados?

Essas e muitas outras questões podem ser tratadas em psicoterapia, que se configura, portanto, como uma experiência essencial que irá auxiliar a pessoa a ressignificar e superar o estado ansioso, dentre outros benefícios, pois sempre podemos aprender algo novo sobre nós mesmos, sobre a vida e sobre nossas emoções, criando aberturas para as transformações e renovações pessoais.

Garantindo este atendimento básico, outros cuidados pessoais podem ser adotados:

  • Exercícios físicos
    É sabido que o exercício físico moderado e constante auxilia o equilíbrio geral do organismo, especialmente na produção de alguns hormônios que estimulam as áreas de sensibilidade ao prazer no cérebro, agindo positivamente na sintomatologia da ansiedade;
  • Meditação e Mindfulness
    Estudos mostram que a meditação regular é capaz de diminuir o estresse, melhorar o regime de sono/vigília e a concentração (atenção plena), auxiliar no equilíbrio fisiológico, imunológico e cardíaco;
  • Yoga
    A prática do yoga pode trazer maior consciência corporal, o que se reverte em atitudes mais saudáveis em termo de postura, alimentação, flexibilidade, respiração, tônus muscular e outros benefícios;
  • Acupuntura
    O tratamento pela acupuntura visa reequilibrar a energia vital do organismo como um todo, colaborando para a redução dos níveis de hormônios produzidos pelo estresse;

Adotar novas posturas e atitudes no cotidiano podem trazer benefícios no combate à ansiedade:

  • Priorizar relações presenciais
    Hoje, com a invasão maciça e constante do universo virtual em nossas vidas, muitas vezes abdicamos de relações que solicitam tempo, dedicação e interação presenciais. A velocidade e a superficialidade pode se instalar nos modos de relacionamento, causando isolamento e apatia.
  • Melhorar a relação com o trabalho e com o dinheiro
    A busca por uma condição financeira estável muitas vezes pode comprometer a relação que estabelecemos com o trabalho. A motivação exclusiva financeira pode trazer o indivíduo à uma insatisfação pessoal e baixa autoestima.
  • Exercer um trabalho voluntário
    A prática voluntária estimula o contato social e a autoestima, além de promover o senso de propósito àquele que se envolve em causas e projetos sociais, filantrópicos ou assistenciais.
  • Exercício saudável da espiritualidade
    Toda atividade que traga ao indivíduo um propósito existencial para a vida pode gerar novas reflexões e agregar novos valores à vida pessoal.

Estamos em plena Campanha Janeiro Branco, dedicada a ampliar e divulgar a importância dos cuidados com a saúde mental. Aproveitemos a virada do ano e coloquemos em nossos planos e metas “cultivar uma melhor qualidade de vida psicológica e emocional” pois sem isso não há saúde integral e não há paz interior.

Cuide de sua saúde emocional de Janeiro a Janeiro e façamos de cada ano de nossa vida um ano realmente novo!

Feliz 2018!

Andrea Tarazona

Andrea Tarazona

26 anos como Psicoterapeuta. Especializada em Psicologia Clinica e Psicologia Institucional. Atuando nas áreas: Psicoterapia de Adultos (individual e casal) e Adolescentes, Orientação para pais e gestantes.
Andrea Tarazona